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EUA investigam atrocidades cometidas contra rohingya em Myanmar
Publicado Quinta-Feira, 26 de Abril de 2018, às 07:38 | Fonte Expresso 0
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SOE ZEYA TUN/REUTERS

 

Os EUA estão a conduzir um exame intensivo às alegadas atrocidades cometidas contra os muçulmanos rohingya de Myanmar (antiga Birmânia). A investigação, revelada à agência de notícias Reuters, poderá ser usada para condenar militares do país do sudeste asiático por crimes contra a humanidade, incluindo assassínios, violações e espancamentos, entre outras ofensas.

A iniciativa, liderada pelo Departamento de Estado norte-americano, já incluiu a realização de mais de mil entrevistas a homens e mulheres rohingya em campos de refugiados no Bangladesh. O país vizinho foi o destino de cerca de 700 mil rohingya, que fugiram para escapar à repressão militar do ano passado no estado de Rakhine, no noroeste de Myanmar.

O trabalho segue o modelo de uma investigação forense norte-americana às atrocidades em massa ocorridas na região do Darfur, em 2004, que levou a uma declaração de genocídio por parte dos EUA e subsequente aplicação de sanções económicas ao Governo do Sudão. De acordo com funcionários americanos, ouvidos pela Reuters, as entrevistas foram conduzidas em março e abril por cerca de 20 investigadores com formação em direito internacional e justiça criminal, incluindo alguns que trabalharam em tribunais para o Ruanda e para a ex-Jugoslávia.

As informações serão analisadas e sintetizadas num relatório a ser enviado à liderança do Departamento de Estado em maio ou junho. Não está ainda claro se a administração Trump divulgará publicamente as conclusões ou se estas serão usadas para justificar novas sanções a Myanmar ou como recomendação para a instauração de um processo internacional.

Os rohingya são uma minoria muçulmana num país de maioria budista. Embora estejam presentes há gerações no que hoje é Myanmar, muitos cidadãos consideram-nos intrusos. A violência contra os rohingya aumentou nos últimos anos, quando o país fez uma mudança parcial para a democracia.

Em novembro, seguindo o exemplo das Nações Unidas e da União Europeia, o então Secretário de Estado Rex Tillerson declarou que a crise dos rohingya constituía uma "limpeza étnica", designação que abriu a possibilidade de sanções adicionais contra os comandantes militares de Myanmar e aumentou a pressão sobre a líder civil do país, a Prémio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi. O Governo de Myanmar negou sempre as acusações.

 





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