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Situação a bordo do Ocean Viking está a deteriorar-se. “O tempo vai piorar e isso torna mais difícil ver quando alguém se atirar ao mar”
Algumas das pessoas a bordo do navio de resgate Ocean Viking estão a ter alguma dificuldade em lidar com o espaço confinado do navio e com a possibilidade de não virem a desembarcar - ou com a de voltarem para a Líbia, de onde muitos saíram. As situações em que um resgatado tenta atirar-se ao mar ou fazer mal a si mesmo ou a outras pessoas já não são assim tão esporádicas e a organização que gere o barco declarou, pela primeira vez na sua história, situação de emergência a bordo
Publicado Sábado, 4 de Julho de 2020, às 18:54 | Fonte Expresso 0

 
 

NURPHOTO/GETTY

 


Há neste momento 181 pessoas a bordo do navio de resgate de migrantes Ocean Viking. Estão há oito dias no mar porque ainda nenhum porto seguro lhes foi indicado pelas autoridades que tentaram contactar - de Malta e de Itália, em cujas zonas designadas de salvamento estas pessoas foram resgatadas.

Desde que zarpou do porto de Marselha, o Ocean Viking não fez só um salvamento - fez quatro. Cada vez que encontram pessoas no mar, a tripulação continua a trazê-las para bordo mas a situação humanitária está de tal forma complicada que a SOS Mediterranee, que gere o navio, foi obrigada a declarar estado de emergência, a primeira vez que tal acontece na história da organização não governamental. Duas pessoas lançaram-se ao mar e mais três tentaram fazê-lo mas outros sobreviventes foram a tempo de os puxar de novo para dentro do navio. Esta sexta-feira, além de um pedido urgente de desembarque, a equipa requisitou que pelo menos 44 pessoas particularmente agitadas e em perigo de se magoarem a eles mesmos e a aos outros ocupantes do navio fossem levadas para terra.

“Estamos todos muito assustados. Estamos com 180 pessoas extremamente vulneráveis a bordo há muito tempo e temos de as desembarcar. Neste momento é a segurança de todos, resgatados e tripulação, que está em causa”, diz ao Expresso Laurence Bondard, membro da tripulação, numa chamada por Whatsapp a bordo do Ocean Viking.

Atualmente o navio está em águas internacionais a norte de Malta e as condições climatéricas estão a piorar. O nevoeiro é o que mais assusta a tripulação porque, como explica a ativista e responsável pela comunicação externa e recolha de depoimentos das pessoas resgatadas, “com essa bruma, se alguém se atira ao mar, nós podemos não conseguir ver para a ir salvar”. O perigo aumenta quando as pessoas começam a ver terra: “É possível que tenhamos de nos aproximar de terra quando o tempo piorar para nos abrigarmos e aí o risco de que pessoas se atirem para tentar chegar a terra é muito maior”. Na manhã desta sexta-feira, conta ainda Bondard, “um homem tentou enforcar-se”. Os sobreviventes “estão a passar por um stress psicológico enorme, estão muito agitados, são marcas de desestabilização mental aguda”.

O problema passa rapidamente também para a tripulação, que não é capaz de acalmar toda a gente. No Twitter, vários ativistas têm explicado o tipo de exercícios que fazem com as pessoas resgatadas, por exemplo dispô-las em roda e tentar explicar que o barco tem mantimentos e está em contacto com as autoridades, abrir espaços normalmente reservados a mulheres para que toda a gente tenha mais espaço (passando o reduzido número de mulheres neste momento a bordo e que necessitem de resguardo para outros locais no barco) mas nem todos têm tido os resultados desejados, ou apenas resultam durante umas horas, até as pessoas “se lembrarem onde estão e de onde vieram”, diz Bondard.

O Ocean Viking saiu de Marselha a 22 de junho depois de três meses parado por causa da pandemia. Dia 25 recebeu as primeiras 118 pessoas, numa questão de horas: primeiro 51 e depois 67. No dia 30 procederam a mais dois salvamentos: um de 47 pessoas, outro de 16. Há uma semana pediram pela primeira vez um porto seguro a Malta e a Itália, já que as pessoas foram resgatas numa das duas zonas designadas de salvamento de cada país. Até agora as respostas têm sido negativas. Há neste momento 25 menores a bordo, 17 deles não acompanhados. Uma das duas mulheres está grávida de cinco meses.







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