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Processo de impeachment chegou ao Senado mas antes disso houve todo um ritual. Hear ye, hear ye, hear ye
Nenhum dos episódios que antecederam a entrega no Senado das duas acusações contra o Presidente Trump é novidade, mas também não é todos os dias que um...
Publicado Sábado, 18 de Janeiro de 2020, às 09:30 | Fonte Expresso - Portugal 0

 
 

BRENDAN SMIALOWSKI/GETTY IMAGES

Nenhum dos episódios que antecederam a entrega no Senado das duas acusações contra o Presidente Trump é novidade, mas também não é todos os dias que um Presidente norte-americano é alvo de um processo de impeachment. Chamaram a atenção as dezenas de canetas utilizadas para assinar o processo e a procissão que arrancou da Câmara dos Representantes em direção ao Senado, num “momento raro” de comunicação entre as duas câmaras
 

OSenado norte-americano deu início na quinta-feira ao julgamento do Presidente Donald Trump mas antes disso houve uma série de rituais que não passaram despercebidos aos órgãos de comunicação social. A começar, desde logo, pela quantidade de canetas que Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos Representantes, utilizou para assinar o processo de impeachment: quatro caixas com oito canetas cada uma com o nome de Pelosi gravado.

Apesar do possível espanto, trata-se, na verdade, de uma tradição nos EUA, e que começou com o antigo presidente Franklin Roosevelt. Era seu hábito usar várias canetas para assinar decretos, de modo a poder depois oferecê-las como recordação. Obama também o fez para assinar o Obamacare e Trump o mesmo, quando chegou à Casa Branca, queixando-se aliás, nessa altura e de forma irónica, de estar a ficar sem canetas. Apesar dos precedentes, vários republicanos criticaram Nancy Pelosi e o seu ar de quem estava a celebrar algo quando o momento pedia, na perspetiva destes, mais discrição.

CÂMARA DOS REPRESENTANTES E SENADO NUM “MOMENTO RARO” DE COMUNICAÇÃO
Outro momento que mereceu algum destaque foi o da entrada da secretária da Câmara dos Representantes, Cheryl L. Johnson, e do chamado “sargento de armas”, Paul D. Irving, no Senado, no Senado, para a entrega do dossier com as acusações que recaem sobre Donald Trump, na quarta-feira, depois da assinatura do processo por Pelosi. Um “momento raro”, assim foi descrito, tendo em conta que as duas câmaras funcionam separadamente. De novo, não se trata de um procedimento novo — assim aconteceu no impeachment do presidente Andrew Johnson, em 1868, e no de Bill Clinton. À BBC, Richard Arenberg, especialista nestes assuntos, esclareceu que esta espécie de procissão “simboliza a passagem do documento solene promulgado pela Câmara dos Representantes e aceite pelo Senado”.

À entrada no Senado, Cheryl L. Johnson terá informado, como é da praxe, que a Câmara dos Representantes aprovou uma resolução para a nomeação dos promotores do impeachment de Trump, ao que o republicano Charles E Grassley, presidente do Senado, terá respondido: “A mensagem será recebida”. Trump é acusado de ter pressionado o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, para investigar a atividade do filho do seu adversário político Joe Biden junto de uma empresa ucraniana envolvida num caso de corrupção, num gesto que a Câmara de Representantes diz constituir um ato de abuso de poder, bem como de ter tentado obstruir a averiguação destes factos por parte do Congresso.

“HEAR YE, HEAR YE, HEAR YE”
Também se ouviu inglês medieval no Senado, já na quinta-feira, da boca do “sargento de armas”, que introduziu o assunto sobre o qual se preparava para se pronunciar dizendo: “Hear ye, hear ye, hear ye”. E continuou: “Todas pessoas devem manter-se em silêncio, sob pena de prisão, enquanto a Câmara dos Representantes apresenta ao Senado os artigos do impeachment contra Donald John Trump, presidente dos EUA”. Tanto formalismo para quê? Há uma razão para isso, e resume-se a… regras, regras estas que já existe desde 1868 e foram revistas pela última vez em 1986. Como se trata apenas do terceiro impeachment na história dos EUA, “muitos dos procedimentos têm já dois séculos e não se recorre aos mesmo com frequência, daí parecer tudo tão arcaico”, explicou Richard Arenberg.

Essas mesmas regras também estabelecem que quando se trata do impeachment de um Presidente ou vice-presidente, o presidente do Tribunal Supremo de Justiça dos EUA deve estar presente durante o julgamento, daí John Roberts ter prestado juramento e, diante dele, terem-no feito também 100 senadores. Só depois de tudo isto — papéis assinados com várias canetas e vários juramentos, é que Donald Trump foi formalmente informado das queixas sobre si. O julgamento para o seu impeachment começa na próxima terça-feira.







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