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Rondônia que a patente
Rondônia pede patente para fármaco anti-leishmaniose extraído de cobra cascavel
Desde 2013 a equipe do cientista Roberto Nicolete avalia a eficácia e efeitos toxicológicos da crotamina isolada dessa cobra
Publicado Sexta-Feira, 24 de Março de 2017, às 11:16 | Fonte Montezuma Cruz 0
http://www.ariquemesonline.com.br/noticia.asp?cod=324624&codDep=42" data-text="Rondônia pede patente para fármaco anti-leishmaniose extraído de cobra cascavel

  
 
 

PORTO VELHO – É de Rondônia o primeiro pedido da região amazônica, e possivelmente um dos mais raros do País, para o patenteamento de um fármaco anti-leishmaniose obtido da serpente Crotalus durissus terrificus [espécie de cascavel que também habita a região amazônica]. No Brasil só há uma espécie de cascavel e cinco subespécies. Projeto fomentado pela Fundação de Amparo ao Desenvolvimento das Ações Científicas e Tecnológicas e à Pesquisa em Rondônia (Fapero) e desenvolvido pela equipe do pós-doutor em Biociências Aplicadas à Farmácia, Roberto Nicolete (Fiocruz-RO) resultou na solicitação de patente ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
 
Nicolete e sua equipe, na Fiocruz-RO
 
Para o presidente da Fapero, Francisco Elder Oliveira, o trabalho de Nicolete tem alto significado para o estado. “Até algum tempo atrás não havia fomento à pesquisa, e essa busca da patente é a joia que ganhamos ao tempo em que formamos doutores, mestres, e contribuímos com a ciência mundial”, disse.
 
A investigação aprovada pela chamada do Projeto de Pesquisa Para o SUS (PPSUS) em 2013 avaliou a crotamina [proteína presente no veneno da serpente Crotalus como “ferramenta para carreamento de drogas contra a leishmaniose”.
 
Leishmanioses constituem um conjunto de doenças que afetam aproximadamente 12 milhões de pessoas, especialmente em países pobres ou muito pobres.
 
Até então, os tratamentos disponíveis apresentam severos efeitos colaterais e falha terapêutica.
 
Nos anos 1960/70, quando recebeu levas de migrantes do Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste do País, Rondônia também tinha casos de leishmaniose nos cantões da floresta e zona rural, onde até hoje ainda ocorrem filarioses, toxoplasmose, micoses profundas e outras doenças causadas por insetos.
 
Desde 2013 a equipe do cientista Roberto Nicolete avalia a eficácia e efeitos toxicológicos da crotamina isolada da cascavel.
Estudos preliminares e in vitro possibilitaram combinações de droga, citotoxidade dos tratamentos sobre células, e as duas combinações mais eficazes de cada droga foram avaliadas acerca da inibição do crescimento de amastigotas, produção de NO [óxido nítrico] por reação de Griess e diferentes citocinas por ELISA [do inglês Enzyme Linked ImmunonoSorbent Assay).
 
Os tratamentos foram feitos por oito dias alternados com os controles e combinações de drogas com CTA. A massa e tamanho da pata infectada foi monitorada diariamente.
 
Após 48 h do fim do tratamento os animais foram eutanasiados para a retirada de sangue, tecido da pata, linfonodo, rins, fígado e baço para posteriores experimentos. O sangue foi centrifugado e o soro separado para análise bioquímica e imunológica.
 
In vivo, a combinação das drogas com CTA mostrou-se mais eficaz que as drogas sozinhas na contagem de parasitos nos tecidos, revelou o estudo. A medida das massas dos órgãos não sugerem megalias [aumento ou desenvolvimento anormal de um órgão ou parte dele], no entanto, a bioquímica do soro dos animais demonstra aumento de enzimas hepáticas e musculares sem apresentar toxidade.
 
“A associação da crotamina mostra-se um promissor caminho para tratamentos antileishmania”, considerou o cientista.
 
A equipe de pesquisadores envolvida no Depósito de Patente tem experiência na área de Biotecnologia e doenças negligenciadas, pela Fiocruz-RO. São eles: Roberto Nicolete (Fiocruz-RO e Ceará), Andreimar Martins Soares (Fiocruz-RO), Leonardo de Azevedo Calderon (Fiocruz-RO e Universidade Federal de Rondônia). Um aluno de Doutorado da Rede Bionorte, também bolsista da Fapero integra a equipe.
 
Para Nicolete, as principais contribuições à ciência, tecnologia e inovação privilegiam a difusão do conhecimento no estado e nacionalmente.
 
“Formam-se recursos humanos em nível de pós-graduação e consolidam-se colaborações locais e regionais. A área de Biotecnologia e Saúde aplicadas para o desenvolvimento de produtos e protótipos para tratamento de doenças infecciosas e crônicas ainda é um gargalo para o fortalecimento da indústria nacional, a qual setoriza suas prioridades de mercado e deixa de apoiar a sustentabilidade do SUS e a concorrência nacional na área”, disse.
 
FONTEMontezuma Cruz – Secom-RO

 





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