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Sem acordo, rodoviários de Salvador ameaçam parar
Publicado Sexta-Feira, 12 de Maio de 2017, às 09:43 | Fonte A tarde.com.br 0
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Impasse durante a negociação com patrões levou categoria a aprovar estado de greve - Foto: Anderson Sotero | Ag. A TARDE | 11.05.2017

Anderson Sotero | Ag. A TARDE | 11.05.2017 - Impasse durante a negociação com patrões levou categoria a aprovar estado de greve

 

 

 

 

 

 

Rodoviários de Salvador aprovaram, em assembleia na manhã desta quinta-feira, 11, estado de greve da categoria. A previsão é que, se não houver negociação com os empresários, eles suspendam as atividades. Agora, é necessário cumprir o prazo de 72 horas antes da paralisação. À tarde, uma segunda reunião dos trabalhadores confirmou em votação a decisão tomada pela manhã. 

Na assembleia, foi decidido, também, que o sindicato vai pedir à Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob) que faça a intermediação com a Integra, entidade que representa os patrões (o antigo Setps). 

Após a assembleia da tarde, cerca de mil rodoviários, segundo estimativa do próprio sindicato, caminharam em passeata da ladeira dos Aflitos até a prefeitura, na praça Municipal. 

Segundo o presidente do sindicato dos rodoviários, Hélio Ferreira, a decisão é decorrente da campanha salarial 2017/2018, iniciada em 28 de março, quando foi entregue aos empresários uma pauta com as reivindicações da categoria.

Ferreira contou que, após cinco rodadas de encontros, a negociação está “travada”. Eles pedem aumento pela inflação e mais 5% de ganho real, tíquete refeição de R$ 20 por dia, plano de saúde pago pelos empresários – hoje os trabalhadores pagam 30% –, além do fim da dupla função de motoristas, quando dirigem e cobram a passagem.

“Queremos, ainda, a manutenção dos postos de cobradores que os patrões querem tirar. Eles também não querem pagar hora extra e pretendem fazer um banco de horas. Isso a gente não aceita”, afirmou.

Ainda segundo Ferreira, os empresários não aceitaram a pauta e não querem dar aumento. “A gente espera que a Semob chame os empresários para fazer uma contraproposta e destrave essa negociação”.

O assessor de relações sindicais da Integra, Jorge Castro, disse que as alegações de Ferreira “são verdadeiras”, e que “é difícil” conceder reajuste. “Quem pede o céu eu não vou nem responder”, disse ao A TARDE.

Castro ressaltou que a situação das empresas de ônibus é “crítica”, e confirmou que as negociações estão travadas. “Talvez o Ministério Público do Trabalho chame para negociação. Precisamos compensar hora extra porque falta dinheiro para pagar. Temos que tirar cobradores nas linhas de baixa demanda”, acrescentou.

Sobre a possibilidade de greve, ele afirmou que os empresários vão aguardar: “Vamos ficar quietos no nosso canto e aguardar. Se tiver greve, vamos pedir ao Tribunal (Regional do Trabalho) para julgar”.

De acordo com a assessoria do MPT, até esta quinta não havia nenhum pedido de rodoviários ou de empresários para intermediar as negociações. 

O secretário de Mobilidade, Fábio Mota, contou que está marcada uma reunião com os rodoviários na próxima segunda-feira, às 10h. “Na segunda, vou começar a atuar. Não acredito em greve nesse dia. Vou ouvir eles, ver quais serão as propostas”.

À tarde, o secretário planeja se encontrar com os empresários para tentar estabelecer nova negociação. “É evidente que o país passa por uma situação complicada”, disse.

Cobrador

Cobrador há três anos, Paulo Nilo, 27, teme a possibilidade de retirada dos postos de trabalho. “Eu me sinto ameaçado com essa intenção de tirar os cobradores. Por trás de mim tem uma família para sustentar. Tem o lado do motorista também, que passará a exercer dupla função”, destacou.

O motorista Leonardo Nascimento, 34, também reclamou da intenção de retirada. “Eu acho que é errado, porque eles não estão no nosso dia a dia na rua para ver. Se houver um cadeirante, o motorista vai ter que desligar o carro? O empresário só quer lucrar. Não quer abrir mão de nada”, criticou.

O vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Intermunicipal no Estado da Bahia (Sindinter), Leonicio Maciel, afirmou que os rodoviários intermunicipais também estão em estado de greve.

“Estamos pedindo o mesmo que os rodoviários  urbanos. Tivemos rodadas de negociação e não houve resultado”, revelou.

A TARDE procurou a Associação das Empresas de Transporte Coletivo Rodoviário do Estado da Bahia (Abemtro), mas não conseguiu localizar nenhum representante.

 








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