Rondônia, - 20:31

 

Você está no caderno - Agronegocios / Pecuária
Fazendeiros vão bancar a Ferrogrão
Fazendeiros vão bancar a Ferrogrão
Apontado como o maior produtor de soja do mundo, o empresário Eraí Maggi está agora empenhado em um novo projeto: unir os produtores de seu Estado para constituir um fundo, com contribuições medidas em sacas de soja e milho, para construir uma ferrovia.
Publicado Terça-Feira, 4 de Setembro de 2018, às 05:27 | Fonte Amazonia.org.br 0

  
 
 

Divulgação - Internet

 

Apontado como o maior produtor de soja do mundo, o empresário Eraí Maggi está agora empenhado em um novo projeto: unir os produtores de seu Estado para constituir um fundo, com contribuições medidas em sacas de soja e milho, para construir uma ferrovia. Trata-se da Ferrogrão, que ligará Sinop, no norte do Mato Grosso, até o porto fluvial de Miritituba (PA), no rio Tapajós. A obra está orçada em R$ 12,7 bilhões. “Torna-se troco, perto dos benefícios que vai trazer ao produtor”, afirmou o fazendeiro ao ‘Estado’.

A Ferrogrão é um projeto que circula pelo governo há cinco anos sem sair do papel. A ideia de construí-la partiu das grandes tradings: Amaggi, ADM, Bunge, Cargill, Dreyfus, e a estruturadora Estação da Luz Participações (EDLP). A razão parece óbvia: usar os portos do Norte do País para levar a soja brasileira até mercados como China, Rússia e Europa. Elas já construíram estruturas exportadoras em Miritituba, de onde a carga segue por rio até a região de Belém.

Porém, ao longo dos últimos anos, as gigantes hesitaram em aportar os recursos necessários para construir a linha, que promete baixar o custo de transporte da soja de R$ 300 por tonelada para R$ 110 e encurtar em quatro dias a viagem dos grãos. O imenso capital dessas companhias gira num tempo medido em safras, e não no longo prazo, como é típico dos empreendimentos em infraestrutura.

Cansados de esperar, os produtores decidiram eles mesmos colocar dinheiro no projeto. Há duas semanas, uma assembleia da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Mato Grosso (Aprosoja – MT) aprovou por unanimidade a proposta de se criar um fundo para custear o investimento. “Tem como arrecadar R$ 600 milhões por ano tranquilamente”, assegurou o presidente da associação, Antônio Galvan. Ele enumera três possíveis ganhos aos agricultores: a valorização da terra, o menor custo de transporte e os lucros com a operação da ferrovia, já que todos serão sócios.

“É bom demais, sô!”, resumiu Eraí. “O produtor vai colocar 1 para tirar 10.” Mais ambicioso, ele acredita que a arrecadação poderá atingir R$ 1 bilhão ao ano. “Vai ser como tirar doce de boca de criança”, brincou. Os preços mínimos para o frete de caminhões “obriga” os produtores a pensar seriamente no empreendimento. O fundo foi formatado pelo presidente da EDLP, Guilherme Quintella, num trabalho que Eraí classificou como “genial”.

Projeto

“Pode dar certo”, concordou o secretário de Coordenação de Projetos do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), Tarcísio Freitas. Ele contou que, nos últimos dois anos, “vendeu” o projeto da Ferrogrão para diversos investidores no exterior, mas o tamanho do investimento e o longo prazo de maturação os assustava.

Quintella informou que as tradings se dispõem a entrar com 25% a 50% dos recursos para a construção da linha. Negociações em curso com outros possíveis sócios, como fundos de investimento, indicam que a participação delas será abaixo do limite máximo proposto.

Eraí vê a Ferrogrão como uma estratégia para manter a competitividade do agronegócio brasileiro. “Não adianta a gente pensar que só nós somos bonitos”, disse. “Os chineses estão arrendando terras na Rússia para plantar milho.”

A melhoria genética de sementes tem possibilitado o surgimento de outras áreas de produção de grãos no mundo que põem em risco a liderança brasileira no médio prazo. Freitas observa que a venda de tratores fabricados no Brasil para o Leste europeu é maior do que para a América Latina. A região se tornou uma nova fronteira de produção de soja, bem próxima dos grandes consumidores. Com um corte drástico no custo de transporte, o produto nacional terá melhores condições de se manter no páreo. “É a nossa saída”, afirmou Eraí.

Concessão só em 2019

A Ferrogrão será uma concessão do governo federal a ser leiloada em 2019. O lance mínimo para um contrato de 65 anos será fixado em R$ 1,00. A expectativa do governo é que haja apenas um competidor no certame: o grupo formado por tradings, produtores e outros fundos. Todo o trabalho feito até o momento foi para constituir ao menos um consórcio para o empreendimento. Nos bastidores, o receio era realizar o leilão e não aparecer nenhum candidato.

Enquanto o consórcio não é formado, seguem os preparativos para a concessão da ferrovia. Os estudos técnicos, econômicos e ambientais da ferrovia já foram submetidos a audiência pública. Nessa etapa, interessados em operar ou utilizar o serviço da ferrovia apresentaram sugestões.

No momento, os estudos estão na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que deverá enviá-los nos próximos dias para o Ministério dos Transportes e esse, por sua vez, os entregará à autora do projeto, a Estação de Luz Participações (EDLP), para fazer ajustes necessários. Só então os volumes serão remetidos para análise pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Uma vez aprovados lá, o governo pode publicar o edital e marcar a data do leilão.

Próxima gestão

“Não vai dar tempo para fazer o leilão em 2018”, afirmou o secretário de Coordenação de Projetos do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), Tarcísio Freitas. “Vai ficar para o próximo presidente.”

Guilherme Quintella não vê problema nisso. “É um projeto de Estado, não de governo”, disse. “É uma solução estrutural e definitiva da logística de escoamento de grãos do Mato Grosso.” Ele ressaltou que as exportações do agronegócio são o principal componente do balanço de pagamentos do Brasil. “O próximo governante vai tratar do assunto com muita seriedade”, apostou. “E muito ânimo, porque vai receber um projeto pronto.”

A ferrovia do grão não ficará pronta nem no próximo mandato presidencial. A obra em si deve levar cerca de cinco anos para ser concluída. Mas, antes de ela ter início, será necessário obter as licenças ambientais. Trata-se de um processo trabalhoso e demorado. Só depois do licenciamento é que começarão a contar os 65 anos da concessão.

Fundação ambiental

Os empreendedores da Ferrogrão articulam a criação de uma fundação para gerir as medidas que serão adotadas para compensar o impacto da obra sobre o meio ambiente e as comunidades locais. Ela atuará não só nas ações diretamente ligadas à ferrovia. Poderá também atender a outros projetos do tipo em toda a bacia do rio Tapajós que tenham interesse.

“Não cabe mais no Brasil o setor privado acreditar que compliance (boas práticas de governança) das obrigações legais e de compromissos definidos pelo licenciamento socioambiental se resolve alocando recursos financeiros e esperando que tudo fique resolvido sem o real envolvimento das populações impactadas”, disse o presidente da Estação da Luz Participações (EDLP), Guilherme Quintella.

A ferrovia afeta dois elementos que têm alimentado críticas ao agronegócio brasileiro mundo afora: o meio ambiente e os indígenas. O trajeto da linha em si não tem empecilhos legais, mas ela pode afetar comunidades e reservas naturais próximas. A ferrovia vai passar no meio do Parque Nacional Jamanxim, que hoje já é cortado pela BR-163. A rodovia já existia na época da demarcação. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 

 

Fonte: EM

 







Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

ADS NEWS 5

Veja também em Agronegocios / Pecuária


Viveiro Cidadão e projetos patrocinados pela Petrobras promoverão plantio simbólico em todo o Brasil nesta quinta (21)
Essa iniciativa faz parte de uma ação em conjunto que é resultado da integração de projetos patrocinados pela Petrobras.....


Piscicultura em tanques-rede: alternativa inteligente
Na concepção de alguns políticos de Rondônia — que sempre prestaram grandes desserviços a população — o adágio popular “quando uma coisa é repetida à exaustão...


Piscicultura brasileira produziu 722.560 toneladas em 2018
A tilápia é a mais importante espécie de peixes cultivados do Brasil. Segundo levantamento exclusivo da Peixe BR, a espécie teve crescimento de 11,9% em relação ao ano anterior (2017)...


Embrapa realiza Dia de Campo de Soja em Porto Velho nesta terça (19)
São apresentadas informações sobre cultivares de soja, manejo da cultura, boas práticas de produção, Sistema Plantio Direto e Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF). ...

 




 
 
 
 
EMRONDONIA.COM

Tereré News