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Há 33 anos, União do Vegetal (UDV) chegou a Campo Novo (RO)
Publicado Quinta-Feira, 23 de Março de 2017, às 20:38 | Fonte da Redação 0
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Neste dia 31 de dezembro de 2016, está inteirando 33 anos que foi realizada a primeira sessão da União do Vegetal em Campo Novo (RO), dando sequencia a um trabalho iniciado na Bolívia. No inicío, o Núcleo Campo Novo fazia parte da 1ª Região do Centro Espírita Beneficente União do Vegetal. Atualmente, ele faz parte da 6ª Região.
 
 
Divina Providência
 
A história do Núcleo Campo Novo começou em 1977, quando uma parte da irmandade da Distribuição de Vegetal da Divina Providência no Rio Mamo, Bolívia, decide deixar a região devido às perseguições da polícia boliviana. Na época, o responsável pela Divina Providência era o Mestre Zé Pretinho.
 
Orlando Melgar de Oliveira (conhecido como Pilonti), Luis Noel Souza Neves e Raimundo Nonato da Costa que, mais na frente, viriam a compor o Quadro de Mestres do Núcleo Campo Novo, contam que a polícia boliviana proibia os seringueiros de beber o Vegetal. Nonato relata que chegou a ser “preso” com outras pessoas. Preso entre aspas porque, naquela época, no coração da Amazônia, ser preso era ser colocado num buraco cavado no chão da floresta onde não se podia escapar. Luis Noel, através de contatos com autoridades locais bolivianas, conseguiu que seus amigos fossem soltos, desde que parassem com aquela “beberagem estranha”.
 
Nos seringais de Rondônia
 
Assim em 1977, Orlando e Luiz Noel com suas familías e mais algumas pessoas decidem morar na região do Alto Candeias/RO. Passando por Porto Velho, Orlando pede ao então Mestre Geral Representante, João Ferreira da Souza (Mestre Janico), uma carta de apresentação. Pede também autorização para preparar e beber o Vegetal com sua família e demais pessoas.
 
A região do Alto Candeias, para onde se dirigiam, era o verdadeiro faroeste caboclo. Se, na década de 70, as cidades da BR 364 em Rondônia eram pequenas vilas, o interior do estado ainda não tinha nem estrada de acesso. O deslocamento acontecia pelos rios e “picadas” pela mata. Viviam na região, diversos grupos indígenas isolados e recém contatados, assim conflitos com seringueiros eram frequentes. Para engrossar o caldo, aventureiros perambulavam pela floresta atrás de minério.
 
Orlando passa a morar em uma colocação no pé da serra do Tracoá (Região que no futuro viria a ser o Parque Nacional de Pacaás Novos) e Noel, às margens do Rio Candeias. Como a viagem a pé entre as colocações demorava 8 horas, a distribuição de Vegetal começa a funcionar com as sessões no 1º sábado do mês na casa do Noel e, no 3º sábado, na casa do Orlando.
 
Em 13 de fevereiro de 1980, o então Mestre Geral Representante, Raimundo Carneiro Braga (Mestre Braga), resolve designar o irmão Orlando, já no Corpo Instrutivo, para responder pela Distribuição Autorizada de Vegetal do Alto Candeias.
 
Chegada a Campo Novo
 
Devido ao aumento das “fofocas” de garimpo, é aberto no meio da floresta, próximo às margens do rio Candeias, um novo campo de pouso e decolagem de monomotores para a retirada de minério. Junto à pista se forma um pequeno vilarejo que é batizado como Campo Novo, designação essa que viria a inspirar o nome do futuro Núcleo.
 
Com o desenvolvimento do pequeno vilarejo, em 31 de dezembro de 1983, já no Quadro de Mestres, Orlando distribuiu Vegetal pela primeira vez na localidade, em sua casa. Em 31 de dezembro de 1988 é inaugurado o primeiro templo da distribuição em terreno próprio doado por mestre Orlando.
 
No ano de 1990, o grupo atravessou um momento difícil e em 12 de agosto, o Conselheiro Amarildo Felício de Oliveira fica responsável pela distribuição. Dois anos depois, em julho de 1994, o conselheiro Francisco das Chagas de Jesus muda-se de Ariquemes/RO (onde era sócio do Núcleo Mestre Ramos) para Campo Novo com sua família e forma a primeira diretoria da distribuição.
 
Organização e crescimento
 
Em 6 de janeiro de 1995, o conselheiro Francisco das Chagas recebe a responsabilidade pela Distribuição de Vegetal, sendo convocado para o Quadro de Mestres em 1996. Em 27 de Março de 1998, a Distribuição Autorizada de Campo Novo é elevada à Pré-Núcleo e em 31 de dezembro de 2000, o Pré-Núcleo é elevado à Núcleo Campo Novo, permanecendo na representação o mestre Francisco das Chagas. No ano de 2000, também acontece o desmembramento do Pré-núcleo Mestre Nesclar localizado na cidade de Buritis/RO.
 
Depois deste período, os representantes dos respectivos triênios são: de 2003/2005 mestre Erminio Gurkewicz, de 2006/2008 mestre Geraldo Alves Ferreira, de 2009/2014 mestre Aldenir Pereira de Oliveira, filho do mestre Orlando. A partir de 2015 até a presente data, mestre Erminio Gurkewicz dá seguimento ao trabalho como representante, após ter sido Mestre Central da 6º Região na gestão anterior.
 
A amizade de Mestre Pequenina
 
Duante todos esses anos a amizade e a fraternidade fizeram parte dessa história. No início da distribuição, Mestre Pequenina passou a ter um cuidado especial pelas irmandades simples que viviam no meio da floresta, tanto nos Rios Mamu, quanto no Alto Candeias. Foi uma pessoa que visitou com frequência as localidades, oferecendo sua amizade e ensinando. Sua casa também era o ponto de apoio nas idas à Porto Velho. Pela convivência, as pessoas mais antigas a consideravam uma verdadeira mãe.
 
Mais na frente, o Núcleo Mestre Ramos, em Ariquemes, passou dar o suporte necessário para a irmandade, mesmo nos momentos mais difíceis, sempre apoiando e visitando. Hoje, a irmandade do Núcleo Campo Novo tem um intenso convívio com os outros Núcleos próximos em um trabalho de cativar e ser cativado, fortalecendo os laços de amizade.
 
A bela floresta
 
O Núcleo Campo Novo possui plantio de Mariri e Chacrona, mas a grande beleza de lá está fora do terreno, pois é uma região que ainda possui boa quantidade de Floresta Amazônica Nativa, pois localiza-se ao lado do Parque Nacional de Pacaás Novos e da Terra Indígena Uru-eu-wau-wau que totalizam 1.8 milhões de hectares. Assim, ainda muitos dos momentos marcantes do Núcleo acontecem nas idas para floresta, nas mensagens de Mariri e Chacrona nativos onde a irmandade e os visitantes podem se encantar com as belezas da Natureza e aprender mais a respeito dos seus segredos através do conhecimento caboclo da pessoas.
 
Gratidão
 
Cheguei na UDV no Núcleo Campo Novo em 2002, onde encontrei num ranchinho de palha, um povo que tinha pouca coisa material para oferecer mas que era guardião de uma grande riqueza. A irmandade me mostrou, através dos ensinamentos do Mestre Gabriel, o que era a verdadeira sabedoria e nobreza. A simplicidade das pessoas, o bom tratamento de uns com os outros imprimiu em mim e nas pessoas que vem conhecendo este Núcleo, um sentimento de amizade verdadeira que é um dos grandes legados de Mestre Gabriel.
 
Com carinho e eterna gratidão, nosso reconhecimento e admiração por todos que vem participando dessa bonita história. Que o este Núcleo continue a se desenvolver conservando suas raízes e simplicidade. Viva o Núcleo Campo Novo, viva a União do Vegetal!
 
 

*Integrante do Quadro de Mestres do Núcleo Príncipe Teceu (Brasília-DF). 





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