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Espiritualidade e Religião
A Fátima brasileira apareceu há 300 anos no fundo de um rio
Publicado Sábado, 6 de Maio de 2017, às 21:25 | Fonte DN 0
http://www.ariquemesonline.com.br/noticia.asp?cod=328239&codDep=67" data-text="A Fátima brasileira apareceu há 300 anos no fundo de um rio

  
 
 

 

REUTERS

 

 

 

 

 

Nossa Senhora de Aparecida faz milagres desde 1717, quando pescadores a encontraram nas águas do Paraíba do Sul. É o maior templo mariano mundial e atrai milhões de peregrinos, o que equivale a milhões de reais

Na Sala de Promessas do santuário de Nossa Senhora de Aparecida, o senhor Otávio, 84 anos, morador da longínqua (a 700 quilómetros) Araçatuba, estica as pernas na cadeira de rodas antes de anunciar, com uma expressão grave, que depois de 33 anos seguidos não voltará a visitar o templo. "Com a minha saúde neste estado, será certamente a última vez." Renato, o filho de 57 anos que empurra a cadeira, estraga a solenidade do momento: "Desde, pelo menos, 1998 que ele diz a mesma coisa." Mas Otávio parece não o ouvir e sentencia: "A última tinha de ser esta, nos 300 anos da aparição dela."

De facto, a padroeira do Brasil apareceu a 12 de outubro, feriado nacional desde 1980, do ano de 1717. Num relato que lembra o milagre bíblico da multiplicação dos peixes, três pescadores, Filipe Pedroso, Domingos Garcia e João Alves, lançaram-se ao rio Paraíba a fim de pescar o jantar de homenagem ao conde de Assumar, nomeado pela Coroa portuguesa como terceiro governador da Capitania de São Paulo e Minas de Ouro, de visita por aqueles dias à cidade de Guaratinguetá. Lançada a rede, em vez de peixes surgiu o corpo, sem a cabeça, de uma imagem em terracota de Nossa Senhora da Conceição. Lançada a rede novamente, veio a cabeça. A partir daí, apesar de ser época baixa no Paraíba, a pescaria foi de tal ordem que quase afundou o barco com o peso.

A imagem, de meros 36 centímetros e negra pela exposição à água e à luz de velas durante séculos, tornou-se alvo de devoção pelos séculos seguintes. Um dia, o escravo Zacarias pediu autorização para rezar em frente à santa e as correntes dos seus pulsos soltaram-se milagrosamente. Um cavaleiro zombou da imagem e tentou invadir o santuário, caindo do cavalo, sem explicação aparente. Uma menina cega de nascença viajou com a mãe até Aparecida quando exclamou "mãe, como é linda esta igreja", sinal de que estava curada. Além dos milagres históricos, há milagres quotidianos, particulares, anónimos.

"Remédio nenhum, médico nenhum, tratamento nenhum me tirou a dor que sentia no joelho, pois Nossa Senhora de Aparecida tirou-ma", conta Maria Corrêa, que com mais 46 fiéis viajou de Uniflor, pequena cidade do estado do Paraná, até ao santuário, num total de 26 horas, ida e volta. "Cansada? É o dia em que me sinto com mais energia do ano, quando nos começamos a aproximar de Aparecida e vemos o santuário ao fundo sente-se qualquer coisa inexplicável", diz a amiga Mariete Pereira, devota da santa desde que nasceu, há 61 anos. A aproximação ao santuário não apenas se sente, como se nota nos títulos e subtítulos das casas comerciais junto à estrada, dezenas de quilómetros antes do templo - Grande Hotel do Papa, Restaurante Sabor & Fé, Hotel da Mãe Aparecida (com TV, ventilador e wi-fi), Hotel João Paulo II (com frigobar), Ótica Aparecida (fazemos milagres nos seus olhos), Lavanderia Capital da Fé, Churrascaria dos Apóstolos e por aí adiante num frenesim comercial que movimenta 400 milhões de euros por ano e alimenta a economia da pequena cidade de Aparecida.

Mas há quem viaje de mais longe ainda do que as senhoras de Uniflor. "Eu venho de Saulgau. Em que estado do Brasil fica? Em nenhum, é na região de Baden-Württemberg, na Alemanha", diz Anna Franziska, freira ligada à família franciscana, pela primeira vez no Brasil. "Ela fala português perfeito porque estudou lá na Alemanha só por devoção a Aparecida", explica a irmã Ana Rosa, que lhe serve de cicerone.

Num país visceralmente religioso, com tantos ícones de tantas fés, foi Nossa Senhora de Aparecida e não outra que se tornou a padroeira oficial do Brasil, motivo de feriado nacional e objeto de devoção da América do Sul ao Sudoeste alemão. Porquê? Entre os motivos apontados por estudiosos está a situação geográfica - o vale do rio Paraíba fica entre São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, os estados com maior densidade populacional e enorme importância económica ao longo dos séculos; por outro lado, o facto de ser negra tornou a imagem um símbolo para a população mais carente, num país sob escravatura oficial até 1888; finalmente, o tempo: Aparecida é anterior ao samba, ao boom do Carnaval carioca, à introdução do futebol no país, à construção do Cristo Redentor e outros símbolos brasileiros, é, aliás, anterior até à palavra "brasileiro".

"Para mim Aparecida é Aparecida por causa dos milhões de promessas feitas, das graças concedidas e da gratidão aqui exposta dos fiéis", diz Marlene, que se mudou com a família para a cidade vizinha de Guaratinguetá, a mesma dos pescadores que descobriram a imagem, para ficar mais perto da santa.

Dentro da gigantesca estrutura no subsolo e ao redor da Catedral Basílica de Aparecida, é a Sala das Promessas, a que alude a devota Marlene, a mais impressionante. Com o teto forrado por 70 mil fotografias enviadas por fiéis, há mais de 19 mil objetos em exposição relacionados às graças alcançadas: capacetes, de quem sobreviveu a acidentes de moto, miniaturas de carros, dos que escaparam da morte na estrada, um mar de ossos em gesso pendurados, dos que curaram mazelas nas pernas, nos braços ou na bacia, centenas de bonecas, dos que pediram a Nossa Senhora para serem pais, discos, de artistas que cumpriram os seus objetivos de vendas, uniformes de bombeiros e de polícias que passaram por situações de risco, artigos desportivos, de atletas ou clubes (incluindo portugueses) que obtiveram triunfos, e um cantinho só dedicado às oferendas a Aparecida do devotíssimo Ayrton Senna, piloto de fórmula um falecido em 1994.

É lá, na Sala de Promessas, que o senhor Otávio, na sua cadeira de rodas, passa mais tempo durante as visitas. "Aquela santa ali, a terceira da esquerda para a direita da penúltima fila, foi a minha falecida mulher que deu a Nossa Senhora por causa de uma graça alcançada, venho cá certificar-me todos os anos de que está no mesmo lugar", conta com uma lágrima no olho. Para o ano, como prevê o filho, deve ir lá certificar-se outra vez.

 

Em São Paulo

 








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