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Saúde
Parteiras resistem com prática milenar principalmente longe dos centros urbanos: ‘dom divino’
Dia Nacional da Parteira Tradicional é celebrado nesta quarta-feira (20).
Publicado Quarta-Feira, 20 de Janeiro de 2021, às 09:35 | Fonte G1/Amapá 0

 
 

Wesley Abreu/Rede Amazônica

Parteira Maria Luiza Dias mostra livro que a auxilia no acompanhamento de mulheres grávidas no Amapá

Fundamental na assistência da saúde de mulheres durante e depois da gravidez, as parteiras ainda resistem com a prática milenar principalmente longe dos centros urbanos, e onde não há assistência médica especializada. Elas atendem em regiões ribeirinhas, áreas rurais, comunidades quilombolas e em aldeias. No Amapá, uma delas, Maria Luiza Dias de 64 anos considera essa uma profissão que é baseada no conhecimento popular, despertada como um dom.

Nesta quarta-feira (20), 113 anos após o nascimento da parteira mais antiga de Macapá, Juliana Magave de Souza, o Brasil celebra o Dia Nacional da Parteira Tradicional. A data foi incluída no calendário em 2015, através da lei nº 13.100.

‘É necessidade’, diz parteira sobre atividade no interior do AP e longe de centro urbano
Há mais de 40 décadas, as mãos de Maria Luiza são responsáveis por orientar as mães, amenizar as dores delas e ajudar a trazer bebês ao mundo. Foi uma prática que, após observar a avó e também a mãe, por um acaso da vida adotou como profissão.

 

O primeiro parto aconteceu no município de Mazagão, aos 18 anos de idade, dentro de uma pequena embarcação no meio do rio, quando ela levava uma grávida para a parteira socorrê-la.

“Ser parteira é um dom divino. Minha avó foi a primeira parteira que eu me lembro. Desde os 8 anos eu já andava com a minha avó. Ela ia fazer o parto e eu andava com a sacola dela, onde ia remédia, tesoura. Assim eu comecei a aprender, com a minha avó”, comentou.

Embora a popularidade tenha diminuído, elas ainda são responsáveis por boa parte dos nascimentos, que seguem um acompanhamento desde o início da gestação até o momento da realização do parto.

“A parteira acompanha desde o início. Na cidade é mais difícil, mas no interior isso acontece. Elas ficam acompanhando, pra elas tomarem as vacinas, pra fazer o pré-natal direitinho, até na hora do parto. […] A parteira na comunidade é uma autoridade. Todo mundo respeita porque é uma ligação muito grande da parteira com a comunidade”, relatou Maria Luiza.
Parteiras tradicionais são referências em comunidades distantes dos centros urbanos — Foto: Reprodução/Rede Globo
Parteiras tradicionais são referências em comunidades distantes dos centros urbanos — Foto: Reprodução/Rede Globo

E na memória ficam marcadas histórias de quando ela foi essencial para o nascimento de bebês. Uma delas aconteceu no Arquipélago do Bailique, distrito a 180 quilômetros de Macapá.

“A grávida chegou do outro lado da ilha, num barquinho que só dava pra atar a rede dela. A criança estava só com o bracinho pra fora. Não conseguiu nascer de jeito nenhum. As parteiras que estavam acompanhando ela já tinham feito de tudo e não conseguiram. Fizemos a manobra até voltar o bracinho e depois vir a cabeça. Aí foi que ele nasceu”, contou.

Raimunda do Rosário teve 6 dos 9 filhos nascidos pelas mãos da própria mãe que era parteira — Foto: Wesley Abreu/Rede Amazônica
Raimunda do Rosário teve 6 dos 9 filhos nascidos pelas mãos da própria mãe que era parteira — Foto: Wesley Abreu/Rede Amazônica

Filha de parteira, Raimunda do Rosário, de 85 anos, teve 9 filhos, sendo que 6 deles nasceram pelas mãos da própria avó, que fazia questão de realizar os partos das filhas, noras e netas. Ela cita que, nos anos 40, 50, a gravidez e o parto não eram assuntos entre os familiares, não havia muita orientação. Por isso, as parteiras se tornaram referência.

“Hoje quem marca o parto é o médico, mas antigamente quem marcava era a parteira. […] Minha mãe fazia meu parto, das minhas irmãs todas. A gente tinha muita coragem por ser ela que fazia o parto. A gente tinha a criança, mas ela ficava era quase um mês cuidando da gente, puxando a barriga, pra desinflamar. Nessa época era difícil uma mãe morrer porque era muito bem cuidada”, recorda Raimunda do Rosário.

Atualmente, bem diferente de antigamente, muitas mulheres preferem um parto realizado em uma unidade hospitalar.

A profissão não é regulamentada no Brasil. Em 2019, um projeto de lei foi apresentado pelo deputado federal Camilo Capiberibe (PSB), do Amapá, no entanto, o texto ainda não foi votado.

Para quem teve o privilégio de ajudar a colocar várias vidas no mundo, a profissão é motivo de grande orgulho.

“A gente fica muito feliz quando faz um parto. É a coisa mais linda que a gente pode imaginar, quando a gente faz um parto, que dá tudo certo. É muito gratificante não só pra nós que estamos ali trabalhando mas também para os pais”, finalizou Maria Luiza.







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