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'Não me envolvo em política', diz brasileiro que foi preso na Venezuela e expulso do país
Publicado Terça-Feira, 9 de Janeiro de 2018, às 09:22 | Fonte Do G1 SC 0
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Brasileiro mora em Los Angeles e diz que foi para Venezuela ajudar crianças (Foto: Facebook/Reprodução)

 

Em uma postagem em uma rede social na madrugada desta segunda (8), o designer gráfico brasileiro Jonatan Diniz, de 31 anos, que ficou preso na Venezuela por 11 dias, disse que não se envolve em política e que participou de protestos 'como observador' em solo venezuelano. O governo da Venezuela diz que o brasileiro presidiria uma ONG de fachada, mas na verdade membro de uma organização criminosa. O brasileiro e a família negam.

“Eu não me envolvo em política, não me envolvo em nenhum desses teatros criados por pessoas ocultas para fazermos acreditar que existe democracia. Eu não sou lado A nem lado B... Eu só não quero ver crianças morrerem por nossa culpa, por o que nós adultos criamos na Terra”, afirmou.

No sábado (6), o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, informou por meio de sua conta no Twitter, que Jonatan foi expulso da Venezuela. A prisão foi anunciada pelo militar e político venezuelano Diosdado Cabello, em seu programa de televisão no dia 27 de dezembro.

No relato, Jonatan não confirma onde está e não informa detalhes sobre a prisão. Ele explica que morou por três meses na Venezuela, entre maio em agosto de 2017, período em que teria conhecido a “situação” do país.

“Os 3 meses que vivi lá, justo nos protestos mais fortes que Venezuela já teve, eu sim fui a muitos protestos (como observador, jamais toquei em uma arma), sim, odiei muito Maduro nesse tempo por todas as bombas lacrimógenas que tive que respirar e sim, vi muita barbaridade tanto de um lado quanto do outro. Quando eu não chorava pela notícia de mais um jovem assassinado que batalhava por liberdade e por um país melhor, eu chorava por ver crianças de 5, 6 anos prepararem bombas molotov para se prepararem para os confrontos”, detalha.

Ele ainda relata que em dezembro voltou à Venezuela para um trabalho social. “O que passou este fim de ano é que decidi ir para Venezuela doar boa parte (a maioria na verdade) do dinheiro que eu tinha e conquistei com muito trabalho digno para iniciar o projeto @timetochangetheearth junto com amigos ao redor do mundo, que nada mais era que doar roupas, comidas, brinquedos e o que necessitasse para quem realmente precisasse. E o mais importante, tentar de alguma maneira mudar a mentalidade das pessoas, tentar encontrar uma maneira de em vez de guerrear, unir as partes para todos lutarem pelo mesmo objetivo”, diz.

Jonatan diz estar bem

“Estou bem e em segurança, reservo meu direito de manter sigilo de onde estou ou para onde vou, espero que compreendam, tenho minha vida pessoal e particular”, disse. Em mensagem ao G1 na manhã de domingo (7), ele já havia dito que não passaria detalhes para sua própria segurança.

Segundo a mãe dele, Renata Diniz, o filho embarcou em um vôo para Miami, “porém este não seria seu destino final. Estão resguardando a integridade dele, por isso não falaram se fica lá ou vem ao Brasil”, disse Renata.

A mãe ainda informou ao G1 que ainda não falou com o filho. “Estamos só recebendo informações do Itamaraty, de que está bem e em segurança”, disse. Já o irmão dele diz que a família fez contato com Jonatan.

"Está bem e feliz por ter sido liberado, pretende continuar na missão de caridade, nos garantiu que só serviu para fortalecer sua convicção de ajudar o próximo", disse Juliano Diniz.

Desde a prisão, o Itamaraty vinha relatando dificuldades para obter do governo venezuelano informações sobre o paradeiro e a situação de Diniz.

O episódio ocorreu poucos dias depois do início de uma crise diplomática entre os dois países. Em dezembro, o governo brasileiro criticou o governo de Nicolás Maduro que, em resposta, expulsou o embaixador brasileiro em Caracas.

Brasileiro vive nos EUA

Jonatan é natural de Ijuí, no Rio Grande do Sul, e vive há pelo menos um ano em Los Angeles, nos Estados Unidos. Antes ele morava em Balneário Camboriú, onde ainda hoje vive sua família.

O irmão de Jonatan, Juliano Diniz, de 34 anos, disse que a família foi informada sobre a prisão por uma amiga do designer gráfico. Em entrevista ao G1 no dia 30 de dezembro, Juliano classificou a acusação de que o irmão seria presidente de uma ONG de fachada chamada Time for Change de "sem fundamento".

 

Veja a íntegra do depoimentos de Jonatan Diniz na rede social:

 

Venezuela caso complicado de explicar... meus sentimentos e experiências pelos e com os venezuelanos e a atual situação do país daria mais que um livro certamente. Mas tentarei resumir em um post a parte da situação que acredito que as pessoas estão prontas para receber como verdade.

Fui para Venezuela a primeira vez em 2016 como mochileiro, qual cruzei de ônibus um total de 7 países sul-americanos em 45 dias e se não me engano fiquei 6 dias nessa ocasião em território Venezuelano. Venezuela foi o primeiro país que em 1 hora que eu havia colocado o pé nele, já estava no apartamento de alguém que jamais havia visto na vida, comendo uma arepa (comida típica Venezuelana) e compartilhando boas experiências sem me cobrarem um centavo pela comida, pelo metrô e muito menos pela hospedagem no apartamento de um querido casal qual eu somente havia perguntado de início uma simples informação no meio da rua.

Me interei primeiro assim sobre a situação, meio por cima e realmente me surpreendeu que com tantos problemas esse povo poderia ser tão receptivo e amável como são.

Semanas depois, por destino, acabei me apaixonando por uma venezuelana qual não tenho intensão alguma de colocá-la em todas essas notícias como eu também não tenho intensão alguma e nunca tive de pessoalmente sair em qualquer tipo de mídia ou me aproveitar dessa situação para algo pessoal ou fama (ou se quer havia imaginado a proporção que uma prisão se tornaria). Eu e ela namoramos por um ano e por todo esse ano me interei mais e mais sobre Venezuela e sua situação.

E assim dia após dia fui pegando mais carinho por esse país e essas pessoas. Quando terminamos a relação (nesse momento vivíamos em Quito, Equador), decidi por conta própria ir viver na Venezuela e saber mais afundo o que é verdade e o que é mentira que falavam de Venezuela. Participei de muitos projetos de voluntariado em filantropia e nos 3 meses que estive lá dei bastante suporte na parte de fotografia. Sendo minhas fotos usadas por diversas instituições e até minha cara muitas vezes sem nem eu saber sendo usada em campanhas publicitárias para arrecadação de doações. NUNCA COBREI 1 CENTAVO POR NENHUMA FOTO QUE ENVIEI OU NENHUMA FOTO QUE USARAM MINHA PARA AS CAMPANHAS, COMO TAMBÉM POUCO ME IMPORTA SE USARAM MINHA FOTO COM OU SEM AUTORIZAÇÃO, porque o importante é que de algum jeito essas pessoas estavam ajudando as crianças em perigo de morte por desnutrição com doações.

Os 3 meses que vivi lá (entre Maio e Agosto 2017, justo nos protestos mais fortes que Venezuela já teve), eu sim fui a muitos protestos (como observador, jamais toquei em uma arma), sim, odiei muito Maduro nesse tempo por todas as bombas lacrimógenas que tive que respirar e sim, vi muita barbaridade tanto de um lado quanto do outro. Quando eu não chorava pela notícia de mais um jovem assassinado que batalhava por liberdade e por um país melhor, eu chorava por ver crianças de 5, 6 anos prepararem bombas molotov no meio da avenida para se prepararem para os confrontos, enquanto eu via adultos de 20, 30, 40, 50, 60, 70 anos olharem a situação e não fazerem MERDA NENHUMA para afastar aquelas crianças do perigo, e pior, se eu tentava falar para as crianças não fazerem isso ainda sofria ameaças. De verdade, todos os dias era normal chorar umas 2 horas todas as manhãs ao acordar antes de começar a trabalhar, porque é impossível você ver tanta loucura, irresponsabilidade, sangue derramado e tudo por sede ao poder de ambos os lados políticos e ver os jovens que somente querem o direito de viver em um país melhor morrerem ou chorarem por ter que deixar o país que amam porque já não tem dinheiro nem para uma farinha de trigo.

Você brasileiro que vive com a realidade de um salário mínimo de cerca de 300$ mensais e tem que sustentar 2 filhos já se vê em apuros para sobreviver, agora imagina como é a realidade de uma família Venezuela de baixa renda, que o salário mínimo deles é menos de 10$ mensais, já pensou o que você seria capaz de fazer para não deixar seus filhos morrerem de fome? Quem saiba agora você comece a entender porque Caracas (Capital Venezuelana) é a cidade mais perigosa do mundo.

O que mais me indigna é que a direita faz cagada, a esquerda faz cagada, o mundo inteiro vê crianças morrerem de fome e ninguém faz MERDA NENHUMA PARA AJUDAR e ainda criticam e colocam na prisão os que tentam fazer! No final das contas essa não é só uma avaliação a respeito do que os Venezuelanos estão sofrendo ou fazendo com seu país, mas sim uma avaliação de o que nós humanos estamos vendo e fazendo a respeito... NADA!!!

É muito fácil sempre jogar a culpa nos governos, é sempre muito fácil achar um culpado, porém ninguém quer culpar o próprio espelho pela situação caótica que o mundo vive. Como você quer um mundo melhor se você não fizer nada??? Um conselho... Esperar governos resolverem a situação da fome no mundo é utopia, tentar ser humano de fato e compartir o que você tem com quem necessita não é mais que sua e minha obrigação como HUMANOS!

E para finalizar, o que passou este fim de ano é que decidí ir para Venezuela doar boa parte (a maioria na verdade) do dinheiro que eu tinha e conquistei com muito trabalho digno para iniciar o projeto @timetochangetheearth junto com amigos ao redor do mundo, que nada mais era que doar roupas, comidas, brinquedos e o que necessitasse para quem realmente precisasse. E o mais importante, tentar de alguma maneira mudar a mentalidade das pessoas, tentar encontrar uma maneira de em vez de guerrear, unir as partes para todos lutarem pelo mesmo objetivo.

Eu não me envolvo em política, não me envolvo em nenhum desses teatros criados por pessoas ocultas para fazermos acreditar que existe democracia. Eu não sou lado A nem lado B... Eu só não quero ver crianças morrerem por nossa culpa, por o que nós adultos criamos na Terra, e sim! Criamos um inferno para muitas almas. Se você que tem comida na sua mesa e para seu filho, soubesse ou visse pessoalmente as coisas que eu vi, entenderia que não há lógica nenhuma você se preocupar em dar um vídeo game novo para filho no Natal sabendo que outra criança está sendo enterrada por não ter 1 centavo de dolar (nessa ocasião cerca de 1.000Bs) para comprar comida.

Me comove muito a união que o povo brasileiro teve para me ajudar e me tirar da prisão, de verdade, sem palavras, pela primeira vez em minha vida vi nós brasileiros provarmos que somos mais fortes que governos. Como sempre disse e sempre vou dizer, o povo não deve temer o governo, o governo deve temer o povo, e em realidade, SERVIR o povo. O povo tem a força para fazer esse mundo melhor, basta nos movimentarmos e não usarmos somente orações mas sim ações para que isso torne-se realidade. Para finalizar minha reflexão sobre todo o ocorrido... "DEUS não pode mudar o mundo com o poder das suas orações, mas você pode mudar o mundo com o poder que DEUS te dá orando e principalmente AGINDO!"

Um fortíssimo abraço a todos que me apoiaram nessa jornada, sintam-se todos fortemente abraçados por mim e por DEUS. Não tenho intenção de expor minha vida pessoal, promover meu trabalho e nem tirar qualquer proveito pessoal do ocorrido, simplesmente ajudo pessoas sem esperar nada em troca, e isso é ajudar de verdade. Continuarei minha vida normal como sempre, peço que não me chamem para entrevistas ou algo a respeito, o que tenho que dizer, digo aqui e enviarei energia positiva para que quem saiba com toda essa repercussão mais gente acorde e comece a fazer não mais que suas obrigações, AMAR O PRÓXIMO COMO A TI MESMO!

*estou bem e em segurança, reservo meu direito de manter sigilo de onde estou ou para onde vou, espero que compreendam, tenho minha vida pessoal e particular.

 








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