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Washington reforça pressão
Washington reforça pressão sobre Nicolás Maduro
Um plano de redemocratização aliado a uma operação antidroga são vias da administração Trump
Publicado Sábado, 4 de Abril de 2020, às 09:40 | Fonte Expresso 0

 
 

PALÁCIO DE MIRAFLORES/REUTERS

Nicolás Maduro e membros do regime de máscara protetora, em Caracas, a 30 de março de 2020

Um plano de redemocratização aliado a uma operação antidroga são vias da administração Trump para cercar o Presidente venezuelano. Governo de transição excluiria Maduro e Guaidó, que poderiam, no entanto, candidatar-se nas presidenciais seguintes.
A instauração da “maior operação naval antidrogas” no Caribe, a recompensa de 15 milhões de dólares (14 milhões de euros) pela “cabeça” de Nicolás Maduro e a aposta num Governo de salvação nacional sem o atual Presidente, mas também sem Juan Guaidó, constituem a surpreendente agenda dos Estados Unidos da América perante a interminável crise venezuelana.

A pressão política atinge máximos, enquanto a pandemia de covid-19 avança pelo mundo e espreita uma Venezuela derrubada pela revolução como vítima propícia. À hora de publicação deste texto havia 146 casos e cinco mortes no país.

A reviravolta é tão vertiginosa que nem o “Presidente povo” (título que se atribui Maduro), aparafusado ao Palácio de Miraflores, sabe qual será o desenlace desta nova partida política. A proposta apresentada por Washington (que conta com apoio português) comporta prémios que pareciam inatingíveis para o chavismo: cessação das sanções contra os seus dirigentes, fim do embargo petrolífero e ajuda internacional para combater o coronavírus.

Uma ajuda que Guaidó, presidente do Parlamento e autoproclamado Presidente interino da Venezuela — reconhecido por dezenas de países, incluindo Portugal —, estima em 1200 milhões de dólares (1112 milhões de euros) numa primeira etapa, como defende no chamado Plano Vargas, apresentado há uma semana. Este documento serviu como base para a proposta subsequente dos Estados Unidos.

EUA ACEITAM MANTER GENERAIS CHAVISTAS
Tudo isto num cenário radicalmente novo, marcado pelo coronavírus, com a gasolina a faltar no pior momento e as recompensas milionárias do Departamento de Justiça a pairar sobre as cabeças das principais figuras da revolução bolivariana. Diosdado Cabello, número dois do regime, e Tareck El Aissami, vice-presidente económico que tem relações com o Hezbollah, estão avaliados em 10 milhões de dólares (9,3 milhões de euros).

Em contrapartida, sobre a cúpula militar não figura nenhum cartaz de “Procura-se”. A proposta de Washington até prevê que os atuais generais e almirantes se mantenham à frente das forças armadas durante a transição para a democracia.

À espera da posição que vier a tomar a União Europeia, o plano dos Estados Unidos conta com o apoio da Organização de Estados Americanos (OEA), dos principais países da região, da Alemanha, do Reino Unido e de Portugal. O beneplácito luso justifica-se por a proposta poder “constituir um passo decisivo na direção de se alcançar uma solução negociada para a grave crise que se está a estender por esse país”.

A oferta deixa Maduro na pior conjuntura jamais vista: sozinho diante do perigo (ou melhor, com os fiéis, quase todos os da hierarquia revolucionária), frente a um fantasma na forma de transição negociada e governada pelo Conselho de Estado, no qual não participariam o chefe bolivariano nem o Presidente interino Guaidó.

Este novo poder executivo assumiria o comando do país até que a Assembleia Nacional (AN) aprovasse um novo Conselho Nacional Eleitoral (CNE), que poria em marcha o processo para eleger o Presidente e um novo Parlamento. Só uma pessoa, o presidente do Conselho de Estado, estaria inabilitada como candidato presidencial. Maduro e Guaidó não estariam excluídos.

LIBERTAÇÃO DE PRESOS POLÍTICOS
A agenda também não esquece os presos políticos, que seriam “libertados de imediato”, nem os deputados exilados, que regressariam logo que a AN recuperasse todos os seus poderes. Os militares cubanos deveriam sair do país.

Em mais um aperto da tarraxa, o terceiro em apenas cinco dias, a administração Trump anunciou a “maior operação antidrogas do Ocidente”, que irá duplicar o número de navios e helicópteros em águas caribenhas. Washington acusa os cartéis mexicanos e o cartel dos Soles (generais venezuelanos e líderes chavistas) de “se aproveitarem da crise do coronavírus” para multiplicarem as suas remessas de droga para os Estados Unidos. “Os cartéis têm de ser derrotados, tanto pelo povo do México como pelo da Venezuela”, aventou William Barr, procurador-geral dos Estados Unidos.

À ameaça norte-americana Maduro teve reação mista: defensiva perante o mundo e ofensiva no interior. Demóstenes Quijada, um dos principais assessores de Guaidó, foi detido, quinta-feira, pelos serviços de contrainformação militar, juntando-se à vintena de dirigentes da oposição capturados ou perseguidos desde que se decretou a “quarentena radical”.

CHOQUE NAVAL COM LISBOA
“A fúria bolivariana pode chegar a qualquer recanto”, arengou Maduro numa das suas aparições televisivas. A captura de Quijada soma-se a longo rosário de perseguição e hostilidade contra os que rodeiam Guaidó, cujo tio, Juan José Márquez, permanece numa cela minúscula há quase dois meses.

As águas do Caribe já estavam turbulentas antes de os primeiros navios norte-americanos começarem a sulcá-las esta sexta-feira, frente às costas venezuelanas. O último atrito entre a Venezuela e Portugal, após a famosa crise dos pernis de porco, a perseguição dos comerciantes portugueses e a vingança revolucionária contra a companhia aérea TAP, aconteceu nas proximidades da Ilha Tortuga.

Tratou-se do choque entre o navio de cruzeiro “Resolute” e a fragata “Naiguatá”, que acabou por afundar-se. Segundo Maduro, o navio de lazer, de bandeira portuguesa, transportava mercenários com planos para atacar a Venezuela.

A debilidade demonstrada nas águas do Caribe não amedrontou o sucessor de Hugo Chávez: “Vamos dar-lhes uma pequena surpresa”, augurou Maduro, referindo-se aos Estados Unidos.







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