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Espiritualidade e religião
Para se ver a estrela que leva a Jesus, há que ter os olhos postos no céu, diz o Papa
Publicado Sábado, 6 de Janeiro de 2018, às 18:19 | Fonte Renascença 0
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Divulgação - Internet

 

O Papa Francisco celebrou este sábado em Roma a missa da Epifania, a solenidade em que se assinala a primeira manifestação pública da divindade de Jesus, narrada nos Evangelhos como a visita à gruta, em Belém, de pastores e de magos vindos do oriente, que ficaram popularmente conhecidos como os Reis Magos.

Nos Evangelhos está escrito que os magos seguiram uma estrela, que os encaminhou para Belém, na Galileia, onde Jesus tinha nascido. A partir desta passagem o Papa teceu um comentário sobre a importância de se viver com os olhos postos no céu.

“Por que foi que só os Magos viram a estrela? Porque talvez poucos levantaram o olhar para o céu. De facto na vida, muitas vezes, contentamo-nos com olhar para a terra: basta a saúde, algum dinheiro e um pouco de divertimento. E pergunto-me: sabemos ainda levantar os olhos para o céu? Sabemos sonhar, ansiar por Deus, esperar a sua novidade, ou deixamo-nos levar pela vida como um ramo seco pelo vento?”

“Os Magos não se contentaram com deixar correr, flutuando. Intuíram que, para viver de verdade, é preciso uma meta alta e, por isso, é preciso manter alto o olhar”

Estrela segura, não cadente

Mas existe o perigo, disse ainda Francisco, de nos deixarmos enganar por outros objectivos que não os verdadeiramente importantes. “A estrela de Jesus não encandeia, não atordoa, mas gentilmente convida. Podemos perguntar-nos pela estrela que escolhemos na vida. Há estrelas deslumbrantes, que suscitam fortes emoções mas não indicam o caminho”, disse.

“Tal é o sucesso, o dinheiro, a carreira, as honras, os prazeres procurados como objetivo da existência. Não passam de meteoritos: brilham por um pouco, mas depressa caem e o seu esplendor desaparece. São estrelas cadentes, que, em vez de orientar, despistam. Ao contrário, a estrela do Senhor nem sempre é fulgurante, mas está sempre presente: guia-te pela mão na vida, acompanha-te.”

A história dos magos carrega ainda outra lição, segundo o Papa, que é a importância de nos deixarmos desinstalar. “Não ficar à espera; arriscar. Não ficar parados; avançar. Jesus é exigente: a quem O busca, propõe-lhe deixar as poltronas das comodidades mundanas e os torpores sonolentos das suas lareiras. Seguir a Jesus não é um polido protocolo a respeitar, mas um êxodo a viver.”

“Para encontrar Jesus, é preciso perder o medo de entrar em jogo, a satisfação do caminho andado, a preguiça de não pedir mais nada à vida”, considera o Papa.

Em muitos países em no dia de Reis que se trocam presentes, e não no dia de Natal. Referindo-se a esta tradição, Francisco falou da importância de, nesta altura, se pensar em que presentes temos para oferecer a Deus, e deu exemplos.

“Oferecer um presente agradável a Jesus é cuidar dum doente, dedicar tempo a uma pessoa difícil, ajudar alguém que não nos inspira, oferecer o perdão a quem nos ofendeu. São presentes gratuitos, não podem faltar na vida cristã; caso contrário, como nos recorda Jesus, amando apenas aqueles que nos amam, fazemos como os pagãos. Olhemos as nossas mãos muitas vezes vazias de amor, e procuremos hoje pensar num presente gratuito, sem retribuição, que possamos oferecer”, sugeriu.

Natal Oriental

Já depois da missa, na oração do Ângelus, o Papa não esqueceu as igrejas orientais que seguem o calendário juliano e por isso celebram o Natal neste sábado.

“Algumas Igrejas orientais, católicas e ortodoxas, celebram neste dia o Natal do Senhor. A elas transmito as minhas saudações mais cordiais: que esta alegre celebração seja fonte de novo vigor espiritual e de comunhão entre todos nós cristãos, que o reconheçamos como Senhor e Salvador.”

Entre esses cristãos encontram-se os coptas, do Egipto, a quem o Papa saudou de forma particular pela consagração de uma nova catedral, hoje, no Cairo.

[Notícia actualizada às 11h31]

 








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