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Artigos: a MALA E O ESTETOSCÓPIO
A MALA E O ESTETOSCÓPIO
Quando o capitão Sílvio de Farias e o agrônomo Assis Canuto começaram a executar o mais bem-sucedido modelo de reforma agrária do Norte do Brasil, no Território Federal de Rondônia, aportou na Vila Ariquemes, em 1976, um cidadão vindo..
Publicado Terça-Feira, 17 de Maio de 2016, às 09:36 | Fonte Osmar Silva 0
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A MALA E O ESTETOSCÓPIO
 
Quando o capitão Sílvio de Farias e o agrônomo Assis Canuto começaram a executar o mais bem-sucedido modelo de reforma agrária do Norte do Brasil, no Território Federal de Rondônia, aportou na Vila Ariquemes, em 1976, um cidadão vindo das terras de Goiás, trazendo a tiracolo a jovem esposa e, na mala, os estetoscópios e os diplomas de doutores em medicina dos dois.
Ali, no entorno de uma pista de pouso de chão, nas margens do Rio Jamari, circundado por casinhas de madeira, paxiuba e palha de babaçu, em plena floresta amazônica, ele deu início a uma nova história de vida que vem construindo, obstinadamente, tijolo a tijolo, dia após dia. Seduzidos pela a aventura de desbravar a Amazônia e o apelo do governo da revolução: “integrar para não entregar” que, certamente, ouvia no quartel e nos corredores da faculdade.
O médico Confúcio Aires Moura tinha 27 anos quando se arranchou num barracão e, com a doutora Alice, sua mulher, deram início ao atendimento dos moradores do lugar: garimpeiros, seringueiros, agricultores, comerciantes e aventureiros de todos os matizes. Foi o primeiro médico a aparecer por aquelas bandas do Brasil.
Sem água encanada, sem energia elétrica, sem correios e sem telefone tinham, como meio de comunicação, os aviões que pousavam e decolavam carregados de cassiterita e os ônibus que desafiavam os 1.500 quilômetros de terra, poeira ou atoleiro, entre Cuiabá e Porto Velho. Por eles, chegavam remédios, materiais. Saiam e chegavam mensagens, informações, recados. 
Ele logo foi contratado pelo governo do território para cuidar da gente daquele sertão que vinha sofrendo ataques crescentes de malária. Na medida em que os colonos chegavam, aumentava a incidência de vítimas dos anofelinos. Começava o dia atendendo dezenas de doentes tremendo de frio e febre sob o efeito do plasmodium do Falciparum ou do Vivax. Ou os quebrados, com ossos expostos, decorrente de acidentes com motosserras e derrubadas. 
Em 1977, Confúcio mudou para a nova Ariquemes, cidade projetada que acabara de nascer, rasgando a floresta de uma planície um pouco distante da vila que o acolheu. Ali, construiu o Hospital São Francisco e, seduzido por Jerônimo Santana, deputado federal do MDB e maior líder da oposição da época, ajudou criar, em 1983, o Diretório Municipal do PMDB, partido do qual nunca mais saiu.
Como todo colono, também pegou um pedaço de terra às margens da BR-364 onde foi construindo palmo a palmo, a Fazenda São Francisco. Agora, além de médico, era líder político e empresário urbano e rural. Mesmo com tantas obrigações, Confúcio nunca se descuidou do hábito de ler. Prazer que vem exercendo, junto com o de escrever, ao longo de sua caminhada.
Herdou do pai, Zeferino de Sena Moura, o gosto pelas letras que hoje esgrime em crônicas, blog e livros. Embora não tenha passado do segundo ano primário, o vaqueiro, pedreiro, candango de Brasília, tinha o hábito de ler tudo que lhe caía nas mãos. Até o Código Civil e Penal. E transferiu para o filho esse gene intelectual que o transformou em professor, aos 20 anos, quando era policial militar em Goiana. E nesse esforço para superar as agruras da vida pobre e humilde, Confúcio recebia os estímulos carinhosos de dona Anelídes Aires Moura, sua mãe.
Tempo dos marechais e generais poderosos que governavam o Brasil. Mas o jovem Confúcio não se encantou com o brilho das estrelas de metal. Usou foi o quartel para expandir sua personalidade humanista. Dirigia a escola Dom Abel e lecionava no Centro de Formação e Aperfeiçoamento da Polícia Militar, em Goiânia, enquanto estudava medicina na Universidade Federal de Goiás. E não titubeou em largar a farda para começar uma vida nova na Amazônia.
De temperamento afável, riso aberto, jeito tímido, Confúcio conquistou a confiança e a amizade de pacientes e muita gente. Levando a vida entre a casa e o trabalho, cultivando o hábito de dormir cedo e começar o trabalho na madrugada, após andar e correr, gosto que trouxe dos tempos do quartel. Em 1982, quando Rondônia virou estado, o médico já era um cidadão de crescente prestígio na Região. 
Foi quando aceitou a incumbência de fundar o Country Clube de Ariquemes que se transformou em ponto de encontro da sociedade que se formava. Ali, construiu a primeira piscina da cidade. E pôs o pé na estrada da vida pública.
Tanto que, em 1986, quando o seu amigo Jerônimo Santana conquistou o diploma de primeiro governador eleito do novo estado de Rondônia, sentiu-se contingenciado a assumir a titularidade da Secretaria de Estado da Saúde. E realizou o seu primeiro grande feito na seara política e administrativa: implantou o SUS, o Sistema Único de Saúde, em Rondônia. E construiu hospitais, implantou serviços e ampliou o atendimento à população. Deixou sua marca em inúmeras placas de inaugurações.
Após esse período retornou às atividades médicas e empresariais em Ariquemes. Com sua Alice e o cunhado Rafael, também médico, Confúcio construiu o moderno Hospital São Francisco e ampliou sua ação na pecuária e, de modo experimental, na criação de peixe em cativeiro. Mas esse tempo, dedicado também à vida doméstica e às filhas Bárbara e Débora, não demorou muito. O comichão da política já se instalara em suas veias.  
E assim, atendendo ao partido e aos amigos, foi eleito deputado federal por três mandatos seguidos entre 1º de fevereiro de 1995 a 31 de dezembro de 2004. Na Câmara Federal foi parlamentar proativo, atuante. E tomou gosto de vez pela política. Além de participar de importantes comissões onde se destacou em várias relatorias, foi vice-líder dos blocos PMDB/PTN, PMDB/Prona e vice-líder da bancada federal do PMDB. Sob a orientação de Michel Temer, presidente da Casa.
Período de grande produtividade parlamentar e política. Ampliou sua base eleitoral no Vale do Jamari estendendo sua atuação para outras regiões como o Vale do Guaporé. Foi um dos parlamentares que mais obteve e destinou emendas para os municípios do estado naquele tempo. Foi aí que aflorou o seu espírito municipalista que até hoje se destaca. 
Deixou a Câmara Federal e na sequencia foi eleito prefeito de Ariquemes para dois mandatos consecutivos, entre 1º de janeiro de 2004 e 31 de março de 2010, pelo PMDB que fundou e dirigiu, tanto no município quanto no estado.  
Imprimiu uma gestão transformadora, modernista e progressiva que a história de Ariquemes hoje divide em antes e depois de Confúcio. O Sebrae nacional duas vezes o distinguiu com o diploma de prefeito empreendedor do Brasil além de outros títulos nacionais que lhes foram conferidos.
Mas o maior reconhecimento, veio mesmo foi do povo de Rondônia que, no mesmo ano de 2010, o elegeu governador do estado que ajudou a criar. Já no segundo mandato, Confúcio vem imprimindo sua marca renovadora, dando resolutividade a demandas rejeitadas pelos antecessores e modernizando o estado para suportar os desafios do momento político adverso que o Brasil vem enfrentando. Esforço vitorioso e coroado pelo reconhecimento de organismos nacionais e internacionais que estão colocando Rondônia num patamar de destaque nacional. Para o orgulho do povo rondoniense.
 
OsmarSilva – Jornalista – osmarsilva@

 








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