Eduardo Cunha ''dá uma rasteira'' em Dilma após aprovar a chamada PEC da Bengala
o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), aproveitou a mobilização do governo pela votação das medidas de ajuste fiscal para tentar aprovar nesta terça-feira a chamada PEC da Bengala.
Publicado Terça-Feira, 5 de Maio de 2015, às 22:12 | O GLOBO - JÚNIA GAMA, SIMONE IGLESIAS E ISABEL BRAGA

 

o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ)

o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ)

 BRASÍLIA — Em uma manobra surpresa combinada com seu blocão de deputados aliados, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), aproveitou a mobilização do governo pela votação das medidas de ajuste fiscal para tentar aprovar nesta terça-feira a chamada PEC da Bengala. A proposta foi aprovada em 2º turno com 333 votos a favor, 144 contra e 10 abstenções. A proposta aumenta de 70 para 75 a idade máxima para aposentadoria dos ministros dos tribunais superiores e de contas e tira da presidente Dilma Rousseff a prerrogativa de indicar quatro ministros para o Supremo Tribunal Federal (STF).

 
Os deputados agora votam destaque do PT que pretende fazer valer a regra apenas após uma lei complementar e para todos os servidores. Como o destaque retira parte do texto da proposta, serão necessários 308 votos a favor desse trecho para mantê-lo na redação final da PEC.
 
Como o governo passou o dia mobilizando sua base – inclusive tendo enviado quatro ministros petistas ao Congresso – para tentar aprovar a Medida Provisória 665, que endurece as regras para concessão de seguro-desemprego e abono salarial, o plenário alcançou, por volta das 20h, o quórum elevado desejado por Cunha. O presidente da Câmara encerrou então a sessão em que se discutia a MP e abriu uma nova extraordinária, na qual anunciou a votação da PEC, deixando petistas perplexos.
 
Antes disso, no entanto, Cunha deixou que o PT apanhasse durante horas seguidas no plenário. Desconfortável em defender as medidas de ajuste fiscal, a bancada petista passou o dia em reuniões para chegar a um ponto comum e evitar uma derrota para o governo. Mesmo assim, o partido da presidente Dilma Rousseff sofreu constrangimentos sucessivos no plenário cheio, durante a discussão da matéria.