HATER E A PROPAGAÇÃO DO ÓDIO NAS REDES SOCIAIS
As redes sociais são importantes meios de comunicação nos dias de hoje, proporcionando uma interação rápida e ágil para o público em geral, permitindo que uma notícia possa dinamicamente atingir o seu destinatário. Mas ao mesmo tempo em que é breve
Publicado Segunda-Feira, 18 de Maio de 2015, às 10:09 | Walter Gustavo Lemos

 

Por: Walter Gustavo Lemos
Secretário-geral Adjunto e ouvidor da OAB/RO 
 
As redes sociais são importantes meios de comunicação nos dias de hoje, proporcionando uma interação rápida e ágil para o público em geral, permitindo que uma notícia possa dinamicamente atingir o seu destinatário. Mas ao mesmo tempo em que é breve na propagação das notícias, também acaba por propagar discursos carregados de comentários com palavras de ódio, ofensas e xingamentos, como forma de retirar o conteúdo positivo da notícia e impor-lhe a pecha de algo ruim e ridicularizado. Isso passou a ser algo corriqueiro na internet e nestes canais de rápida comunicação, sendo que as pessoas que promovem este tipo de conduta acabam sendo chamadas de “hater”, uma palavra que pode significar “aquele que odeia”.
 
Os haters são internautas que miram um assunto ou uma pessoa específica e começam a atacar no mundo virtual. O ataque de um hater pode vir de várias maneiras, mas geralmente as provocações são feitas por comentários públicos ou mensagens privadas. Este termo é um meio de definir pessoas que postam comentários de ódio ou crítica sem muito critério, aproveitando postagens realizadas por outras pessoas nas redes sociais para empreender suas ações de propagação da ira. — Os haters são pessoas com ideologias fortes e que não aceitam opiniões divergentes. Para atacar os internautas com ideias diferentes, eles se unem e enviam mensagens de ódio. - É o que descreve Renato Rovai, professor de Jornalismo Digital na Faculdade Cásper Líbero, explanando sobre o universo dos haters e a atuação destes no mundo cibernético.
 
A ideia dos haters é a disseminação do ódio a todos que não promovem o compartilhamento dos mesmos pensamentos ideológicos que os seus, atuando de forma a impregnar a rede com uma atuação fundamentalista. A atuação destes, na maioria das vezes, dá-se em conjunto, de forma ordenada e linear, com o objetivo de impor às suas vítimas mensagens de ódio como uma resposta de publicação ou opinião postada por ela. A vítima acaba por expressar uma opinião, publicar uma foto, discutir um assunto que acha importante ou expor uma atitude para o mundo virtual, quando recebe uma enxurrada de opiniões de haters propagando o ódio contra tal postagem da vítima. Os haters atuam contra aqueles que pensam de maneira diferente deles, na tentativa de impor seu pensamento de ódio, preconceito, discriminação, sexismo, xenofobia e, muitas vezes, racismo.
 
Um exemplo ocorreu a poucos dias numa rede social, quando uma jornalista negra postou uma foto sua numa festa, quando passou a receber uma série de comentários preconceituosos e racistas, de forma a desmerecer a sua identidade, a sua cor e a sua condição social. Tais atuações de haters acabam por promover ações que são desrespeitosas ao indivíduo ou a um grupo social, mas que, na maioria das vezes, também importam em condutas criminosas devidamente estabelecidas no Direito. A lei impõe tais condutas para impedir que a sociedade ou parte dela acabe por promover ofensas a um grupo ou um indivíduo, de forma a permitir a convivência e a atividade conjunta do homem, ordenada e organizada conscientemente, no caminho que leve ao desenvolvimento desta mesma sociedade. Portanto, não devemos promover a propagação do ódio, quer em nossa vida social ou em nossa atuação nas redes sociais, senão também seremos HATERS!!