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PCR para os alimentos? Sim, e infalível à fraude
Sequenciar o ADN de alimentos como a azeitona ou uva através dos testes...
Publicado Terça-Feira, 29 de Dezembro de 2020, às 07:57 | Fonte EFE/ Portugal 0

 
 

EFE/Julio Quiroga

Oliveiras centenárias no Vale de Quiroga (Lugo, Espanha).

Sequenciar o ADN de alimentos como a azeitona ou uva através dos testes PCR são o método mais fiável para que nem o produtor ou o consumidor comprem gato por lebre. Marta Prado, investigadora do Instituto de Nanotecnologia (INL) de Braga, avança à EFE que acabam de criar um protótipo rápido e eficaz. 

Como se fosse um teste PCR para detetar a presença do coronavírus numa pessoa, uma equipa de investigação comandada pela espanhola Marta Prado desenvolveu um kit que através dos tradicionais cartuchos e reagentes pertinentes é capaz de verificar no instante se um azeite virgem extra ou um dos melhores vinhos estão elaborados de acordo com a variedade de azeitona ou uva referida.

O azeite é um dos alimentos mais suscetíveis à adulteração, segundo a cientista espanhola, pelo que a chave para lutar contra a fraude e assegurar ao produtor que a variedade é a correta passa por "um sistema de extração de ADN a partir do próprio aceite".

Trata-se de uma iniciativa para a transferência e valorização de nanotecnologias e PMEs inovadoras luso-espanholas, que conta com um orçamento total de 4.225.750,67 euros,  75% destes financiados pelo Fundo de Desenvolvimento Regional FEDER através do Programa de Cooperação Transfronteiriça Interreg Espanha - Portugal (POCTEP).

O projeto de investigação, com o nome de NANOEATERS, é coordenado pela Agência Galega de Investigação e tem como parceiros o INL, as universidades de Vigo e Santiago de Compostela, a Fundação para a promoção da Inovação, Investigação e Desenvolvimento tecnológico na Industria de Automoção da Galiza, o Centro Tecnolóxico de Telecomunicacións da Galiza, a Associação de Investigação Metalúrgica do Noroeste e a Fundação Biomédica Galicia Sur.

BRAVA E MANSA, AZEITONAS GALEGAS

As variedades de azeitona brava e mansa foram reconhecidas oficialmente em outubro de 2017 e incorporadas ao Banco de Germoplasma del Olivo da Universidade de Córdoba (sul de Espanha), e entre as suas características destacam-se as suas condições organoléticas, que a tornam em duas variedades muito apetecíveis para a elaboração de um azeite virgem único.

Por isso, o estudo desenvolvido pelo INL com a colaboração da Universidade espanhola de Vigo (noroeste) centrou-se nestas duas variedades.

O objetivo final é criar um dispositivo que os produtores deste tipo de azeite possam usar para identificar se, realmente, a azeitona moída no lagar é uma dessas duas variedades.

De forma indireta, com um maior controlo para evitar a fraude alimentar, vão-se valorizar as oliveiras de ambas variedades, umas árvores centenárias que foram abandonadas na época do conde-duque de Olivares, no século XVII, explica Marta Prado, e que agora se estão a começar a recuperar, dadas as suas potencialidades no mercado agroalimentar.

Tornadas nas únicas variedades de azeitona da Galiza -região que se destacou neste cultivo na época romana- há que garantir a sua autenticidade para o consumidor final, motivo pelo qual este projeto procura um método que assegure "in situ" e ao momento quais os tipos de azeitona por trás de cada azeite.

DISPOSITIVOS PARA DIFERENTES VARIEDADES

O protótipo desenvolvido com esta iniciativa não só será aplicado a estas duas variedades na região da Galiza (noroeste), como também será utilizado para outros tipos de azeitonas.

Prado explica que o dispositivo foi inclusivamente concebido para identificar a sequência de ADN de outras espécies vegetais suscetíveis de adulteração ou com elevado risco de fraude para o consumidor.

É o caso da castanha, um alimento "cujas variedades são muito difíceis de identificar", ou do vinho, para que o consumidor saiba realmente se é feito a partir das variedades de uva que são especificadas em cada denominação de origem.

"O importante", ressalta Marta Prado, "é que a identificação seja rápida".

Por isso estão em fase de transferência de tecnologia, uma vez testadas as funcionalidades dos reagentes em laboratório.

Os responsáveis pelo estudo pretendem antes de junho de 2021 testar a eficácia do dispositivo nas numerosas companhias de azeite que existem no norte de Portugal.

A investigação realizada pelo INL e pela Universidade de Vigo servirá também para assegurar a rastreabilidade do produto e, além disso, ajudará a recuperar centenas de hectares de olivais abandonados no sul da Galiza, na fronteira com Portugal, que começam agora a ser mais valiosos graças ao potencial das duas variedades identificadas.

PRESERVAR A SEGURANÇA ALIMENTAR

"O azeite foi identificado como o produto alimentar de maior risco de adulteração, já que é muito valorizado pelo consumidor e relativamente caro, sobretudo se é virgem extra e se as suas variedades estiverem mais reconhecidas ao nível internacional", argumenta Marta Prado.

Face a este paradigma, há azeites adulterados "com outras sementes ou outras variedades", explica a cientista.

O INL centrou-se na possível fraude de elaboração de azeite virgem extra com outras variedades de azeitona, já que "é bastante difícil identificar estes marcadores (compostos bioativos e organoléticos) e poder encontra-los na matriz do azeite, que é muito complexa".

O dispositivo que vai analisar o azeite vai estar composto por dois módulos: "em um vai-se purificar o ADN e, uma vez purificado, no segundo módulo faz-se a amplificação do ADN através do agora tantas vezes mencionado PCR para identificar as sequências de ADN específicas destas variedades de azeitona".

DAS PROVAS AO PCR

O PCR, agora muito na moda com a covid, "é uma técnica muito versátil com muitas aplicações, que é como fotocopiar muitas vezes um fragmento de uma sequência específica que identificámos anteriormente e nos dá muita especificidade na identificação de um organismo".

Para além destes testes de ADN, as famosas provas eram as opções para distinguir a excelência de um azeite virgem extra, onde o cheiro rançoso baixava o seu valor e os seus aromas a erva fresca o posicionavam entre os mais apreciados.

A sua acidez é também outra forma rudimentar de certificar a sua qualidade, já que os azeites mais valorizados estão sempre abaixo dos 0,8 graus.

Os produtores poderão prescindir destes sistemas de outrora e ter uma pequena máquina que, como preveem na última fase do projeto, será produzida em grande escala para que possa ser adquirida por empresas do sector.

Uma vez concluída a fase de laboratório com os protótipos, a fase seguinte será o seu fabrico em grande escala para posterior distribuição e venda.

"Estamos muito interessados em ver como estas pequenas empresas utilizam esta tecnologia e em verificar possíveis problemas que possam ter para os melhorar", explica Marta Prado.

OLIVAIS COM MAIS DE TRÊS SÉCULOS

A brava e a mansa, só no sul da Galiza, tornaram-se em variedades muito seletas e procuradas pelos consumidores "gourmet", já que procedem de olivais cujas árvores mais jovens têm, no mínimo, 350 anos, explica à EFE José Luis Gómez, que comercializa este azeite através da marca Casa de la Aldea, que opera em Valle de Quiroga e Ribas de Sil, na província de Lugo.

As oliveiras destas variedades foram arrancadas durante o tempo do conde-duque de Olivares devido aos pesados impostos que impôs, e "apenas se preservam as oliveiras que foram utilizadas para marcar as divisões das pequenas propriedades", explica Gómez.

"A variedade brava é a que sabe mais amarga, enquanto que a mansa é doce", assegura, recordando que nesta zona da Galiza ainda se conservam lagares do século XII, quando a olivicultura era uma atividade muito importante nesta região.



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