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Estudantes fazem vaquinha para participar de competição mundial de física
Publicado Segunda-Feira, 13 de Fevereiro de 2017, às 19:25 | Fonte Galileu 0

 
 

 

  (Foto: Arquivo Pessoal/Matheus Pessôa)

(FOTO: ARQUIVO PESSOAL/MATHEUS PESSÔA)

 

 

Uma turma de estudantes do curso de Física e engenharia da Universidade Federal do ABC (UFABC) está arrecadando dinheiro para participar da fase final da competição mundial International Physicist’s Tournament (IPT).

 

O torneio junta estudantes de física do mundo todo para competirem enquanto tentam resolver problemas ainda não solucionados da área. Se tudo der certo, Matheus Pessôa, Isabella Bijotti, Henrique dos Santos, André Martins de Moraes, Pedro Sardelich e Ricardo Gitti serão os participantes do primeiro grupo brasileiro a participar da competição, que ocorrerá na Suécia entre os dias 8 e 13 de abril. 

 

O IPT junta equipes de 17 países para resolverem enigmas físicos que vão desde a construção de um aparato capaz de produzir aurora boreal, estimar a altura que uma pipoca pula com base no som produzido por ela ou arquitetar um carrinho movido a luz. Todos sempre com a proposta de misturar conceitos físicos com objetos e situações cotidianas.

 

O desafio dos estudantes, no momento, é bancar a viagem até lá. Segundo Matheus Pessôa, um dos integrantes do grupo, eles se inscreveram para receber apoio financeiro da faculdade. A chance de serem aprovados, no entanto, é incerta. E, mesmo assim, a quantia dada pela UFABC ainda seria aquém da necessária. “A universidade só poderá dar no máximo 1,5 mil reais. A passagem para a Suécia custa em torno de 3 mil reais. Por isso precisamos do apoio de fora”, explicou ele à GALILEU.

 

Além do custo da viagem, é preciso pagar uma taxa de mil euros por time, que custeia toda a acomodação e alimentação durante os seis dias de competição. Os membros criaram uma página no site de arrecadação de fundos Vakinha para pedir a ajuda de quem puder contribuir com o projeto. Eles também estão aceitando patrocínio de empresas que quiserem apoiar a ideia.

 

O time precisa atingir a marca de R$ 26 mil, que serviria única e exclusivamente para bancar a viagem e a taxa de inscrição. “Ficamos um pouco decepcionados porque na página está que um dos boletos a serem pagos teria o valor de 20 mil reais, mas acabamos de descobrir que ele é, na verdade, falso”, lamenta Pessôa.

 

“A nossa ideia principal, sendo a primeira equipe do Brasil a participar, é conseguir motivar os outros alunos no estudo da física e ciências exatas”, conta o estudante. “Queremos mostrar como a física está presente na vida das pessoas. Queremos trazer palestras e seminários para escolas e dizer como resolvemos os problemas. Pensamos em ir escolas públicas para estimular esse aprendizado. Todo mundo tem um momento especial que motivou a pessoa a estudar física."

 

Os competidores estão montando um blog em estilo de diário de bordo e um canal no YouTube onde eles explicarão como resolveram cada um dos enigmas da competição. Para o grupo, essa é a forma de retribuir à sociedade a oportunidade que estão tendo.

 

 

  (Foto: Arquivo Pessoal/Matheus Pessôa)

  (Foto: Arquivo Pessoal/Matheus Pessôa) (FOTO: ARQUIVO PESSOAL/MATHEUS PESSÔA)

 

 

O grupo se inscreveu na competição por conta própria, já que nenhum time do país havia participado do campeonato, e precisou passar por uma pré-seleção enviando uma proposta de solução para um dos problemas. Além de passar para a fase final, os alunos se classificaram com um dos seis melhores times inscritos.

 

O IPT é uma competição diferente de todas as outras. Meses antes, a organização libera os 17 problemas que farão parte da competição e todos os grupos elaboram o máximo possível de respostas para eles. Depois, se a equipe conseguir ir para Suécia, terão de enfrentar os outros times em um formato muito parecido com um seminário científico, onde apresentarão suas teses. A fase final é carinhosamente chamada de “Physics Fight” (que significa algo como “Batalha dos Físicos").

 

Nela, uma das equipes escolhe um dos 17 problemas para desafiar outra a solucioná-lo. O time desafiado tem de dez a vinte minutos para defender sua hipótese. Depois, os membros adversários apresentam várias questões que precisam ser respondidas por aqueles que apresentaram uma solução. No final, uma terceira equipe julga o debate, e decide qual dos lados apresentou os melhores argumentos.

 

Se vencerem o campeonato, os brasileiros poderão receber prêmios que vão desde computadores a outros produtos. Mas o que mais atrai os graduandos é a possibilidade de serem reconhecidos no campo acadêmico desde cedo. Pessôa ressalta que os organizadores da competição já se mostraram interessados em publicar as soluções propostas pelos grupos, o que acarretaria grande visibilidade para eles e, consequentemente, para o Brasil.

 

*Com supervisão de Isabela Moreira







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