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Com investimentos de R$ 35 milhões; agropecuaristas de Roraima constroem frigorífico mais moderno do Brasil
Publicado Quinta-Feira, 9 de Fevereiro de 2017, às 12:12 | Fonte comprerural.com 0
http://www.ariquemesonline.com.br/noticia.asp?cod=321205&codDep=50" data-text="Com investimentos de R$ 35 milhões; agropecuaristas de Roraima constroem frigorífico mais moderno do Brasil

  
 
 

Investimento já chega a R$ 35 milhões, com previsão de a fábrica começar a funcionar ainda neste primeiro semestre do ano.
 
Há sete anos, dez empresários roraimenses do ramo agropecuário decidiram não ficar mais dependendo do poder público. O grupo começou a construir o matadouro mais moderno do Brasil, o Frigo 10, no quilômetro 482 da BR-174 sul, na zona rural de Boa Vista, saída para Manaus (AM). O investimento até o momento já chega a R$ 35 milhões e a previsão é que o matadouro seja inaugurado ainda no primeiro semestre deste ano.
 
O empresário e agropecuarista Antônio Denarium, um dos sócios do Frigo 10, lembrou que e ideia surgiu da necessidade dos produtores rurais regionais abaterem o gado em um local seguro, como o exigido pelas normais sanitárias, uma vez que o Matadouro e Frigorífico Industrial de Roraima (Mafirr), segundo ele, não atende mais à demanda e não tem capacidade de abate, nem condições sanitárias.
 
Empresário Antônio Denarium, um dos sócios do Frigo 10, disse que a ideia nasceu da necessidade de se abater o gado em local seguro (Fotos: Antônio Carlos / folhabv.com.br
 
“Hoje Roraima produz excesso de carne todo mês. O nosso rebanho gira em tono de um milhão de cabeças e, por mês, abatemos cerca de 10 mil animais. Desse total, 30% vão para Manaus. Temos que pagar um frete de R$ 3.500 por cada caminhão com 20 bois. O frete do caminhão com 100 bois refrigerados custa R$ 5 mil. Se tivéssemos condições de abater aqui, isso com certeza reduziria o custo da produção”, observou.
 
Segundo Denarium, a pecuária roraimense ficou estagnada devido à falta de uma indústria para o abate. Por causa disso, cerca de dois mil bois são vendidos todo mês para Manaus, onde são abatidos porque o Mafirr há anos não atende mais à demanda. “Foi isso que nos fez ter a ideia de construir o Frigo 10. Foi justamente para suprir a demanda, mas o importante é que lá na ponta quem ganhará será o nosso consumidor, que terá uma carne com mais qualidade”, frisou. (AJ)
 
Frigo 10 vai abater até 80 bois por hora
 
O Frigo 10 é o matadouro mais moderno do Brasil com capacidade de abater até 80 bois por hora. O empreendimento vai gerar 300 empregos diretos e mais de três mil indiretos. Com a segurança no abate, Antônio Denarium acredita que o matadouro vai atrair novos investidores para o Estado.
 
“Este modelo de produção integra agricultura e pecuária. Plantamos determinada cultura e colhemos. Depois, plantamos capim que vira pasto. É um ciclo de culturas que no final ainda recupera áreas de pastagens degradadas, tudo de acordo com as leis de proteção ambiental”, observou o empresário.
 
Nos primeiros meses, o Frigo 10 irá produzir de olho nos mercados local e regional. Atendendo a demanda, a carne roraimense poderá abastecer o mercado do país vizinho, a Venezuela, que é o 4º maior importador de carne do Brasil e o primeiro importador de boi vivo.
 
“A carne vinha de Rondônia e os bois vivos do Pará. E nós, ao lado deste grande mercado consumidor, não podíamos vender nossa carne, nem o animal vivo, porque havia restrição de febre aftosa e o Mafirr não dá conta. Mas com o Frigo 10 funcionando e Roraima já com status livre de aftosa, vamos entrar neste competitivo mercado, assim que nosso rebanho começar a crescer”, frisou. (AJ)
 
Processo de abate pode durar até 36 horas
 
O médico veterinário Carlos Bocehi, de 39 anos, diretor do Frigo 10, explicou o processo de abate. O gado primeiro fica em um curral, onde é inspecionado por técnicos de órgãos de vigilância sanitária. De lá, aprovado, o boi segue para outro curral, onde toma banho antes de ir para o abate.
 
Do setor do abate sujo, o gado começa então a passar por vários processos de corte de carne, limpeza e seleção de miúdos. Mas primeiro entra na área de buchação, onde o bucho do animal é limpo. Depois, o gado vai para a área do mocotó e miúdos. O couro já ficou em outro setor.
 
O boi primeiro recebe dois cortes transversais e desce para a câmara de resfriamento, onde é partido em seis pedaços, dois traseiros, dois dianteiros e duas pontas de agulha. O processo é contínuo e pode durar até 36h, do abate até a venda da carne, que pode ficar estocada por até um ano”, ressaltou.
 
No setor de miúdos, o bucho é resfriado ainda em movimento. Há três câmaras de resfriamento com capacidade para armazenar até 160 bois abatidos, cada. Dependendo da produção, há mais duas a serem utilizadas. O frigorífico tem uma rede de tratamento de água e fluentes, e todo o esgoto é de inox. Tudo de acordo com as normas da Vigilância Sanitária.
 
O maquinário da fábrica é de última geração e todo automatizado. A sala de máquinas, que abriga três potentes compressores, funciona como o coração do Frigo 10, porque é de lá que saem todos os comandos. Ao lado do frigorífico tem outra indústria que manufatura osso, chifre e couro.
 
O processo começa no digestor e esterilizador, que funciona como uma imensa panela de pressão com capacidade para até nove mil quilos. A fábrica também conta com um potente gerador de energia e com uma caixa de água com capacidade para um milhão de litros.
 
“O que é legal também dizer é que todo este investimento foi feito porque acreditamos no potencial desta terra. O que podemos comprar aqui, nós compramos. Este frigorífico tem um dos melhores sistemas de abate do mundo. Nossa carne sairá daqui com o selo do SIF [Serviço de Inspeção Federal]”, frisou o diretor. (AJ)
 
Gado de corte movimenta R$ 25 milhões por mês
 
A pecuária é um dos setores mais fortes da economia de Roraima. Um boi vivo, segundo Antônio Denarium, custa em média R$ 2.500,00 e dez mil animais são abatidos por mês no Estado, o que dá R$ 25 milhões. O empresário lembrou que este número representa apenas o gado de corte, sem contar o leiteiro e o mercado de animais vivos em que pecuaristas negociam garrotes e vacas.
 
Outra saída para o setor é a regularização fundiária. Denarium disse que, com a aprovação do Zoneamento Ecológico Econômico (ZEE), Roraima atrairia novos investidores, que teriam acesso a linhas de crédito, o que com certeza aumentaria a produção.
 
“Acredito que, nos próximos meses, o governo conclua esta regulamentação fundiária e que os produtores recebam seus títulos. Aí, sim, com a ZEE aprovada, Roraima livre de aftosa e com o Frigo 10 a todo vapor, vamos alavancar a produção de carne. O que era um sonho hoje está virando realidade”. (AJ)
 

Reprodução do site folhabv.com.br 








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