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Círio em Belém e bois de Parintins
Coração da Amazônia pulsa com Círio em Belém e bois de Parintins
Festas na floresta: religiosidade e tradição fazem a força do turismo na Região Norte
Publicado Segunda-Feira, 25 de Dezembro de 2017, às 11:35 | Fonte Globo.com - Bruno Calixto. 0
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O Círio de Nazaré tem romaria fluvial: barcos acompanham o transporte da santa na Baía de Guajará, de Ananindeua ao Centro de Belém - Bruno Calixto / Agência O Globo

Os ventos do Norte não movem moinhos, mas assobiam por entre as frestas tal e qual a imensidão da Floresta Amazônica, que não tem outro verbo senão impressionar. A bordo de um hotel flutuante — uma maneira confortável, não menos emocionante —, é possível conhecer de perto o pulmão verde do Brasil, como faz a maior parte dos turistas durante as duas maiores festas da região: o Festival Folclórico de Parintins, na pequena ilha que lhe dá o nome, a 420km de Manaus (AM), e que acontece todos os anos no último fim de semana de junho; e o Círio de Nazaré, em Belém (PA), no segundo domingo de outubro.

Patrimônio Imaterial registrado pelo Iphan, o Círio mistura fé, tradição e dor. De acordo com a Secretaria de Turismo do Pará (Setur), o evento injeta R$ 92 milhões na economia local.

— O Círio é mágico, porque ali a Virgem de Nazaré é a senhora de todos os destinos. Encanta fiel, filósofo, ateu e comunista. Tudo isso em razão de um atributo que transcende: sua história. Não é religião, é fé — diz Fafá de Belém, que dirige o projeto Varanda de Nazaré, iniciativa que participa da divulgação do Círio de Nazaré.

Cirio de Nazaré e patrimônio imaterial registrado pelo Iphan: fé e tradição em Belém do Pará - Bruno Calixto / Divulgação

 

Agito, boemia, carimbó e boa comida fazem de Belém a cidade mais desejada da região. Açaí, tacacá, Cerpa gelada e banho-de-cheiro, marés, rios, palafitas, canoas e ilhas, Dona Onete... Dá vontade de mergulhar com vontade no paraensismo.

 

  • Aos 61 anos, Fafá de Belém acompanha o Círio da área chamada Varanda de Nazaré, onde recebe convidadosFoto: Bruno Calixto / Agência O Globo

  • Cirio de Nazaré é patrimônio imaterial registrado pelo Iphan: fé e tradição em Belém do ParáFoto: Bruno Calixto / Agência O Globo

  • O Círio de Nazaré tem romaria fluvial: barcos acompanham o transporte da santa na Baía de Guajará, de Ananindeua ao Centro de BelémFoto: Bruno Calixto / Agência O Globo

  • Naza é o nome carinhoso pelo qual os fiéis chamam Nossa Senhora de Nazaré Foto: Bruno Calixto / Agência O Globo

  • A santa chega ao Centro de Belém com status de chefe de estado, numa embarcação oficial da MarinhaFoto: Bruno Calixto / Agência O Globo

  • Milhões de pessoas acompanham o Círio; a procissão percorre 4km por quase quatro horasFoto: Bruno Calixto / Agência O Globo

 

 

 

PARINTINS: DOIS PRA LÁ, DOIS PRA CÁ

Além da Basílica Santuário, os fiéis visitam pontos prestigiosos de Belém, como o mercado Ver-o-Peso, e restaurantes como o Remanso do Bosque, do chef Thiago Castanho, incluído na lista dos 50 melhores da América Latina em 2016.

 

Na amazonense Parintins, por três noites, os bois Garantido (vermelho) e Caprichoso (azul) se enfrentam na arena do Bumbódromo num desafio de música (toadas), alegorias, lendas e ritos indígenas e dos demais povos que formam a região. Na arena, cabem 40 mil pessoas, 20 mil (cravados) de cada lado. Este ano, o Caprichoso levou a melhor e sagrou-se campeão.

O Festival Folclórico de Parintins bebe em uma rivalidade iniciada há quase cem anos, quando dois grandes grupos — os “bois” — começaram a representar nas ruas o folclore do boi-bumbá, variação do bumba-meu-boi nordestino. Seja ele Garantido ou Caprichoso, o morador de Parintins tem em comum uma alma leve que passa por um eterno estado de brincadeira, que no Festival Folclórico é levada a sério. Todos têm a mesma alma, coabitam com a natureza e só se diferenciam quanto à difícil escolha entre Garantido e Caprichoso.

Há 52 anos, a festa dos bumbás, uma ópera a céu aberto no centro da Ilha Tupinambarana, com o auto do boi ressuscitado pelo pajé, acontece diante de uma multidão. A obra-prima do caboclo amazonense é vista por moradores e turistas. O investimento na festa, por parte do Estado do Amazonas, é de R$ 1 milhão em cada boi e de R$ 2 milhões no evento. São injetados cerca de R$ 60 milhões na economia da pequena cidade.

— É a festa do dois pra lá e dois pra cá. O ritmo do grito das galeras (torcidas) toma conta da alma do visitante, que se encanta pelo festival — diz o guia de turismo e parintinense de coração vermelho Inaldo Albuquerque.

 

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  • 52° Festival Folclórico de Parintins, 2017 Foto: Emiliano Capozoli / Divulgação

    Arena

    No formato de uma cabeça de boi estilizada, o Bumbódromo abriga 40 mil pessoas. Só 5% dos ingressos são vendidos, o restante é cedido para as torcidas dos bois.
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Para a festa, turistas chegam a Parintins, em sua maioria, de barco. Por via fluvial, os 420km entre a capital amazonense e a ilha podem ser vencidos de sete a dez horas (no barco rápido) ou em 24 horas (nas “gaiolas”). Nessas, cada um leva sua rede. A capacidade é para 537 pessoas, e o preço vai de R$ 160 a R$ 200 (três noites). O camarote para até três pessoas sai por R$ 2,5 mil. A volta demora mais, devido à corrente. Há voos de Manaus para Parintins (duração: uma hora).

Navegar pelo imenso Amazonas quer dizer silêncio absoluto e em companhia de animais perigosos, os donos do pedaço. Você vai cansar de ver jacaré com o topo da cabeça para fora da água. O pôr do sol é um espetáculo à parte, e o luar não fica atrás.

— A paisagem varia conforme a época do ano. De dezembro a maio, na cheia, os alagamentos permitem navegar perto das árvores, mais próximo dos pássaros — diz o capitão.

Nas lanchas rápidas, a viagem é mais curta, e a capacidade é para até 90 pessoas, mas não dá para pernoitar. A opção é se hospedar num barco hotel, atracado no Rio Amazonas, alguns com pensão completa e acomodações em suítes para duas pessoas.

VARIADOS SABORES DA AMAZÔNIA

Camarão exposto no mercado Ver-O-Peso, em Belém: opções variadas de produtos e sabores - Divulgação

 

Num lugar onde o azul e o vermelho estão em disputa constante, a cor barrenta do Rio Amazonas é o que menos importa, a não ser pela diversidade de espécies de peixes que brotam dali para a mesa. E já ouviu falar no bodó? Assado na brasa ou na caldeirada de tucupi, o peixe é encontrado em restaurantes da ilha, em ruas e feiras a partir de R$ 4. O sabor é consistente, lembra carne de caça. O tucupi garante o agridoce, com ervas, chicória e alho para perfumar.

E em Parintins, o Mercado Municipal à beira do Amazonas é o local certo para experimentar o café regional, que não dispensa a tapioquinha e o X-caboquinho (pão recheado com tucumã e queijo coalho). Uma viagem que agrada a todos os sentidos.

Onde comer

BELÉM

Remanso do Bosque. Avenida Rômulo Maiorana 2.350. Tel. (91) 3347-2829.

Remanso do Peixe. Avenida Barão do Triunfo 2.590. Tel. (91) 3228-2477.

Onde ficar

BELÉM

Atrium Quinta das Pedras. Diárias a R$ 230: atriumhoteis.com.br

BARCO HOTEL

Amazon Star. Vai de Santarém (PA) a Parintins (AM), em 18 horas. Rede R$ 120 e camarote para dois: R$ 400. Tel. (91) 3212-6244.

Valeverde. Trajeto Belém/Santarém /Parintins/Manaus: R$ 300 (cabine dupla, 5 dias). Durante o Círio de Nazaré, o preço sobe. Telefone: (91) 8414-6183.

PARINTINS

Amazonas River Resort Hotel. Diárias a

 

R$ 200 (no festival, pacote de 5 dias: R$ 2 mil a R$ 4 mil, para 5 pessoas). Lagoa da Francesa 697, Santa Rita. Tel. (92) 3533-1342.

Passeios

PARINTINS

O Park Náutico Marina Menina oferece passeios de lancha em torno da ilha: Lagoa da Francesa, Lago Macurany, Parananema, Aninga e Orla de Parintins (R$ 50).

Bruno Calixto viajou a convite da Amazonastur e da Varanda de Nazaré








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