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A Nintendo reinventou a roda (outra vez)
Publicado Domingo, 19 de Março de 2017, às 10:50 | Fonte DN 0
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Divulgação - Foto do site  Sussuworld843 × 422Pesquisar por imagens

 

 

A fórmula é mais ou menos sempre a mesma: cada nova geração de consolas de videojogos, mais potente do que a anterior, é lançada no outono - a contar com as compras de Natal - acompanhada de uma série de títulos que aproveitam a potência do novo hardware que, grosso modo, mantêm o formato da década de 90 do século passado.

 

Neste mês, bem longe das festas, a Nintendo fez o inverso. A consola Switch quebra o molde, não é um computador particularmente potente e, basicamente, tem um único jogo (já voltamos a este pormenor). E é um êxito!

 

Não é a primeira vez que a marca japonesa parece tirar o tapete à concorrência. Já em 2006 a Wii fez frente à PlayStation 3 e à Xbox 360, ainda que tivesse uma capacidade gráfica muito inferior. Tinha era um comando sensível ao movimento, um conceito que só quatro anos depois a Microsoft, com o Kinect, viria a implementar na Xbox (a PS3 demoraria ainda mais).

 

A sucessora Wii U (2012) foi um fiasco, mas com a Switch a Nintendo demonstrou mais uma vez que sabe reinventar-se - e, essencialmente, inovar.

 

A nova consola - que se desencaixa da sua base ligada ao televisor para se transformar num portátil, cujo comando se monta e desmonta de tal forma que até pode servir para duas pessoas jogarem em simultâneo - é um êxito de vendas tal que, segundo escreveu nesta sexta-feira o The Wall Street Journal, a Nintendo ordenou à fábrica que duplique a produção.

 

Isto no início da primavera, quando estas coisas têm, naturalmente, o pico de vendas no fim do ano. E, como referi atrás, com apenas um jogo.

 

Estou a exagerar propositadamente. Na realidade o lançamento da Switch foi acompanhado de dez títulos, mas apenas um merece menção - The Legend of Zelda: Breath of the Wind.

 

Trata-se do 19.º jogo da saga The Legend of Zelda, cujo primeiro capítulo, que dá o nome à série, foi lançado no "pré-histórico" ano de 1986!

 

Zelda é uma tradição para a história da Nintendo quase sem paralelo no mundo dos videojogos (na concorrência, a Xbox tem o exclusivo da série Halo, desde 2001 - data da primeira consola da Microsoft; na PlayStation, se contarmos apenas a questão da exclusividade, só ocorre a série Gran Turismo, simulador automóvel, pelo que não tem comparação).

 

O novo Zelda é já considerado, pela crítica, um dos melhores jogos alguma vez produzidos. É um imenso mundo aberto, no qual os jogadores têm uma liberdade de ação ainda maior do que a oferecida por outros universos como o Grand Theft Auto (GTA) ou o Assassin"s Creed. Nestes, ainda que todo o "mapa" seja explorável ao ritmo que o jogador quiser, a progressão no jogo depende de missões predeterminadas pelos programadores. Em Zelda, essa mecânica é secundarizada, sendo a narrativa programada não linear. Por exemplo, há missões (jogos dentro do jogo) que podem ser realizadas por qualquer ordem - ou nem sequer ser feitas.

 

O resultado, para o jogador, é um nível de liberdade de ação nunca antes visto num jogo deste género. (Há outros que oferecem universos abertos até maiores, como o No Man"s Sky, em que se cria uma galáxia inteira para ser explorada. Mas são coisas diferentes. Em Zelda: Breath of the Wind, há de facto uma história para seguir - a forma de o fazer é que pode ser diferente de um jogador para o outro).

 

Pode um único jogo justificar o investimento numa consola? Depende. Para mim, francamente, não. Mas se a sua resposta for sim, caro leitor, este novo Zelda é sem dúvida uma belíssima razão para o fazer.

 








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