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Pará: vendedor de bombom se forma em medicina
De vendedor de bombom em ônibus a médico no Pará
Jessé Soares conquistou registro profissional na quarta-feira (20). Médico conseguiu trabalho em hospital do interior do Pará.
Publicado Sábado, 23 de Maio de 2015, às 18:16 | Fonte Do G1 PA 0
http://www.ariquemesonline.com.br/noticia.asp?cod=295472&codDep=30" data-text="De vendedor de bombom em ônibus a médico no Pará
  
 
 

Estudante que vendia bombons no ônibus se gradua em medicina
Jessé Soares conquistou registro profissional na quarta-feira (20).
Médico conseguiu trabalho em hospital do interior do Pará.
 
 
 
 
 
 
 
Médico diz que certeza de vida melhor foi motivação para continuar os estudos (Foto: Jessé Soares / Arquivo Pessoal)
Médico diz que certeza de vida melhor foi motivação
para continuar os estudos
(Foto: Jessé Soares / Arquivo Pessoal)
 
"A senhora pode ficar tranquila, tome este remédio que o bebê está bem", recomenda o médico Jessé Soares a uma paciente que procurou atendimento no hospital de Limoeiro do Ajuru, onde o jovem trabalha há cerca de um mês. "Ela está grávida e caiu, mas vai ficar tudo bem", explica.
 
Assim como sua paciente, a trajetória do médico também teve momentos em que foi preciso levantar para ver tudo ficar bem: o jovem que vendia bombons nos ônibus de Belém para pagar as despesas com material da faculdade de medicina da Universidade do Estado do Pará (UEPA) concluiu o curso e conseguiu seu registro profissional na última quarta-feira  (20).
"Foram vários momentos em que batia uma angústia de querer estudar e não ter condições, mas sempre vinha um sentimento de que, quando eu terminasse, as coisas seriam melhores. E estão melhorando", comemora.
 
Casado e pai de duas meninas, Soares diz que espera receber o primeiro salário para poder comemorar a conquista com amigos e a família. "A cerimônia na universidade foi simples, agora aguardo o fim do mês para receber e fazer uma comemoração com os amigos", disse.
 
Segundo Soares, o próximo desafio é escolher uma área de especialização, que pode ser oncologia ou neurocirurgia. "Estou estabilizando minha vida para fazer residência. Eu quero oncologia ou neuro, que são áreas que exigem bastante dedicação e estudo. Ainda não decidi se vou fazer as provas no final do ano ou em 2016", relata.
Jovem divulgou uma foto sua com a mensagem 'Jessé Soares: estudante de medicina e vendedor de rua" (Foto: Jessé Soares / Arquivo pessoal)
 
Determinação 
 
Soares nasceu em Limoeiro do Ajuru, cidade com 25 mil habitantes localizada no nordeste do Pará, perto da ilha do Marajó. Ele conta que passou mais da metade dos seus 25 anos no município, completando o ensino médio graças ao esforço da mãe, agente comunitária de saúde, e do pai, carpinteiro. Como outros ribeirinhos, Soares aprendeu a pescar, colocar armadilhas no rio para capturar camarões, subir no açaizeiro, e as técnicas da marcenaria para produzir móveis e utilitários.
 
Sua primeira aprovação no ensino superior foi no curso de licenciatura em física, mas a pontuação obtida pelo então calouro garantiria vagas em cursos mais concorridos - foi daí que ele decidiu, em 2009, tentar cursar medicina.
A minha história é legal porque terminou bem, mas não desejo o que eu passei para ninguém."
Jessé Soares, médico
 
O jovem foi aprovado e se mudou para um quitinete no bairro do Guamá, em Belém. No mesmo ano, a namorada dos tempos de cursinho ficou grávida da primeira filha do casal. Com isso, aumentaram os gastos, e o jovem precisou completar a renda vendendo bombons por R$ 0,50 nos coletivos da capital.
 
Porém, o tempo que o jovem gastava nos coletivos limitava as horas disponíveis para o estudo. Para conseguir se graduar, Jessé fez uma campanha nas redes sociais em 2013, arrecadando dinheiro suficiente para se manter até o final do curso.

Segundo Soares, sua dificuldade serviu de motivação para garantir o futuro das filhas Ewelyn e Ana Clara. "Eu vou investir na educação delas, para que não aconteça com elas o que aconteça comigo. A minha história é legal porque terminou bem, mas não desejo o que eu passei para ninguém. Espero que elas tenham uma vida mais fácil", disse. 








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