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Ciência e Saúde
Pesquisadores norte-americanos desenvolvem vacina contra a herpes genital
Cientistas dos Estados Unidos desenvolveram uma terapia preventiva que demonstrou resultados extremamente positivos ao ser testada em camundongos e...
Publicado Sábado, 19 de Outubro de 2019, às 08:03 | Fonte Correio Braziliense 0

 
 

(foto: Vardo Virgo/CB/D.A. Press)

O herpes genital é a doença sexualmente transmissível mais comum entre a população. Além de causar uma série de incômodos, ela pode até aumentar as chances de contrair o HIV, o vírus da Aids. Para combater essa enfermidade, cientistas norte-americanos desenvolveram uma vacina feita de ácido ribonucleico (RNA). Em testes com ratos, o tratamento preventivo provocou a “imunidade esterilizante”, o tipo mais forte de proteção. A pesquisa foi publicada na revista especializada Science Immunology. Os pesquisadores desenvolveram a metodologia com base em estudos anteriores sobre câncer e imunoterapia.


Apoiados pelas descobertas anteriores, os investigadores criaram a vacina com RNA mensageiro específico (mRNA), que consegue fabricar proteínas necessárias para uma forte resposta imune. “Essa vacina estimula três tipos de anticorpos: um deles impede o vírus do herpes de entrar nas células e outros dois garantem que o mesmo não ‘desligue’ as funções protetoras do sistema imunológico inato”, destacou Harvey Friedman, professor da Universidade da Pensilvânia (EUA) e um dos autores do estudo. “Essa abordagem difere de outras vacinas contra o herpes, que geralmente dependem apenas do bloqueio da entrada do vírus como forma de atacá-lo”, completou Friedman.

Os cientistas aplicaram a vacina em 64 camundongos e os expuseram ao herpes genital. Depois de 28 dias, 63 dos camundongos apresentaram imunidade esterilizante, o que significa que não havia vestígios de infecção ou doença por herpes após a exposição. O único roedor restante desenvolveu infecção dormente sem qualquer doença genital. Em uma segunda etapa, eles também expuseram outros 10 ratos que tinham respostas a infecções por herpes que mais se assemelham às dos humanos, após eles receberem a vacina. Nenhum animal desenvolveu lesões genitais. Apenas dois mostraram pequenas evidências de que estavam infectados, mas a infecção não era de uma forma que os animais pudessem transmitir o vírus.

A equipe de pesquisa acredita que, com esses dados, a vacina se mostra uma terapia promissora, e, dependendo do resultado de testes em humanos a serem feitos futuramente, ela pode ser usada como estratégia de prevenção da doença. “Estamos extremamente encorajados pelo efeito imunizante substancial que a nossa vacina teve nesses modelos de animais. Com base nesses resultados, temos esperança de que esta terapia possa ser traduzida em estudos em humanos para testar a segurança e a eficácia de nossa abordagem”, adiantou o autor do estudo.

Combate necessário
O herpes genital, também chamado de vírus do herpes simplex tipo 2 ou HSV-2, é uma doença sexualmente transmissível que pode causar feridas bastante dolorosas, as quais conseguem se espalhar para outras áreas do corpo. As mulheres grávidas infectadas podem transmitir herpes para o feto, ou mais comumente, para o bebê durante o parto. “Acompanhado dos sintomas físicos, o HSV-2 tem um custo emocional. As pessoas se preocupam com a transmissão da doença e isso certamente pode ter um efeito negativo nos relacionamentos íntimos”, ressaltou Friedman.

Como o herpes é muito disseminado, mas também muitas vezes não é detectado, uma vez que só é visível durante surtos, os pesquisadores afirmam que uma vacina bem-sucedida seria inestimável para muitos adultos em todo o mundo. Leandro Machado, infectologista do Hospital Santa Lúcia, em Brasília, e membro titular da Sociedade Brasileira de Infectologia, acredita que o estudo mostra dados animadores, apesar de ser ainda inicial, por ter sido feito apenas com animais. “Vimos que o sistema imunológico dos ratos foi capaz de gerar defesa. Quando a pessoa tem contato com o herpes, demora um tempo para que o sistema imunológico reaja. Eles conseguiram passar a frente desse tempo e gerar essa imunidade esterilizante, que é realmente a mais eficaz que se pode alcançar, quando o vírus não é nem registrado no organismo”, frisou o especialista, que não participou do estudo.

O médico brasileiro também destaca que, se o mesmo resultado for visto em humanos, a nova terapia pode levar a ganhos de grande importância para a área médica. “O herpes é uma doença sexualmente transmissível que pode causar uma série de problemas, as feridas que surgem podem aumentar o risco de a pessoa contrair o HIV, um fato extremamente perigoso e preocupante. Ter uma alternativa para impedir que essas complicações surjam é algo que pode nos ajudar bastante”, ressaltou.







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