Rondônia, - 05:35

 

Você está no caderno - Espiritualidade e Religião
Espiritualidade e Religião
Teologia que aborda relação com o corpo e o sexo completa 40 anos
Para comemorar as 4 décadas de existência da Teologia do Corpo, o Ancoradouro pediu a Deusimar Andrade, coordenador do Grupo de Estudos Karol...
Publicado Sexta-Feira, 6 de Setembro de 2019, às 11:01 | Fonte O Ancorado 0
  WhatsApp - (69) 9 9967-8787
 

Divulgação/ Internet

Há exatamente 40 anos atrás, João Paulo II, então papa, começou um ciclo de catequeses sobre o Amor Humano, que logo ficaram conhecido como Teologia do Corpo. Durante 5 anos após dia 05 de setembro de 1979, todas as quartas-feiras, pronunciou um ensinamento que iria revolucionar a compreensão eclesial sobre o corpo, sobre a sexualidade, sobre a vocação sacerdotal, mas também matrimonial – pasmem! Sua intuição fundamental é que o corpo humano, tal e qual nós conhecemos, ele não é somente biológico, ele também é teológico, ou seja, revela algo sobre Deus!

Para uma intuição primeira, isso pode parecer um absurdo, afinal Deus não tem corpo, é espírito (cf. Jo 4, 24), além de uma mentalidade muito comum de ver no corpo “o lugar do pecado” – uma mentalidade pessimista em relação ao corpo e ao mundo que ainda rodeia algumas mentes mais escrupulosas. Porém, “pelo fato do Verbo ter-se feito carne, o corpo entrou pela porta principal da teologia” (João Paulo II, Catequese de 02 de abril de 1980). Assim, partindo das palavras de Cristo, João Paulo II enquadra o corpo como um lugar teológico, onde se realiza a vontade de Deus (cf. Hb 10, 5). Afinal, o corpo foi criado por Deus, também a sua imagem e semelhança – não só nossa alma. Se Deus é Amor (cf. I Jo 4, 14), e nosso corpo foi criado à imagem e semelhança de Deus, que é amor, então, na medida que nosso corpo é capaz de exprimir e receber amor, ele também fala sobre Deus.

Essa compreensão não é somente um “malabarismo teológico” para poder fazer uma reflexão sobre o corpo humano e, assim, legitimar alguns mandamentos de Deus e da Igreja; pelo contrário, a Teologia do Corpo é uma reflexão profunda sobre o homem (antropologia) levando a sério o fato de ele ser imagem e semelhança de Deus. Assim, descobrimos no homem e nos seus desejos e impulsos sexuais não só um instinto biológico, como nos animais, que nos impulsionam para o prazer; mas dentro da própria sexualidade encontramos no homem uma profunda sede de comunhão, um desejo de amar e ser amado – assim como Deus, no seio da Trindade é amor em movimento, o Amor do Pai pelo Filho, do Filho pelo Pai, numa unidade intrínseca de amor, concretizada pelo Espírito Santo. Deus inscreveu no mais fundo do coração do homem essa sede de Amor e só o Amor pode saciar seus anseios mais profundos.

João Paulo II, então, lia nos desejos sexuais uma profecia que Deus escreveu no corpo do homem, que o impulsiona para o amor, para sair da sua intangibilidade, do seu comodismo e o coloca na direção do dom completo de si. Sem ignorar a radicalidade do pecado na história do homem, que o impulsiona no caminho contrário – ao invés de amar até o dom de si, coloca-o para desejar possuir, utilizar a pessoa como um simples objeto de prazer – sua reflexão tem uma perspectiva muito positiva sobre o corpo e o sexo, e enquadra a vocação ao matrimônio como uma vocação autêntica ao lado da vocação ao celibato, afinal as duas vocações só se justificam como maneiras diferentes de realizar o amor, cuja imagem está inscrita no coração de todos. Tal análise mostra, também, que o pecado não destruiu a imagem e semelhança de Deus no coração do homem – ainda que possa tê-la borrado profundamente – de tal modo que as atitudes de amor, expressas pelo corpo, num relacionamento de amor autêntico, especialmente dentro do matrimônio e da vida consagrada, expressam e atualizam o Amor de Deus na humanidade.

É fácil vermos como João Paulo II dá credibilidade ao amor humano, como ele leva a sério a universalidade do amor, e como sua – ou melhor, nossa – Teologia do Corpo é uma resposta para uma sociedade hipersexualizada, onde é justificável usar o outro como mero objeto do prazer pessoal. Sua resposta à Revolução Sexual, da década de 60, não é expugnar o sexo como algo ruim, negativo, pecaminoso… Pelo contrário, ele acreditava que sua Teologia do Corpo podia se tornar uma Pedagogia do Corpo, ou seja, uma Educação Para o Amor. E que o corpo também precisa ser evangelizado pela beleza – que é fundamentalmente diferente da sensualidade – afinal, “a beleza salvará o mundo” (Dostoiewiski). Só o amor pode responder às expectativas mais autenticas e mais profundas do coração do homem e foi o Amor quem ensinou todas as coisas para nosso querido João Paulo II.

Vanderlúcio Souza





Curta nossa página no Facebook ou deixe seu comentário



Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

 
 
Veja também em Espiritualidade e Religião


Papa Francisco rejeita ordenação de homens casados como padres na Amazônia
Pontífice também descartou ordenação feminina. Possibilidade de que homens com família constituída se tornassem padres na região havia sido discutida no sínodo da Igreja em outubro passado....


Gratidão
Nos dias que passam, é preciso um grande esforço para nos mantermos otimistas...


Papa enaltece mulheres corajosas que prestam assistência humanitária
Hoje recordamos todas as mulheres corajosas que vão ao encontro dos seus irmãos e irmãs em dificuldade. Cada uma delas é sinal da proximidade e da compaixão de Deus. #WomenHumanitarians ...


Trump anuncia fundo milionário e coalizão com líderes para combater perseguição religiosa
Donald Trump anunciou na última segunda segunda-feira, 23 de setembro, que os Estados Unidos investirão US$ 25 milhões......

 
 
 

 



 
 
 
 
EMRONDONIA.COM
FALE CONOSCO  |  ANUNCIE  |  EQUIPE  |  MIDIA KIT   |  POLÍTICA DE PRIVACIDADE