Demissões no Amazonas estão acima da média nacional, diz Caged
A indústria foi o setor que mais demitiu no período, contribuindo para a queda de 0,84% verificada em abril em relação a março.
Publicado Sábado, 23 de Maio de 2015, às 18:06 | D24am

 

Em abril, 3,8 trabalhadores foram demitidos no Amazonas.

Em abril, 3,8 trabalhadores foram demitidos no Amazonas.

Manaus - Mais de 3,8 mil trabalhadores perderam seus empregos no Amazonas, em abril e, em um ano, são 12,5 mil vagas perdidas, de acordo com o levantamento do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado nesta sexta-feira, pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). A indústria foi o setor que mais demitiu no período, contribuindo para a queda de 0,84% verificada em abril em relação a março. Com esta redução, o Amazonas fica acima da média nacional de demissões, que foi de 0,24% menos empregos gerados no País.
 
Segundo os dados do Caged, em abril de 2015, dos 3.899 postos de trabalho eliminados, 2.308 foram da indústria, 733 demissões do setor de serviços e 571 menos empregos na construção civil.
 
Na série ajustada, que incorpora as informações declaradas fora do prazo, nos quatro primeiros meses de 2015 houve uma retração de 9.141 postos (-1,95%). Ainda na série com ajustes, nos últimos 12 meses verificou-se baixa de 2,65 % no nível de emprego ou menos 12.546 postos de trabalho.
 
De acordo com o vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Nelson Azevedo, as empresas estão enfrentando dificuldades e os resultados mostram a queda na atividade.  “Os índices de faturamento e de emprego estão menores quando comparados com o mesmo período do ano passado”, disse.
 
Em abril deste ano, apenas os setores de administração pública e agropecuária apresentaram resultados positivos, ambos não alcançando nem 1% de aumento. Em todo o Estado, no acumulado de janeiro a abril deste ano, as empresas realizaram 63 mil contratações, ao mesmo tempo em que demitiram 72 mil trabalhadores, restando o saldo de menos 9 mil empregos gerados. Dentre os Estados da Região Norte, o Amazonas ficou atrás apenas do Pará, que acumulou saldo negativo de 9,7 mil.
 
Ao apresentar os números em Florianópolis (SC), o ministro de Trabalho e Emprego, Manoel Dias, argumentou que o País vive uma crise política e não econômica, e a campanha para gerar na opinião pública uma percepção de grave crise afeta as empresas, que ficam num compasso de espera. “Quem pretende empreender, desiste e não contrata, o que se reflete no mercado de trabalho”, explicou Dias.
 

Em abril, a indústria puxou o resultado do emprego para baixo, com o fechamento de 53.850 postos de trabalho. Questionado se o setor demonstrava paralisação, respondeu: “Segundo o Caged, sim”. “A indústria já vem desde o ano passado sendo o setor da economia que reduz mais postos de trabalho”, completou, ressaltando que comércio e construção civil também colaboraram para o número ruim do mês passado.