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Rui Rio falou alemão, o alemão elogiou a austeridade e Cristas preferia outro candidato
O presidente do PSD citou Durão Barroso no primeiro discurso num Congresso do PPE. O primeiro dia dos líderes do centro-direita ficou marcado por um frente-a-frente entre os dois candidatos a candidatos à presidência da Comissão Europeia. Manfred Weber (na foto) parece estar em vantagem em relação a Alexander Stubb
Publicado Quinta-Feira, 8 de Novembro de 2018, às 05:19 | Fonte Expresso 0
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JUSSI NUKARI/GETTY

Manfred Weber, o candidato preferido de Rui Rio


O primeiro grande aplauso na sala foi para o alemão Manfred Weber, quando este fez a apologia das políticas de rigor e austeridade levadas a cabo pelos governos da família de centro direita durante a crise económica.

"Desculpem mas fizemos um bom trabalho. Foi o Enda Kenny (na Irlanda), o Passos Coelho em Portugal, foi Mariano Rajoy (em Espanha), foi o Anastassiadis em Chipre e foi o Samaras na Grécia", disse perante uma plateia cheia. Na primeira fila, estava o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, que há quatro anos estava no mesmo lugar que Weber, disputando o apoio do PPE às eleições europeias.

"Em 2014 fizemos campanha numa atmosfera de cortes, de reformas e programas de assistência, alguns chamaram-lhe política de austeridade", lembrou, sublinhando o que considerou ser "uma luta difícil", mas que permitiu criar "30 mil novos postos de trabalho. "Nós conseguimos caros amigos. O PPE conseguiu trazer a Europa de volta para o caminho do crescimento", rematou e as palmas ecoaram na sala.

O eurodeputado alemão, que é há quatro anos líder do grupo do PPE no Parlamento Europeu - em que têm assento PSD e CDS - é o favorito na corrida interna a cabeça de lista do Partido Popular Europeu às eleições de maio. Conta com o apoio da chanceler alemã Angela Merkel, que só chegou ao Congresso em Helsínquia para o jantar, já depois do debate entre Weber e o finlandês Alexander Stubb.

O ex-primeiro-ministro da Finlândia também está disposto a ser o próximo presidente da Comissão Europeia, mas falta-lhe o apoio dos chefes de Estado e de Governo do PPE que estão todos com Merkel e Weber. Seria uma grande surpresa se esta quinta-feira, durante a votação secreta, conseguisse uma maioria de apoios entre os 758 delegados de meia centena de partidos de centro-direita, incluindo PSD e CDS.

RIO COM WEBER, CRISTAS CONTINUA INDECISA
Rui Rio alinha com Merkel e vota em Weber. Não porque desgoste de Alexander Stubb, a quem também reconhece competências para ser presidente da Comissão Europeia, mas porque diz haver uma maior proximidade com o alemão. "Tem umas características de diálogo que são fundamentais para a Europa, no diálogo norte-sul. É um homem que tende a fazer consensos, que tende a fazer pontes", disse aos jornalistas portugueses à entrada para o Congresso.

O Presidente do PSD acredita que o eurodeputado da Baviera poderá "talvez" ser mais amigo de Portugal. Já Assunção Cristas continua sem se decidir por um dos candidatos. O CDS gostaria de ter como candidato o francês Michael Barnier. Mas o atual chefe europeu das negociações do Brexit acabou por não entrar na corrida pelo apoio do PPE. Em 2014 avançou e perdeu para Jean-Claude Juncker

"Qualquer um deles tem as competências necessárias, o conhecimento e a experiência política necessários para serem bons presidente da Comissão Europeia", admite a líder do CDS, sem arriscar fazer uma escolha. Esta quarta-feira de manhã, a presidente dos centristas empurrava a decisão para depois do debate que aconteceu ao final da tarde. Mas ao final da noite continuava sem anunciar a preferência.

RIO FALA ALEMÃO E CITA DURÃO
No primeiro Congresso de Rui Rio como presidente do PSD, o líder social democrata escolheu falar em alemão nos quatro minutos que lhe atribuíram para discursar - a outra opção seria falar em francês ou inglês, uma vez que o português não é língua de trabalho.

No tempo, que foi curto, Rio sublinhou o compromisso do PSD enquanto "partido pró-europeu", defendendo que "é e vai ser sempre um partido português que representa uma política financeira séria e equilibrada". Falou da necessidade de contas públicas saudáveis em todos os países e apelou ao aprofundamento da União Económica e Monetária. Neste ponto, esteve em linha com o que defende também o Governo, quanto à necessidade de se concluir a União Bancária e avançar com uma Garantia Comum de Depósitos, que defenda de igual forma todos os depositantes europeus.

Falou ainda do desafio das migrações, da importância de uma política europeia de segurança e defesa e rematou o discurso a citar Durão Barroso. "Chegou o momento da verdade para a Europa, ou nadamos todos juntos ou nos afogamos todos juntos", desafiou.

CRISTAS EM DEBATE SOBRE EMPREGO
Assunção Cristas não teve espaço no alinhamento de discursos dos líderes do PPE que estão na oposição. Mas foi oradora num debate sobre crescimento e emprego. A presidente dos centristas diz que o CDS tem um contributo a dar ao debate sobre a transição para era digital.

"Como é que nós num mundo muito novo e muito disruptivo conseguimos manter e criar empregos, ter uma rede de proteção para os que dificilmente se poderão adaptar às novas realidades", explicou, num discurso que a aproxima de Alexander Stubb. O ex-primeiro-ministro e ex-ministro das Finanças da Finlândia, que é atualmente vice-presidente do Banco Europeu de Investimento, aponta ao digital como prioridade da próxima Comissão Europeia.

"Precisamos de um novo projeto económico e acho que isso estará ligado à revolução digital", defendeu no debate com Manfred Weber, numa apologia da robotização, da inteligência artificial, de mais investimento em inovação. Sem rodeios, deixa também um alerta sobre como contornar a ameaça aos postos de trabalho num futuro dominado pelo digital.

"A minha vida e a do Weber será feita em três fases: estudar, trabalhar e reformar. Para os meus filhos, que têm 14 e 17 anos, vai ser estudar e trabalhar, estudar outra vez e continuar a trabalhar e encontrar novas competências", diz, para rematar: "é preciso falar disto abertamente".

 





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