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Doações de fósseis de animais gigantes
Museu da Memória cataloga e aceita doações de fósseis de animais gigantes recolhidos de garimpos no rio Madeira
Dia a dia, a pequena equipe do Museu da Memória cataloga 82 fósseis encontrados e recolhidos ao longo de antigos garimpos de ouro do rio Madeira desde os anos 1980.
Publicado Quinta-Feira, 14 de Junho de 2018, às 05:41 | Fonte Secom - Governo de RO 0
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Diretora do Museu da Memória, Ednair Rodrigues mostra crânio de mastodonte, o primeiro localizado na Amazônia Brasileira

 

Dia a dia, a pequena equipe do Museu da Memória cataloga 82 fósseis encontrados e recolhidos ao longo de antigos garimpos de ouro do rio Madeira desde os anos 1980.

“Esperamos concluir nosso trabalho até o final do ano, para posterior exposição”, previu a diretora do Museu, Ednair Rodrigues.

Essa megafauna têm idade presumível de 40 a 45 mil anos, documentaram geólogos da Agência Brasileira de Mineração (ABM), ex-Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM). Os estudos podem durar anos, já que irão constatar hábitos alimentares, peso [alguns, até 4 toneladas] e a paisagem na qual essa fauna vivia

Administrado pela Fundação Cultural do Estado de Rondônia (Funcer), o Museu da Memória vem sendo frequentemente visitado por alunos de diversas escolas de Porto Velho.

Em fase de instalação, o banco de dados do Museu inclui identificação prévia, estudos aprofundados após limpeza da peça. “Isso é essencial para que se evidenciem as características desses gigantes e nos indicará se as mesmas espécies também teriam habitado outras regiões brasileiras”.

“O fim das atividades garimpeiras nas balsas e dragas ocorreu na fase dos garimpos de sequeiro, nos chamados paleoleitos (*)”, explicou a diretora.

Mesmo com o fim do garimpo de Araras, estima-se que demore longo tempo até que se dê a recuperação plena da flora de fundo e dos peixes que, por acaso, tenham sofrido efeitos teratogênicos [anomalias e malformações ligadas a uma perturbação do desenvolvimento embrionário ou fetal], ou mutagênicos [que pode causar mutação].

O crânio de um mastodonte identificado pela mandíbula e pela dentição é do primeiro adulto encontrado na Amazônia Brasileira. Até então, os únicos registros foram do Estado do Acre, mesmo assim, apenas de fragmentos.

“Nós o identificamos pela mandíbula e pela dentição; já o preguiça gigante, pelas características cranianas”, explicou a diretora.

A maior parte dos fósseis encontrados é de ossos longos [fêmur, por exemplo], crânios e dentes, os que mais chamaram a atenção dos garimpeiros. Há também alguns fragmentos de costelas de mamíferos.

O Museu está catalogando tudo. No primeiro levantamento, conseguiu identificar três espécies: mastodonte, preguiça gigante e toxodonte [“dente de flecha”]. Esta última habitou a Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia e Brasil entre o final do Plioceno (**) e período recente. “Animais herbívoros e semiaquáticos”, sublinhou Ednair Rodrigues.

PLATENSIS

Comparado ao tamanho de um rinoceronte, o toxodonte também ficou conhecido por platensis, provavelmente relacionado à região de Plata, na Argentina. Seus fósseis já foram encontrados em associação com pontas de flechas. O fim da espécie seria consequência de caçadas praticadas pelos primeiros indígenas da América do Sul.

 

 


Museu ainda estudará peso e hábitos alimentares de animais gigantes

 

 

Ele foi o último representante de um grupo de mamíferos com cascos exclusivo da América do Sul, os notoungulados. O crânio tinha 70 cm de comprimento e a dentição era característica de animais de pasto.

Devido às rochas duras no rio Madeira, a preservação é raríssima, explicou Ednair. “Essas rochas não favoreceriam o trabalho, mas contrapondo à preservação científica, foi possível manter essas características extraordinárias”.

Nesse rio houve preservação de partes moles [pele, cérebro e tegumentos]. “Elas são as mais difíceis de preservar por causa do rápido processo de decomposição, mas também podem ser encontradas”, explicou Ednair.

ARARA E PERIQUITOS 

Das cavas dos garimpos de Araras [margem direita do rio Madeira, no Km 40 da BR-425, em Nova Mamoré] e Periquitos, o desmonte feito com bomba hidráulica possibilitou o recolhimento da maior parte do atual acervo organizado pelo Museu da Memória.

O Museu já catalogou 55 peças, entretanto, eles só serão expostos após a limpeza que será feita com martelo e talhadeira em camas de areia com sacos de algodão.

Segundo Ednair, existem técnicas mais sofisticadas, entre as quais, o uso do martelo percursor e do vibrator dremel, de alta velocidade e rotação, semelhante à broca do dentista.

Crateras abertas por esse desmonte comprometeram parte da rodovia que vai até Guajará Mirim. Nas áreas esburacadas apareceram fósseis de mastodontes e tatu-gigante, entre outros. Destruída parte da bacia, os fósseis foram contrabandeados ou dados como souvenirs.

LIVRO DE REGISTRO

Felizmente, para sorte de Rondônia e de seus estudantes de paleontologia, já é possível algum resgate.

Geólogos da ABM receberam e armazenaram por mais de 30 anos a herança deixada pelos garimpos, lembrou a diretora. Mas não foi só isso, ela conta: “Temos recebido ligações telefônicas de pessoas dispostas a doar peças que guardaram em casa”. Geralmente, são garimpeiras ou parentes.

Um livro de registro encontra-se à disposição de famílias doadoras. Nele constará o nome do doador.

(*) Referente a paleolítico [pedra, pedra antiga], ou Idade da Pedra Lascada, período da pré-história que começou há cerca de 2,5 milhões de anos, quando os antepassados do Homem começaram a produzir os primeiros artefatos em pedra lascada, destacando-se de todos os outros animais. A Era durou até cerca de 10 mil a.C., quando houve a chamada Revolução Neolítica, em que a agricultura passou a ser cultivada, tornando o homem não mais dependente apenas da coleta e da caça.

(**) Última época do antigo período Terciário (atual Neogeno) da era Cenozoica. Está compreendido entre cinco e dois milhões de anos.

► A equipe de catalogação dos fósseis é formada pela diretora do Museu da Memória, paleontóloga Ednair Rodrigues, e pelas acadêmicas de biologia da Universidade Federal de Rondônia, Cleci Vebra e Juliana Lopes.

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Fonte
Texto: Montezuma Cruz
Fotos: Frank Néry
Secom - Governo de Rondônia

 





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