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Ciência e Saúde
O obeso não tem culpa, tem desejos
Publicado Terça-Feira, 28 de Março de 2017, às 11:05 | Fonte Veja.com 0
http://www.ariquemesonline.com.br/noticia.asp?cod=325097&codDep=42" data-text="O obeso não tem culpa, tem desejos

  
 
 

 

Maça verde e Donut ou Rosquinha

Maça verde e Donut ou Rosquinha (IStock/Getty Images)

 

 

Mudanças comportamentais, tais como exercícios frequentes e reorientação alimentar, tem se mostrado bastante positivas em vários cenários, em especial na melhora de condições cardiovasculares, gastrointestinais, osteoarticulares e psíquicas, mas pouco ou nada sustentáveis a médio e longo prazo na diminuição ponderal. Mas continuamos vendendo este perfil comportamental para solucionar o problema de dois terços de americanos, brasileiros e tantas outras populações que se apresentam com sobrepeso e obesidade.

 

Tal culpabilização da vítima gera um processo global e gigante de sugestões de realinhamento alimentar, que encontra soluções na retirada industrial de gorduras de alimentos, substituição do açúcar por adoçantes sintéticos, adição de fibras e toda sorte de compostos de baixas calorias que renda melhor palatabilidade aos produtos modificados, produtos sem glúten, sem lactose e assim… Continuamos gordos – ainda que no momento pareça que alcançamos uma deprimente estabilização nos números americanos, restando um terço de magros.

 

Sem inocentar os obesos, a verdade é que já existem muitas linhas acadêmicas aceitando haver um grave erro conceitual na interpretação dessa doença, o qual provavelmente exigirá muitas décadas para minimizar suas consequências: Nós não engordamos porque comemos demais, o fato é que comemos demais porque estamos engordando. Apenas obedecemos ordens cerebrais impondo a ingestão de alimentos além do que necessitamos.

 

Essa incipiente “mea culpa” do mundo da ciência tem gerado uma busca frenética na identificação de elementos químicos com potencial de corromper a falível relação fome-saciedade-metabolismo. Essas substâncias são denominadas disruptores endócrinos, estruturas químicas capazes de imitar, bloquear ou atrapalhar os hormônios que regulam funções biológicas fundamentais em seres humanos e outros animais, incluindo o desenvolvimento cerebral, a reprodução, o metabolismo e o crescimento. Se avaliarmos estes compostos pela capacidade de indução à obesidade podemos denominá-los apenas obesogênicos.

 

A primeira exposição a estes compostos pode ocorrer em nossos tempos intrauterinos. Ao nascer já teríamos termostatos da fome e saciedade modificados, um número maior de células gordurosas e uma maior competência de armazenamento energético na forma de gordura. Mudança metabólica para toda a vida.

 

É certo que essa exposição é contínua e aparentemente ofertada por todos os alimentos processados, agrotóxicos, hormônios, antibióticos, elementos inaláveis provenientes de escapamentos de carros ou chaminés de indústrias, plásticos e outros. Apesar de não alterarem nossa sequência no DNA, é possível que modifiquem a expressão de alguns de nossos genes e que transfiramos tais mudanças para nossa descendência. Por outro lado, talvez algumas dessas substâncias nos transtornem apenas enquanto tivermos contato com as mesmas.

 

O bisfenol A, encontrado em plásticos, revestimentos de alimentos enlatados, pesticidas e outros produtos é transferido para nossos organismos mais comumente através do consumo de alimentos acondicionados em recipientes plásticos que contenham este elemento. O simples congelamento ou aquecimento do conjunto libera a substância para o alimento. Não à toa, perto de 90% daqueles que vivem nos ambientes urbanos apresentam níveis mensuráveis de bisfenol A em seus organismos. Um estudo recente utilizando camundongos sugere fortemente que essa substância impede perenemente a ação da leptina, hormônio da saciedade, junto ao seu local de ação no hipotálamo.

 

Espessantes utilizados para melhorar a palatabilidade de sorvetes, iogurtes, achocolatados e outros produtos, se mostraram capazes de interferir negativamente na produção intestinal de GLP-1, substância envolvida, entre outras ações, na modulação de centros da fome e saciedade. Talvez esse comprometimento seja reversível.

 

É quase certo que tudo que conseguirmos deduzir nessa procura trará a necessidade de atitudes, que, se tomadas, produzirão resultados após algumas gerações. No momento, restam bilhões de pacientes obesos e com sobrepeso, para os quais temos a obrigação de evitar a administração da fácil equação que subtrai supostos gastos energéticos do presumido total calórico ingerido, sem considerar as irrecusáveis ordens cerebrais.

 

 

 

 

Quem faz Letra de Médico

 

Adilson Costa, dermatologista

Adriana Vilarinho, dermatologista

Ana Claudia Arantes, geriatra

Antônio Frasson, mastologista

Artur Timerman, infectologista

Arthur Cukiert, neurologista

Ben-Hur Ferraz Neto, cirurgião

Bernardo Garicochea, oncologista

Claudia Cozer Kalil, endocrinologista

Claudio Lottenberg, oftalmologista

Daniel Magnoni, nutrólogo

David Uip, infectologista

Edson Borges, especialista em reprodução assistida

Fernando Maluf, oncologista

Freddy Eliaschewitz, endocrinologista

Jardis Volpi, dermatologista

José Alexandre Crippa, psiquiatra

Luiz Rohde, psiquiatra

Luiz Kowalski, oncologista

Marcus Vinicius Bolivar Malachias, cardiologista

Marianne Pinotti, ginecologista

Mauro Fisberg, pediatra

Miguel Srougi, urologista

Paulo Hoff, oncologista

Paulo Zogaib, medico do esporte

Raul Cutait, cirurgião

Roberto Kalil – cardiologista

Ronaldo Laranjeira, psiquiatra

Salmo Raskin, geneticista

Sergio Podgaec, ginecologista

Sergio Simon, oncologista

 

 

Resposta da Plastivida 

 

 

São Paulo, 30 de março de 2017

 

 

Ao Regional Press

Ref.: Notícia “O obeso não tem culpa, tem desejos”

 

Prezado,

 

Foi com extrema preocupação que a Plastivida tomou conhecimento da matéria: “O obeso não tem culpa, tem desejos”, publicada em 28 de março. A matéria contém uma série de incorreções sobre os plásticos e seus componentes, trazendo desinformação ao leitor e expondo, assim, a sociedade a informações infundadas e alarmistas. 

 

A Plastivida esclarece que o Bisfenol-A (BPA) não é uma substância presente em todos plásticos, mas está presente apenas no Policarbonato. Assim, não tem qualquer relação com os diversos produtos fabricados com outros tipos de plásticos usados em utensílios para bebês, garrafas, embalagens de alimentos, utensílios de cozinha, pratos, talheres plásticos, copos, filmes plásticos, potes de freezer e microondas (“tupperwares” e similares), entre outros.

 

A matéria causa grande confusão na relação do BPA com produtos plásticos, que são atóxicos, inertes e seguros. Ela termina por levar desinformação quanto ao tema o que gera preocupação desnecessária à população, que se vê envolta de dúvidas que sequer deveriam existir. Do ponto de vista da indústria gera extremo desconforto, pois termina por denegrir a imagem de um produto tão fundamental na vida das pessoas como os plásticos, ou seja, é um desserviço ao consumidor.

 

Existem inúmeros estudos científicos que esclarecem que o BPA é uma substância segura. Nos Estados Unidos, as embalagens de plásticos que entram em contato com alimentos são rigidamente regulamentadas pela Food and Drug Administration (FDA). No Brasil, a mesma preocupação de se garantir produtos seguros aos consumidores se dá por meio de regulamentação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), que aprova o uso de embalagens plásticas para diversas aplicações, conforme a Resolução RDC 105, de maio de 1999, que diz: “Regulamenta as embalagens e equipamentos, inclusive revestimentos e acessórios, destinados a entrar em contato com alimentos, matérias-primas para alimentos, águas minerais e de mesa, assim como as embalagens e equipamentos de uso doméstico, elaborados ou revestidos com material plástico”. Esse processo se repete em diversos países.

 

A Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (European Food Safety Authority – EFSA) publicou em janeiro de 2015 o estudo científico mais recente sobre os riscos à saúde humana decorrentes da exposição ao BPA afirmando que, nos níveis atuais de exposição, o BPA não apresenta riscos à saúde humana para grupos de diferentes faixas etárias, incluindo recém-nascidos, crianças e adolescentes. Além disso, salienta-se que em 2012 o FDA (U.S. Food and Drug Administration) rejeitou a solicitação de ambientalistas para proibir o uso de BPA em embalagens alimentícias.

 

Cientes das suas responsabilidades, a indústria e os fabricantes nacionais de mamadeiras, chupetas e produtos afins atenderam de pronto a determinação da ANVISA que, em 2012, baseada no “Princípio da Precaução”, proibiu a comercialização de mamadeiras e afins fabricadas com Policarbonato, pela questão do BPA, a despeito de acreditar na segurança do policarbonato e sua composição. Vale mencionar que não existia, na época, qualquer comprovação científica de riscos a saúde. Hoje, novos estudos científicos apontam a segurança do BPA e acreditamos até que possa chegar o momento de se rever a proibição, mas até lá o setor segue, como sempre, cumprindo as especificações de segurança da ANVISA.

 

Entendemos, dessa forma, que é incompreensível que tais questionamentos sobre os produtos plásticos, e mesmo ao BPA, ignorem os extensos e profundos estudos científicos de anos de pesquisas. Elas são entidades sérias e extremamente conceituadas, responsáveis pela comprovação da segurança dos materiais e produtos por elas regulamentados.

 

Em resumo, embalagens e produtos que entrem em contato direto com bebês, crianças e adultos, independentemente da sua matéria prima, são avaliados e regulamentados pelos órgãos responsáveis, que atestam sua segurança à saúde humana. Os plásticos não fogem à regra e são largamente utilizados, pois trazem benefícios às pessoas – economia, proteção ao alimento, à água, oferecem segurança, higiene, bem estar e qualidade de vida.

 

A Plastivida trabalha para que as informações corretas sobre o plástico, seu uso responsável e descarte adequados cheguem à população, para que ela tenha a certeza de que os plásticos oferecem importantes benefícios, especialmente na qualidade de vida das pessoas. Sendo assim, solicitamos espaço neste portal para esclarecer os mitos e fatos aqui expostos a respeito dos plásticos, considerando o respeito ao leitor acima de tudo. 

 

 

Miguel Bahiense 

Presidente

Plastivida

 





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