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O custo (quase) invisível do isolamento
O presidente Bolsonaro não é um homem que se possa dizer que seja refinado, nem culto, nem que se destaque por manejar as palavras, enfim, por ser um sofista.
Publicado Quarta-Feira, 25 de Março de 2020, às 09:02 | Fonte Silvio Persivo 0

 
 

O presidente Bolsonaro não é um homem que se possa dizer que seja refinado, nem culto, nem que se destaque por manejar as palavras, enfim, por ser um sofista. Muito ao contrário, o seu estilo seco e grosso é, por assim dizer, um traço de sua personalidade. Seu traquejo na arte da diplomacia deve ser comparado a fineza de um elefante numa casa de louças. Para se eleger, não há como negar, o presidente foi extremamente competente, pois, só dependia dele e de quem estava sob suas ordens. Governar é outra coisa. Exige sim, buscar formas de cooperação, de consenso, até mesmo ceder, o que se considera razoável, em certas horas. Bolsonaro é intransigente, age como se todos tivessem o seu sendo de dever, seus ideais, seus objetivos. Isto, é cristalino, não funciona muito bem numa sociedade, como a brasileira, acostumada aos jeitinhos, aos compadrios, aos acordos de gabinete. Isto não quer dizer que, em muitos aspectos, ele acerte até mesmo quando contraria seus próprios seguidores e grande parte do povo brasileiro.

Agora mesmo o  presidente Jair Bolsonaro está sendo duramente atacado quando tem razão. Ele disse em entrevista à TV Record, na noite de domingo,  que a população descobrirá em breve que foi enganada pelos governadores de Estados e pela imprensa na crise causada pela pandemia do novo coronavírus e voltou a afirmar que existe um exagero nas medidas de combate à Covid-19, doença causada pelo vírus. Bolsonaro está coberto de razão. A forma açodada, com o fechamento apressado dos estabelecimentos, com o esvaziamento das cidades, com restrições ao direito de ir e vir das pessoas, com o extermínio em massa de empresas e empregos é completamente irracional. A explicação é simples: até, agora, quando escrevo, na noite do dia 23, a Itália, que foi o país mais atingido, teve com uma população de 60 milhões de pessoas, e 6.077 mortos, ou seja, 0,01% da população! No mundo todo, para 260.319 casos ativos, um total de 16.491 mortos. São muitas pessoas? São. Mas, como ficará o mundo com uma recessão que ameaça ser muito pior que a de 2008? Quantas pessoas, hoje, apenas no Brasil estão sem condições de ganhar o pão de cada dia? Na verdade o desemprego, a falta de renda, a pobreza está se alastrando mais rápido do que o vírus!!! É racional para uma taxa de letalidade de 1% parar toda a atividade econômica? Quanto não irá se gastar com os problemas mentais, o estresse, a desordem que virá de uma paralisação tão brusca (e quase completa) de nossa economia? Thomas Friedman, um dos colunistas mais influentes do mundo, afirma com razão que “Se essa for a taxa verdadeira, paralisar o mundo todo com implicações financal.  É como um elefante sendo atacado por um gato doméstico. Frustrado e tentando fugir do gato, o elefante acidentalmente pula do penhasco e morre”. São os pobres, os sem emprego, os sem renda e os que ficarão desempregados que pagarão a conta. Fechar os negócios, parar a economia pode ser a forma mais fácil de conter a transmissão do vírus, mas, é o melhor caminho? Pode prejudicar muito mais a sobrevivência, o sustento e a saúde das pessoas, com um custo muito maior de vidas do que se pensa. O objetivo de salvar vidas e evitar o colapso do sistema de saúde é nobre, mas, vale o custo de destruir nossa economia? E, para os que não me conhecem, esclareço que estou no topo do grupo de risco: tenho mais de 70 anos e problemas de respiração, mas, penso, que os neurônios ainda funcionam razoavelmente...







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