Ministro diz que governo vai dar mais vistos a haitianos
Apesar da suspensão do envio de imigrantes do Acre para São Paulo por falta de estrutura, governo federal diz que país pode receber mais refugiados
Publicado Sexta-Feira, 22 de Maio de 2015, às 08:55 | VEJA ONLINE

 

Refugiados Haitianos em São Paulo(Nelson Antoine/ Fotoarena/VEJA)

Refugiados Haitianos em São Paulo(Nelson Antoine/ Fotoarena/VEJA)

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo (PT), afirmou que a emissão de vistos aos haitianos no Brasil será ampliada. Ele também disse vai ao Peru, Equador e Bolívia dialogar com as autoridades sobre a exploração dos refugiados por coiotes (agentes que conduzem imigrantes ilegalmente nas fronteiras). Mesmo com a suspensão do irresponsável envio de haitianos do Acre para São Paulo, ônibus em Rio Branco (AC) continuavam a oferecer a rota nesta quinta-feira.
 
Na terça-feira, o governo Tião Viana (PT) havia começado a despachar para São Paulo cerca de 1.000 haitianos sem comunicar ao governador Geraldo Alckmin (PSDB) e ao prefeito paulistano, Fernando Haddad (PT). A prefeitura de São Paulo diz que não tem condições de recebê-los. Na capital paulista, eles superlotam abrigos de uma paróquia e são obrigados a dormir, comer e tomar banho de forma precária.
Em reunião nesta quinta no Palácio do Planalto com o governador do Acre, a Casa Civil e o Itamaraty, Cardozo disse que pretende criar medidas em conjunto com esses três países para evitar a continuidade da "exploração dessas organizações criminosas". "Nós vamos também melhorar nossa coordenação com o Acre. Na medida em que essas organizações colocam a entrada pelo Estado, em condições lamentáveis, o Acre fica em situação vitimizada", argumentou o ministro.
 
Cardozo explicou ainda que é possível absorver os haitianos que chegam ao Brasil, mas que é preciso punir quem oferece meios ilegais de ingresso no país. "Não podemos tratar as vítimas como vilões. Agora, que se cumpra a lei e se puna os verdadeiros criminosos."
Segundo ele, será melhorada a coordenação da situação de acolhimento e encaminhamento desses haitianos para outros Estados. "Há uma entrada ilegal organizada por coiotes, que obriga as pessoas a um percurso terrível, e peçam refúgio." O governo tem negado o refúgio e encaminhado os haitianos para obtenção de vistos de trabalho.
 
O governador Tião Viana afirmou que mais de 38.000 haitianos passaram pelo Acre ilegalmente, o que gerou um gasto de 25 milhões de reais em quatro anos. Viana disse que São Paulo recebeu menos de 30% dos imigrantes até agora. "São Paulo teve dificuldades com a chegada de 100, imagina nós, que tivemos de lidar com mais de 300 em dois dias."

Rota - Nesta quinta-feira, um ônibus da empresa Trans Brasil - com sede na cidade de Ouro Preto do Oeste, em Rondônia - estacionou próximo de um abrigo montado em Rio Branco (AC) para receber os haitianos e dois funcionários venderam passagens aos imigrantes. Refugiados também buscavam transporte para outras cidades. Um aviso na frente do abrigo sugeria seis capitais: Porto Velho (RO), Cuiabá (MT), Campo Grande (MS), Curitiba (PR), Florianópolis (SC) e Porto Alegre (RS).