A chegada dos haitianos e o “racismo” contra os pobres
O Brasil se encontra diante de um problema que pode agravar-se: o da chegada de haitianos ao país, em busca de vida melhor, pelas fronteiras do norte. Por enquanto, seu número não é muito grande — mas o êxodo, provocado pela miséria e a fome, só tende a crescer.
Publicado Segunda-Feira, 30 de Julho de 2012, às 09:54 | Mauro Santayana

 
A chegada dos haitianos e o  “racismo” contra os pobres

O Brasil se encontra diante de um problema que podeagravar-se: o da chegada de haitianos ao país, em busca de vida melhor, pelasfronteiras do norte. Por enquanto, seu número não é muito grande — mas o êxodo, provocado pela miséria e a fome, só tende a crescer.

É quase certo que a presença brasileira  no Haiti, castigado pelo terremoto, pelaexploração secular de seus habitantes e por ditadores, tenha contribuído para aescolha de nosso país como terra de promissão. Apesar de alguns episódiosinevitáveis de conflito entre as nossas tropas e alguns haitianos, é natural aempatia entre os dois povos.

Não podemos negar aos haitianos esse asilo que pode serconsiderado, além de humanitário, político. A democratização do Haiti nãoparece ser tão fácil como se imaginava, e a brutal desigualdade entre ricos epobres é ali mais dramática do que em outros lugares. O Brasil é um país demestiços, com forte presença negra, e negar-lhes a oportunidade de viver entrenós seria  absurdo inconcebível. Mas énecessário que saibamos exatamente quem está chegando e pedindo a oportunidadede viver entre nós. Não podemos selecionar os recém-chegados pela suaescolaridade e, menos ainda, pela sua origem de classe.  Podemos, sim —  mediante os nossosrepresentantes em qualquer país, e também no Haiti —  verificar a ficha policialdos pretendentes, de forma a impedir a chegada de meliantes que também podemser negros ou mestiços. Ou brancos, como a maioria dos mafiosos que chegam ao nossopaís, e esse é o caso de russos e croatas, corsos ou italianos, espanhóis eportugueses, para infestar o nosso litoral com jogo, prostituição e aexploração de menores.

Não é admissível considerar racismo esse cuidado elementardas autoridades como racismo. Uma vez que não haja tais restrições, é de nossodever solidário dar a melhor acolhida possível aos haitianos. O governo estáagindo bem, ao proporcionar alojamento —  modesto, como é de praxe —  ealimentação aos haitianos que cruzaram a fronteira no Acre, e é bom que faça omesmo em outros pontos  de cruzamento denossas fronteiras. E se identificar, entre eles, indesejáveis, não pode aceitarsua permanência no país. Por isso mesmo, convinha designar o reforço policialnas cidades de fronteira,  e agilizar aseleção dos que devem ser admitidos como refugiados no Brasil. Em seguida, oSine e outras agências governamentais tratariam de  encaminhá-los aos prováveis empregos. Naprópria Amazônia há carência de mão de obra pouco qualificada, como naconstrução das hidrelétricas. Em todo o país há falta de trabalhadores para aconstrução civil.

Poderão objetar alguns que temos milhões de brasileirosainda em condições de vida muito difícil, e a eles deveríamos dar atençãomaior. Mas se trata de argumento que os sentimentos mais fortes da gentebrasileira, que são os da solidariedade, rejeitam. Temos ainda, graças a Deus,espaço e recursos  suficientes para receberos tangidos por situação crítica de penúria. Os que chegarem devem compreenderque, para viver entre nós, é necessário respeitar nossas leis e normasessenciais de convívio.

Temos sido muito negligentes.  No caso dos africanos, entre milhares queaqui desembarcam com suas mãos dispostas ao trabalho, há traficantes de drogasda conexão nigeriana e outros delinquentes; entre os asiáticos hácontrabandistas notórios, muitos deles já identificados pelas autoridades. E hátambém os indesejáveis que chegam com muito dinheiro: os agentes das grandesempresas multinacionais, que adquirem terras na Amazônia, em Mato Grosso, nolitoral —  e ao longo de toda a fronteira —  mediante a fraude, com a conivênciade brasileiros, em invasão tanto mais perniciosa quanto mais dissimulada.

Os haitianos provavelmente serão discriminados aqui e ali. Énecessária campanha educativa do governo a fim de protegê-los. A estupidez doracismo e do preconceito contra os diferentes não poupa nem mesmo os própriosbrasileiros, negros ou não. São conhecidas as manifestações de ódio contra ospobres e os nordestinos, disseminadas na internet e em atos bárbaros, porgrupos de descendentes de europeus, ainda com nostalgia do nazismo e dofascismo, principalmente no Sul.

O mais grave é que desses preconceitos participamautoridades estaduais e municipais. Ainda agora, em São Paulo —  em lugar delhes dar tratamento —  as autoridades estão realizando pogroms na “Cracolândia” e pretendem devolver para suas cidades deorigem as vítimas do narcotráfico. Da mesma forma, não só em São Paulo, que é o casomais notável, em todas as grandes cidades brasileiras os moradores de rua sãoperseguidos e até mesmo assassinados.

Esses atos de ódio contra o direito à vida encontram, naimpunidade, o estímulo a que se disseminem e se transformem em  infecção incontrolável.