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Polícia de Hong Kong cerca universidade e ameaça usar balas reais se for atacada
Polícia de Hong-Kong ameaça usar balas reais, em resposta ao uso de ''armas letais'' pelos manifestantes que dispararam flechas. Forças policiais cercam Universidade de Hong Kong para retirar pessoas.
Publicado Domingo, 17 de Novembro de 2019, às 18:15 | Fonte Observador 0
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AFP via Getty Images

Há quase seis anos que os manifestantes saem às ruas de Hong Kong.

 


A polícia de Hong Kong cercou a Universidade Politécnica do território este domingo à noite (em Hong Kong são mais oito horas do que em Portugal) ao mesmo tempo que lançava o aviso às pessoas que não abandonarem o local vão ter de enfrentar as consequências por estarem a participar num motim.

Esta universidade tornou-se no reduto dos manifestantes contra as autoridades deste território que tem uma autonomia administrativa em relação à China. Hong Kong tem sido abalado por manifestações quase diárias desde que a chefe do Governo tentou fazer passar uma lei que estabelecia a extradição de condenados para a China continental. Esta proposta foi retirada, mas os protestos têm subido de tom contra Carrie Lam, que tem o apoio do Presidente chinês, contra a a violência da polícia. Os manifestantes, quase sempre muito jovens, exigem ainda amnistia para os que já foram detidos e a adoção de um sufrágio universal em atos eleitorais.

Forças policiais rodeiam a Universidade Politécnica de Hong Kong

A polícia de Hong Kong ameaçou este domingo usar “munições reais” se continuar a enfrentar manifestantes que usem “armas letais”, no primeiro alerta deste tipo desde o início dos confrontos, há quase seis meses.

“Se eles [os manifestantes] continuarem com ações tão perigosas, não teremos outra escolha senão usar a força de forma mínima, incluindo o uso de munições reais”, disse o porta-voz da polícia, Louis Lau, numa transmissão em vídeo ao vivo na rede social Facebook.

Um polícia foi este domingo atingido numa perna por uma flecha lançada por manifestantes antigovernamentais e pró-democracia, informaram as forças de segurança, que reforçaram a operação no local com um canhão de água.

As forças de segurança publicaram as imagens na rede social Facebook e afirmaram terem sido alvo do arremesso de tijolos, bombas incendiárias e flechas por parte de manifestantes que ainda permanecem junto à Universidade Politécnica de Hong Kong.

A polícia alertou que as condições se estão “a deteriorar”, condenou a violência dos manifestantes e recomendou à população que não se dirija para o local, sublinhando que a ação dos jovens está a colocar em perigo a vida das pessoas. Depois de mais um dia de grande violência, a polícia cercou os manifestantes dentro da universidade já este domingo e levou a cabo uma série de detenções.

Muitos manifestantes retiraram-se para o interior do campus, onde bloquearam entradas e montaram pontos de controlo de acesso.  Os manifestantes, que ocuparam vários campus importantes durante a passada semana, recuaram quase por completo, à exceção de um contingente que permanece na Universidade Politécnica. O mesmo grupo também está a bloquear o acesso a um dos três principais túneis rodoviários que ligam a Ilha de Hong Kong ao resto da cidade.

Esta manhã a polícia já disparara gás lacrimogéneo contra os manifestantes junto à Universidade Politécnica de Hong Kong, num momento em que a oposição parlamentar critica as forças armadas chinesas que no sábado esteve a retirar escombros das ruas. A polícia antimotim alinhou-se a algumas centenas de metros e disparou várias granadas de gás lacrimogéneo contra os manifestantes, que se abrigavam atrás de uma ‘parede’ de guarda-chuvas.

Também a noite de sábado tinha já sido marcada por intensos confrontos, em que os dois lados trocaram bombas de gás lacrimogéneo e bombas incendiárias que deixaram focos de incêndio na rua.

A contestação social foi desencadeada pela apresentação de uma proposta de alteração à lei da extradição, que permitiria ao Governo e aos tribunais da região administrativa especial a extradição de suspeitos de crimes para jurisdições sem acordos prévios, como é o caso da China continental.

A proposta foi, entretanto, formalmente retirada, mas as manifestações generalizaram-se e reivindicam agora a implementação do sufrágio universal no território, a demissão da atual chefe do Governo, Carrie Lam, uma investigação independente à violência policial e a libertação dos detidos ao longo dos protestos.

 





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