Rondônia, sábado, 31 de julho de 2010
No jornalismo on line há bem mais dúvidas do que certezas DEIXE SEUS COMENTÁRIOS SOBRE ESTÁ NOTÍCIA
3/2/2010 - 09:51 - ( Nacional )

Muitos se perguntam qual é o papel do jornalismo – e do próprio jornalista – diante da grande demanda tecnológica que toma conta do nosso cotidiano. Também roda por aí a dúvida se o jornal impresso sobreviverá ao enfrentamento com os meios tecnológicos e digitais. Estas e outras indagações oportunas afloraram naquele que é considerado o maior fórum do gênero na América Latina, o 3º MediaOn – Seminário Internacional de Jornalismo On Line, organizado no final do ano passado, em São Paulo. Um tema onipresente nos debates do evento foi a crescente participação do público nas chamadas mídias sociais. A Internet não apenas alterou a forma com as pessoas consomem informação, mas também ampliou as possibilidades de conexão entre o leitor e o jornalista, que mais do que relatar precisa agora repensar a forma como ele interage com o público. Outro fato que veio à tona no evento foi a velocidade da produção de dados. Sites de relacionamento como MSN e o Orkut, os blogs, e mais recentemente o Twitter mostram que é possível gerar informação de qualidade o tempo todo e de forma muito rápida. “Para se adaptar a este mundo, o jornalista deve agir sem arrogância, encarar o leitor na primeira pessoa e aprender a dizer isso eu não sei “, sustentou na abertura do evento Joshua Benton do Nieman Journalism Lab, da Universidade de Harvard.

Outra questão que se interpôs nas discussões foi se os jornais devem ou não cobrar pela informações nos sites dos veículos, através de celulares o ou blogs.  Boa parte dos grandes jornais e revistas brasileiros já adotaram a estratégia de cobrar o acesso ao conteúdo completo das matérias. O próprio New York Times, um dos periódicos mais influentes do mundo, confirmou no último dia 20 de janeiro que voltará a cobrar pelo acesso ao conteúdo de seu site (www.nytimes.com).  "A partir de 2011, visitantes do site terão direito a um número definido de artigos que poderão ser acessados de graça. Depois, será cobrada uma taxa única para o acesso ilimitado", informou a companhia em comunicado à Imprensa.

Outro tema bastante abordado foi a sobrevivência da mídia em papel. Há quem defenda o fim desta plataforma simplesmente e há aqueles que vão mais longe, dizendo que a Internet deverá agregar não apenas os veículos impressos, mas também a TV e o rádio. Mas esta não foi a opinião dos debatedores presentes ao 3º MediaOn . Também não é o que pensam dois jornalistas rondonienses consultados para esta reportagem. Kátia Fernanda, diretora  da TV Nazaré – Canal 25, em Ji-Paraná, e apresentadora do telejornal “Amazônia Notícia”, entende que o jornal impresso ainda tem vida longa. “O jornalismo impresso não vai acabar nunca. Muitas pessoas utilizam os jornais, revistas como arquivo documental”, declara. Ronivaldo Moreira, editor-chefe do site Gazeta Central (www.gazetacentral.com.br), que está no ar há 1,5 ano e cuja redação está na cidade de Ouro Preto do Oeste, diz que o impresso já esteve ameaçado em várias ocasiões históricas. “A morte do jornal já foi decretada outras duas vezes com a chegada dos ‘vilões’, o rádio e a TV. Porém, o papel que dizem aceitar tudo, parece também resistir a tudo”, frisa. Certamente caberá aos jornais uma reformulação em seu modelo de negócios e um dos caminhos apontados no seminário em São Paulo talvez seja ele deixar de ser um veículo produzido em massa para se dirigir públicos mais focados ou especializados.

Para os dois jornalistas, a interatividade e a agilidade são características da internet que remodelaram o conceito de notícia.”Quando a gente fala de mídia eletrônica, o próprio nome já traduz a velocidade das informações. A internet permite que, em alguns segundos, uma notícia seja transmitida para o mundo todo”, defende Kátia. “Que outro canal de informação oferece essa interação imediata, que não a internet”, questiona Ronivaldo. Para ele, a web permite a comparação instantânea de informações, dá ao internauta uma sensação de um mundo sem fronteiras e faz nascer no cidadão o prazer de pertencer a um grupo capaz de dar informações e publicar suas próprias opiniões.

A discussão esta aí colocada e há muito mais a discutir do que o espaço físico desta página permite. Comentários dos leitores podem ser encaminhados para o e-mail folhadigital@folhaderondônia.com.br e a íntegra da entrevista dos dois jornalistas consultados está à a seguir.

 

Íntegra da entrevista com a jornalista Kátia Fernando

 

1)      Em que medida o jornalismo on line alterou a forma como os cidadãos se relacionam com a mídia?

Alterou de forma considerável, pois o jornalismo on line possibilita que internauta façam seus comentários sobre a reportagem. 


2) Na sua opinião, qual o futuro do jornalismo impresso?

O jornalismo impresso não acaba nunca, muitas pessoas utilizam os jornais e revistas como arquivo documental. Em alguns casos, legalmente falando, o jornalismo on line não tem o mesmo valor jurídico, principalmente pelo seu dinamismo na alteração das informações.


3) Por que a mídia eletrônica, em especial a internet, atrai tanto a atenção dos mais jovens?

Quando a gente fala mídia eletrônica o próprio nome já traduz a velocidade das informações. A internet permite em que alguns segundos uma notícia seja transmitida para o mundo todo. Sem contar que o jovem, ao mesmo tempo que está lendo uma informação, tem a possibilidade de acessar vários sites.

 


4) A TV ainda é uma grande concorrente da internet na sua opinião?

A internet e o jornalismo televisivo atualmente andam juntos, ou seja um complementa o outro. Considerando o tempo restrito da televisão o mesmo assunto pode ser tratado na internet de forma detalhada e prolongada, além do mais, muitos assuntos abordados na televisão continuam sendo tratados na internet com a participação dos internautas, onde eles discutem, questionam e muitas vezes tiram dúvidas sobre determinados assuntos que na TV não seria possível. 


5) A TV também ajudaria os cidadãos a "fugirem" do impresso uma vez que ela antecipa as informações que vão sair nos jornais do dia seguinte?

Cada mídia tem seu público específico, por exemplo, quem não sabe ler com certeza estará assistindo a televisão ou escutando ao rádio. Mas existem pessoas que não trocam o jornal impresso por outro tipo de mídia, pois o mesmo abrange muitas áreas do conhecimento.  

 

 

 Íntegra da entrevista com o jornalista Ronivaldo Moreira

 

1) Em que medida o jornalismo on line alterou a forma como os cidadãos se relacionam com a mídia?

Para avaliar estas mudanças é necessário entendermos como a internet de uma forma mais ampla alterou o comportamento das pessoas introduzindo uma nova linguagem, derrubando as fronteiras e, em se tratando de informação, destacando-se pela interatividade quase imediata entre o internauta e as salas de redação. Isto sim, em minha opinião, alterou a forma dos cidadãos se relacionarem com a imprensa. Por meio dos canais  de denúncia, comentários da notícia, chat´s e mural de recados, o internauta é quem assume o posto de  comentarista ou cronista de determinada notícia, ele é quem emite a opinião. Com esta interação o jornalismo on-line cria um vinculo muito forte com o internauta e nós, os editores, podemos mensurar quase que de imediato o impacto da informação ou de determinados temas abordados.

2) Na sua opinião, qual o futuro do jornalismo impresso?

Sobre o futuro do jornal impresso é difícil determinar. A morte do jornal impresso já foi decretada outras duas vezes com a chegada dos “vilões” rádio e TV. Porém o papel que dizem aceitar tudo, parece também resistir a tudo. Com a chegada da internet e do jornalismo on-line existem três fatores que gostaria de enumerar como sendo fortes ameaças ao jornalismo impresso: 1) CUSTO – No jornalismo on-line os custos de manutenção e veiculação  são muito mais reduzidos e o que seria gasto com papel, tinta e logística pode ser revertido em investimento na equipe, em material humano; 2) SUPERFICIALIDADE – Com equipes reduzidas, digo isto em relação à nossa região, é muito comum ver no jornal impresso a mesma matéria divulgada nos sites há 18 ou 20 horas atrás. Se a chegada da internet por si só, já dava ao impresso a característica de uma informação velha, não pode este abrir mão de sua principal arma – a profundidade da notícia – para manter sua audiência; 3) COMODIDADE – Poderia acrescentar aqui a palavra modismo. Se o executivo de antigamente era caracterizado em Hollywood por um terno escuro, camisa clara, uma mesa de café da manhã e um jornal impresso nas mãos, hoje a mesa de café da manhã pode ser substituída pela cama, a sala de estar ou o interior de uma limusine, desde que o bom laptop esteja sempre à mão. Hoje o jornalismo on-line reúne todas as mídias existentes – escrita, falada e televisada. Na minha opinião estes são os principais aguilhões da informação on-line que poderiam suprimir o resistente jornal impresso.

3) Por que a mídia eletrônica, em especial a internet, atrai tanto a atenção dos mais jovens?

É peculiar do juventude a característica de questionar. Qual outro canal de informação oferece esta interação imediata, que não a internet. A possibilidade de comparar instantaneamente as informações, a sensação de um mundo sem fronteiras e o prazer de pertencer ao grupo emitindo opiniões e sendo parte da própria informação. Acredito que estes são os principais ingredientes desta receita de sedução e fidelização.

4) Há algum caso na Gazeta Central que ilustre a tese de que as pessoas estão deixando de ler matérias impressas.

Na cidade de Ouro Preto do Oeste não há jornal de circulação diária, digo, da própria cidade e com notícias estritamente locais. Também não existe nenhum programa televisivo local. O jornalismo das duas emissoras de Rádio – uma comercial e uma comunitária – são realizados a partir da leitura das noticiais que são veiculadas nos sites. No Gazeta Central, por exemplo, trabalhamos com a notícia em vídeo, texto e áudio. Nossas notícias em áudio são utilizadas no jornalismo das duas emissoras. O que quero comprovar com isto é a importância do jornalismo on-line no fluxo de informações da cidade. Os jornais de circulação estadual são comercializados nas bancas, porém, alguns deles postam suas matérias na versão on-line antes mesmo do impresso chegar às bancas. Não é difícil deduzir que o jornalismo on-line possua uma audiência maior que o impresso, pelo menos em Ouro Preto do Oeste.

5) Por que a publicação Gazeta Central foi lançada primeiramente na internet

A primeira grande justificativa são os custos. Se no impresso teríamos gastos com a impressão, logística, e na distribuição no on-line os únicos custos que temos é com a hospedagem e domínio. Outro motivo é que idealizamos um veículo não alienado e o único que poderíamos manter com nossas próprias economias era o on-line. Entre ter um impresso com uma linha editorial alienada – um sério risco que corríamos – e um on-line independente, optamos pela segunda opção. Sei que se dissesse isto a oito anos atrás poderia ouvir de muitos que este é o caminho inverso, porém, temos assistido a uma crescente mudança neste conceito onde primeiramente os sites se consolidam no mercado e só depois lançam a versão impressa (revista e jornal).

Fonte : FOLHA DIGITAL    Autor :
 
 
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