Livros para entender Rondônia: O Poder do Santo Daime, de Arneide Bandeira Cemin
Atualmente podemos observar um aumento na produção acadêmica e não acadêmica sobre o cipó dos mortos, ou ayahuasca.
Publicado Terça-Feira, 26 de Maio de 2015, às 10:59 | Blog do Beto Bertagna

 

Atualmente podemos observar um aumento na produção acadêmica e não acadêmica sobre o cipó dos mortos, ou ayahuasca. Este psicoativo de uso milenar e de origem amazônica é composto, basicamente, por talos de cipós do gênero Banisteriopsis (Malpighiaceae), ricos em β-carbolinas (harmina, tetrahidroharmina e harmalina) (Grob et al., 1996) fervidos por várias horas ou mesmo dias  e adicionados com dezenas de possíveis misturas vegetais, cada qual com seus significados medicinais, espirituais e rituais (Ott, 1994). Dentre estas várias de plantas, Psychotria viridis (Rubiaceae) e Diplopteris cabrerana (Malpighiaceae), ambas ricas em dimetiltriptamina, ou simplesmente DMT, são as principais, tanto por seus efeitos psicoativos e potenciais terapêuticos quanto por seu valor simbólico (Schultes & Hofmann, 1992).
 
Embora presente em grande parte da Amazônia Ocidental, aonde vem sendo utilizada há milênios por dezenas de grupos indígenas (Luna, 1986), a ayahuasca é hoje contextualizada – em grande parte dos casos – em relação às grandes religiões ayahuasqueiras brasileiras (Santo Daime, Barquinha e União do Vegetal) que a consomem como um sacramento, e possuem um alto grau de organização institucional.
 
O presente texto tem como objeto de reflexão o livro da antropóloga Arneide Bandeira Cemin, “Ordem, xamanismo e dádiva – O poder do Santo Daime”, versão reduzida de sua tese de doutorado em Antropologia Social (USP) que disserta sobre aspectos variados de uma das maiores religiões ayahuasqueiras. Com trabalhos de campo realizados nos grupos mais antigos do culto do Santo Daime (Alto Santo Rio Branco/AC e Porto Velho/RO), o trabalho da autora discorre sobre as influências, cosmovisões e aspectos socioculturais que formaram os grupos em questão, além de conectar o uso da ayahuasca com os aspectos mais amplos da sociedade brasileira tanto da época da criação do culto como da atualidade.
 
 
Editora: Terceira Margem.
Ano de publicação: 2001.

Número de páginas: 269.