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A COBRA GRANDE DE SANTO ANTÔNIO EM RONDÔNIA
Publicado Domingo, 24 de Abril de 2011, às | Fonte ABNAEL MACHADO DE LIMA
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A COBRA GRANDE DE SANTO ANTÔNIO EM RONDÔNIA

 
O Rio Madeira é habitado por cobras gigantescas, as boiúnas, as sucuris e as jibóias, estas últimas após um longo ciclo de vida na floresta, mudam-se para os rios e lagos meios aquáticos que lhes propiciem maiores facilidades de locomoção e meio de subsistência. As gigantes do Madeira, só perdem em tamanho e espessura, para suas parentes do Rio Guaporé, em decorrência deste ser extensão do Pantanal de Mato Grosso, repleto de meandros, baias e lagos, recoberto por vegetação fluvial os tairopes e colchas, com trechos de seu curso, com grande profundidade, sobre insondáveis e tenebrosos abismos resquícios do fundo de um mar que ali existiu. natureza propícia ao desenvolvimento de ofídios e de outros monstros de tamanhos descomunais.

A identificação da qual das narrações pertence, fica por conta da imaginação do internauta.
A identificação da qual das narrações pertence, fica por conta da imaginação do internauta.

Há várias narrações sobre encontros e mistérios relativos às sucuris do Rio Madeira, tais como:

A do relatório da expedição encarregada de oficialmente descobrir o Rio Madeira, o percorrendo de sua foz à sua formação, chefiada pelo Sargento Mor Francisco de Melo Palheta, em 1723. Anteriormente, em 1560 Nulfo do Chavez, saindo de Santa Cruz, no Peru, atual república da Bolívia, desceu o Rio Mamoré até a foz, confluência com Rio Beni, formadores do Rio Caiari (Madeira), por esse prosseguindo, até a sua foz na margem direita do Rio Amazonas, o descendo até o seu encontro com o Oceano Atlântico. Antônio Raposo Tavares, em 1.650 percorreu o Rio Madeira, em rota idêntica a seguida por Nulfo Chavez, porém sem tomarem posse. Cabendo os louros de ser o descobridor do Rio Madeira, o Francisco de Melo Palheta, a qual relata haver visto duas descomunais cobras, uma nas proximidades de foz do Rio Jamari e outra acima de Cachoeira dos Macacos, as quais teriam uns vinte (20) metros de comprimento e uns 4 a 5 metros de espessura. Ele considerou um milagre de Nossa Senhora do Carmo, a protetora da expedição, não terem sido atacados pela boiúnas.

O engenheiro da empresa P&T Collins, Carles Hayden, conta que no final da tarde do rio 28 de março de 1878, na margem do Rio Madeira próximo a cachoeira dos Macacos, ele, outros engenheiros e trabalhadores, retornavam ao acompanhamento, atravessando um chavasca, se atolando na lama até a metade dos canos das botas, se depararam com uma grande sucuri, a qual partiu para o ataque. Eles tinha como armas, penas um espingarda e os revolves individuais, iniciaram o tiroteio, mesmo ferida continuava avançar, e eles a recuar, até um projétil a atingiu na cabeça, ela parou o ataque se retorcendo quebrando e arrancando os arbustos próximos e espirrando lama em todas direções. Eles continuavam a atirar. Foi longa sua agonia até morrer. Media sete metros e meio (7,5m) de comprimento e uns 0,65m de espessura.

O Jornal Alto Madeira, na edição de 28 de outubro de 1917, estampava como manchete da primeira página “Mais um infeliz Desaparecimento no Insondável Poção”. Noticiava o misterioso desaparecimento do Joquista Francisco Miranda da guarnição do navio “Belém”, ancorado no cais improvisado do casco do navio Ariapuanã, fundeado na porção mais profunda de um sinistro poção moradia de uma monstruosa cobra sucuri, tida como a causadora do desaparecimento de diversas pessoas ali caídas, cujos cadáveres jamais flutuaram, bem como os de muitos dos quais se aventuravam pescar a noite, de cima do cais, como fazia o Francisco Miranda, na noite de 26 para 27 de outubro, cujas buscas foram infrutífera, concluindo-se que certamente, o infortunado, foi engolido pela descomunal anaconda.

Conforme o folclore amazônico acreditado como verídico, por seus habitantes nativos, Cobra grande é a senhora das águas e da floresta. Tudo e todos que nelas habitam, curvam-se aos seus caprichos. Ela é dona dos lagos, dos pântanos e dos remansos silenci¬osos e serenos dos rios. Neles, pescam e vive quem ela permite.

Quando se sente entediada do local onde mora, muda-se provocando cataclismo. Sua locomoção é acompanhada por trovões, relâmpagos, trombas d´água, tremores de terra e desmo¬ronamentos. Se a mudança é de um lago do interior da floresta para um rio, em seu caminho nada fica em pé, os cipoais são arrastados, as arvores tombadas, barracas arrasadas e, no sulco de seu rastro, surge um novo igarapé.

Ela é intocável. Se algum temerário a mata, a desgraça cai sobre ele e o local onde vive; se é um lago este seca, se é um reman¬so os peixes se afastam, os barracos desabam, formando corredei¬ras, se é um alagado, as águas evaporam-se e os peixes morrem. O criminoso fica panema, jamais consegue matar uma caça ou pescar um peixe. Por isso reina sem ser molestada, é temida e respeitada. Pode ser uma cobra comum ou um encan¬tado, isso é, pessoa que foi seduzida por botos ou iaras e levada para o fundo das águas.

Quando querem ver o mundo, tomam a forma de gigantes¬ca cobras que passeiam à tona d´água/ cujos olhos, na escuridão, imitam focos de luz iguais aos faróis dos automóveis ou toma a forma de um navio todo iluminado, que desaparece momentane¬amente e reaparece mais adiante, enganando os incautos.

A Cobra Grande gosta de se divertir à custa do medo das pessoas. Às vezes, emerge sob o casco de uma embarcação, sus¬pendendo-a perigosamente, não lhe permitindo navegar, ou vira uma canoa para gozar do apavoramento dos seus ocupantes. Também é comum transformar-se em ilha ambulante ou em tora de madeira, assustando quem se aproxima.

Quando está muito velha, é de tamanho descomunal, deixa de se locomover, passando a ser alimentada pelas cobras de menor tamanhos, suas vassalas, que caçam para sustentá-la.

Há uma Cobra Grande morando acima da cachoeira de Santo Antônio, bastante conhecida dos pescadores e ribeirinhos ali residentes, por ser cega de um olho, visto que quando emerge das profundezas das águas, na escuridão da noite/ só emite um foco de luz fosforescente de um dos seus olhos, como também, por haver engolido alguns deles que se aventuraram a pescar a noite sozinhos.

Como ocorreu com um rapaz, morador local apesar das advertências e em especial por ser Sexta Feira Santa, foi pescar a noite. Ouviram seus gritos pedindo socorro, porém não puderam acudi-lo, pois poderiam também serem penalizados por desrespeitarem os mandamentos sagrados da Santa Igreja Católica.

No porto da Vila de Calama tem um poção, no qual mora um casal de Cobras Grandes, anualmente quando se acasalam agitam as águas do rio e provocam abalos sísmicos, causando rachaduras e desmoronamento do barranco, pondo em risco de desabamento as construções residências e comerciais localizadas próximas à margem do rio.

Para evitar o desabamento de suas casas, com o desmoro¬namento do barranco causado pelo namoro das sucuris, os mora¬dores jogam cacos de vidros no poção cessando seus arroubos sexuais e o banzeiro de impetuosas ondas abalando a margem do rio.

O Prefeito Camurça deslocou o seu secretario Ramires à Calama para verificar a veracidade e gravidade da ocorrência, e indicar alternativas de solução para área de risco, tranqüilizando os calamaenses.

ABNAEL MACHADO DE LIMA
Ex-professor de História da Amazônia na Universidade Federal do Pará
Membro da Academia de Letras de Rondônia


 
 
 


 
 

 




 





 
 
 
 
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