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Não ao caminho da exclusão social!
Não ao caminho da exclusão social! Por Dom Moacyr Grechi
A sequência de temas desde domingo passado: Água, Luz, Vida, tem sintonia com os temas batismais e pascais desse período. Em nossa caminhada quaresmal estamos avançando na direção da vida nova, do novo nascimento do batismo, que é também iluminação.
Publicado Domingo, 26 de Março de 2017, às 13:04 | Fonte Dom Moacyr Grechi 0
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Iniciamos a quarta semana quaresmal deixando-nos guiar pela Luz que nos precede e que sem ela não conseguimos enxergar. Este é o domingo da alegria, que começa com um convite: “Alegra-te (Laetare), Jerusalém, porque tua salvação superará tua tristeza” (canto da entrada).

 
A sequência de temas desde domingo passado: Água, Luz, Vida, tem sintonia com os temas batismais e pascais desse período. Em nossa caminhada quaresmal estamos avançando na direção da vida nova, do novo nascimento do batismo, que é também iluminação.
 
Aos cegos por opção, falta a coragem para se aproximarem da luz e buscar a verdade que liberta. Dessa forma, “fazem do direito uma amargura e a justiça jogam no chão” (Amós 5,7).
 
Nesse duro tempo de desconstrução do Brasil e desmonte das conquistas sociais e das estruturas produtivas do país, a Igreja, através da CNBB, manifestou, através de uma Nota, solidariedade com o povo brasileiro e apreensão com relação à Proposta de Emenda 287/2016, que trata da reforma da Previdência, afirmando que sua aprovação significa “escolher o caminho da exclusão social”.
 
Os Direitos Sociais no Brasil foram conquistados com intensa participação democrática; qualquer ameaça a eles merece imediato repúdio. O Art. 6º. da Constituição Federal de 1988 estabeleceu que a Previdência seja um Direito Social dos brasileiros e brasileiras.
 
Para a CNBB, é preciso conhecer a real situação da Previdência Social no Brasil. Iniciativas que visem ao conhecimento dessa realidade devem ser valorizadas e adotadas, particularmente pelo Congresso Nacional, com o total envolvimento da sociedade. O sistema da Previdência Social possui uma intrínseca matriz ética. Ele é criado para a proteção social de pessoas que, por vários motivos, ficam expostas à vulnerabilidade social, particularmente as mais pobres.
 
Nenhuma solução para equilibrar um possível déficit pode prescindir de valores éticos, sociais e solidários. Na justificativa da PEC 287/2016 não existe nenhuma referência a esses valores, reduzindo a Previdência a uma questão econômica. Buscando diminuir gastos previdenciários, a PEC 287/2016 “soluciona o problema”, excluindo da proteção social os que têm direito a benefícios. A opção inclusiva que preserva direitos não é considerada na PEC.
 
Na conclusão da Nota, uma convocação: o debate sobre a Previdência não pode ficar restrito a uma disputa ideológico-partidária, sujeito a influências de grupos dos mais diversos interesses. Quando isso acontece, quem perde sempre é a verdade. O diálogo sincero e fundamentado entre governo e sociedade deve ser buscado até à exaustão. Convocamos os cristãos e pessoas de boa vontade, particularmente nossas comunidades, a se mobilizarem ao redor da atual Reforma da Previdência, a fim de buscar o melhor para o nosso povo, principalmente os mais fragilizados (CNBB).
 
Somos nós os cegos e mendigos de que fala o Evangelho de hoje, pois fechamos os olhos para as inúmeras situações de injustiça social, que acontecem ao nosso redor, em nossas cidades e em todo o país. Cegueira que não nos deixa perceber “a própria invisibilidade diante de nossos semelhantes”.
 
Para o Papa Francisco, na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, assim como o mandamento “não matar” põe um limite claro para assegurar o valor da vida humana, assim também hoje devemos dizer não a uma economia da exclusão e da desigualdade social. Esta economia mata. Não é possível que a morte por enregelamento dum idoso sem abrigo não seja notícia, enquanto o é a descida de dois pontos na Bolsa. Isto é exclusão.
 
Não se pode tolerar mais o fato de se lançar comida no lixo, quando há pessoas que passam fome. Isto é desigualdade social. Hoje, tudo entra no jogo da competitividade e da lei do mais forte, onde o poderoso engole o mais fraco. Em consequência desta situação, grandes massas da população se veem excluídas e marginalizadas: sem trabalho, sem perspectivas, num beco sem saída.
 
O ser humano é considerado, em si mesmo, como um bem de consumo que se pode usar e depois lançar fora. Assim teve início a cultura do descartável, que, aliás, chega a ser promovida. Já não se trata simplesmente do fenômeno de exploração e opressão, mas duma realidade nova: com a exclusão, fere-se, na própria raiz, a pertença à sociedade onde se vive, pois quem vive nas favelas, na periferia ou sem poder já não está nela, mas fora. Os excluídos não são explorados, mas resíduos, sobras (EG 53).
 
A liturgia deste domingo reflete sobre a luz divina que se manifesta na história humana. Deus se revela ao mundo de modo original e surpreendente. É soberano em suas decisões e não se deixa levar pelas aparências. Nas pessoas pobres e frágeis, ele manifesta a grandeza de seu amor (VP).
 
A experiência de “viver na luz de Deus” é demonstrada no relato da eleição de Davi. Deus chama as pessoas não com base nas aparências; Ele não segue o padrão dominante da sociedade. A unção de Davi aponta para o nosso batismo. Deus quis contar com Davi para que assumisse a missão de servir ao povo como um governante justo. É uma indicação muito importante para quem assume cargos de responsabilidade social. Deus conta conosco para levar adiante o seu plano de amor e justiça no mundo (1Sm 16,1b.6-7.10-13a).
 
Paulo Apóstolo escreve um texto batismal aos Efésios, dizendo que quem é batizado e segue a sua fé produz os frutos da luz: bondade, justiça, verdade. Paulo propõe aos cristãos de Éfeso que recusem viver à margem de Deus (“trevas”) e que escolham a “luz”. Incentiva, portanto, a comunidade a viver como filhos da luz, pois a luz da fé leva o cristão a discernir o que agrada ao Senhor, praticando o bem e se afastando das “obras das trevas” (Ef 5,8-14).
 
O Evangelho de João nos apresenta Jesus, Luz do mundo. Aquele que caminhou neste mundo fazendo o bem, curando as pessoas e dissipando as trevas. A cura do cego de nascença vai além do sentido físico (Jo 9,1-41). É libertação das influências das ideologias dominantes.
 
Somos cegos quando entramos no jogo da ambição de poder e deixamos de servir humildemente o próximo; quando nos consideramos superiores aos outros e quebramos a fraternidade; quando acumulamos para nós mesmos o que Deus ofereceu para a vida de todos (VP). O “Cego” que recebe a luz da visão representa todos os homens que renascem pela fé, acolhendo Jesus e se deixando conduzir pela sua Palavra.
 
Este é o caminho da fé que se opera após ter encontrado o Cristo ressuscitado. Este relato evangélico tem o mérito de mostrar que a fé não é algo que se adquire uma vez para sempre; a fé é um longo processo, difícil em alguns momentos, quando o medo e a dúvida persistem, mas que sempre nos faz avançar e que nos obriga a assumir um compromisso.
 
A luz que descobrimos pouco a pouco e que nos ilumina jamais a possuímos completamente; devemos nos deixar guiar por ela, porque ela sempre nos precede e não conseguimos ver sem ela (R.Gravel). Penso que é o próprio sentido do evangelho de João: quem não vê por si mesmo, abre-se necessariamente à luz que é Cristo, ao passo que aquele que acredita ver por si mesmo não pode ver a luz que lhe é oferecida gratuitamente: “Eu vim a este mundo para exercer um julgamento, a fim de que os que não veem, vejam, e os que veem se tornem cegos”.
 
Ao celebrar, na sexta passada, a memória de Dom Oscar Romero, arcebispo de S. Salvador, assassinado, quando celebrava a eucaristia no dia 24 de março de 1980 e beatificado no dia 23 de maio de 2015, recordamos as palavras do papa Francisco: “Deus lhe concedeu a capacidade de ver e de ouvir o sofrimento do seu povo e plasmou o seu coração a fim de que, em seu nome, o orientasse e iluminasse, a ponto de fazer do seu agir uma prática repleta de caridade cristã”.
 
Que haja em nós abertura à luz de Cristo eliminando “comportamentos que não são cristãos”. E que a Palavra de Deus nos faça enxergar o “caminho da cegueira para a luz”. Abramo-nos à luz do Senhor! Ele espera-nos sempre para que vejamos melhor, para nos dar mais luz, para nos perdoar. Não podemos esquecer isto! Confiemos à Virgem Maria o caminho quaresmal para que também nós, como o cego curado, com a graça de Cristo, possamos progredir rumo à luz e renascer para uma vida nova (papa Francisco).








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