Rondônia é alvo da operação da PF que combate extração ilegal de ouro e pedras preciosas
Operação 'Warari Koxi' foi desarticulada na madrugada desta quinta (7). São investigados empresários, donos de garimpos e pilotos de avião.
Publicado Quinta-Feira, 7 de Maio de 2015, às 08:49 | DPF/RO

 

PF faz operação contra o garimpo em Roraima (Foto: Inaê Brandão/G1 RR)

PF faz operação contra o garimpo em Roraima (Foto: Inaê Brandão/G1 RR)

A Polícia Federal, em ação conjunta com o IBAMA e com a Polícia Militar do estado de Roraima, deflagrou, na madrugada desta quinta-feira (07), a Operação Warari Koxi[1] com o objetivo de combater e desarticular organização criminosa que agia na extração ilegal de ouro e pedras preciosas nas terras da reserva Yanomami, provocando considerável degradação ambiental. Os prejuízos estão estimados em R$ 17 milhões mensais, além dos prejuízos ambientais.
 
 
 
Cerca de 150 policiais federais, de várias regiões do pais, deram cumprimento simultâneo a cerca de 313 medidas judiciais nos estados de Roraima, Amazonas, Rondônia, Pará e São Paulo.
 
A organização criminosa é formada por empresários, funcionários públicos, donos de garimpos, joalheiros e até pilotos de avião, responsáveis pela implantação de garimpos de ouro, minerais de uso industrial e outras pedras preciosas em reserva Yanomami na região de Boqueirão e Uraricoera, extremo norte do estado de Roraima.
 
Chamou atenção dos investigadores o montante do prejuízo econômico para a União e a voracidade com que o ecossistema vinha sendo degradado pela atividade extrativista, que polui os rios com mercúrio e outros metais pesados, além da consequente destruição da fauna e da flora da reserva e da cultura yanomami.
 
Estima-se que são retirados de forma ilegal das áreas de garimpo em torno de 160 kg de ouro mensalmente, o que totaliza a sonegação de aproximadamente R$ 17 milhões mensais. Acredita-se que os financiadores do crime utilizam o ouro ilegal como ativo financeiro para lavagem do dinheiro proveniente de outras atividades ilícitas, cujas movimentações atípicas alcançam valor aproximado de R$ 1 bilhão.
 
Os crimes investigados são os de associação criminosa, extração de recursos naturais de forma ilegal, uso indiscriminado de mercúrio, usurpação de patrimônio da União, receptação de bens provenientes de crime, corrupção passiva, violação de sigilo funcional, contrabando, lavagem de dinheiro, e operar instituição financeira sem a devida autorização do Banco Central.
 
Será realizada entrevista coletiva no auditório da Superintendência Regional da Polícia Federal, às 9:30 (horário local), localizada na Av. Brasil, 551, 13 de Setembro, Boa Vista/RR..
 
[1] O termo WARARI KOXI, na definição da comunidade Yanomami, é utilizado como um conceito negativo de intervenção no meio ambiente saudável. Fazendo referência a um sentimento de repulsa ao popularmente chamado “espírito de porco”, à conduta daquele que destrói e degrada o seu ambiente de convivência.