Polícia Civil intensifica investigação sobre o assassinato de Paulo Justino Pereira
A Polícia Civil investiga as causas do assassinato do ativista rural Paulo Justino Pereira, morto no dia primeiro de maio, no Acampamento Rio Pardo, localizado a cerca de 200 km de Porto Velho.
Publicado Sábado, 9 de Maio de 2015, às 17:18 | Ariane Póvoa Fonte:Radioagência Nacional

 

Paulo Justino tinha 51 anos e era presidente da Associação Vladimir Lênin. De acordo com informações divulgadas pela Liga Operária e a Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia, dias antes de ser morto por tiros na cabeça, ele havia participado de reuniões com representantes de órgãos agrários para denunciar os conflitos sofridos pelas famílias do Acampamento Rio Pardo. Para as duas entidades, isso teria motivado o assassinato do ativista.
Localização do município de Buritis, em Rondônia
Creative Commons - CC BY 3.0 - Localização do município de Buritis, em Rondônia, onde fica o  Distrito de Rio Pardo.  
Wikimedia Commons/CC
 
 
 
De acordo com o delegado Agrário do Estado de Rondônia, Mário Jorge Pinto Sobrinho, a principal linha de investigação é a disputa por terra. Mas o delegado afirma que existe também a possibilidade de vingança, uma vez que Paulo Justino era acusado de ter cometido um homicídio no interior do estado de Alagoas.
 
"Nós estamos enfrentando uma dificuldade quanto às testemunhas porque a vítima era muito reservada. Nós temos várias linhas de investigações e uma delas é o passado dele. Porque a gente foi puxar a vida pregressa dele e encontramos mandado de prisão pra ele, inclusive por homicídio. Outros processos crimes, em outras cidades; não são daqui, um é de Pernambuco, outro de Alagoas; então existe também essa linha de investigação de possível vingança.", explicou o delegado.
 
De acordo com a coordenadora da Comissão Pastoral da Terra em Rondônia, Maria Petronila Neto, é comum haver crimes e conflitos por disputa agrária na região.
 
"A primeira visão que a gente tem é que se trata sim de conflito por terra, conflito agrário. A gente percebe uma comunidade assustada com tanta violência. O camponês às vezes faz a denúncia lá em público e às vezes é barrado com represálias. Muitas vezes represálias violenta", disse a coordenadora.
 
O superintendente regional do Incra em Rondônia, Luis Flávio Carvalho Ribeiro, informou que durante reunião com Paulo Justino não pôde se posicionar sobre a situação do Acampamento Rio Pardo, pois a terra não está sob competência do órgão.
 
"Nós identificamos que a área que ele estava lá pleiteando não faz parte das terras que o Incra trabalha. É de competência da própria Secretaria de Meio Ambiente do Estado. Então eu não pude fazer qualquer pronunciamento uma vez que não se trata de área de competência do Incra", esclareceu Ribeiro.
 

A reportagem não conseguiu contato com a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental e com a Associação Vladimir Lênin. O delegado Mario Jorge informou que o prazo para que a investigação seja concluída é de 30 dias.