Dragão da inflação ganha força em abril com alta de combustíveis
Publicado Segunda-Feira, 30 de Julho de 2012, às 08:25 | R7

 

Dragão da inflação ganha força
em abril com alta de combustíveis 

Aumento no preço dos combustíveis pode fazer com que a meta do governo fique por um fio

Do R7

Leonardo Soares/28.04.2011/AELeonardo Soares/28.04.2011/AE

Preço da gasolina disparou no mês em SP


O velho inimigo dos brasileiros parece estar de volta. A cada mês, a inflação tem ocupado espaço não só na mesa das famílias, mas no aluguel, na escola e agora no posto de combustível.

Devido à entressafra da cana de açúcar, que é o período intermediário entre uma safra e outra, o álcool está mais caro na bomba e também na mistura da gasolina. Com isso, abastecer o carro tem pesado cada vez mais no bolso e também na formação do índice geral de inflação, que ganha força a cada novo aumento de um setor.

Nesta sexta-feira (6), o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulga o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor) do mês de abril que, ao que tudo indica, deve continuar a encostar na meta do governo, que é de 4,5% ao ano.

Na prévia divulgada no final do mês passado, a inflação estava em 0,77% no mês, levemente menor que a registrada em março, mas ainda assim comprometendo o sistema de metas do governo. Como o regime permite oscilação de dois pontos percentuais para cima ou para baixo, o teto de 6,5% já estaria sendo atingido. Caso as projeções de abril sejam confirmadas, a inflação acumulada estaria em 6,4%.

Para tentar frear o dragão, o governo tem feito de tudo nos últimos meses. Na mesa, estão sendo analisadas desde uma redução na mistura do álcool na gasolina, ao repasse do controle do etanol à ANP (Agência Nacional de Petróleo) como também um novo aperto na taxa básica de juros, a Selic.

Desde o ano passado, foram retirados os estímulos à economia, como a redução do IPI (Imposto sobre Produto Industrializado) e o Banco Central decidiu pelo aumento gradual da taxa Selic, que passou do menor valor da história, de 8,75%, para 12,25% ao ano.

Com isso, o governo conseguiu puxar um pouco a rédea do consumo desenfreado dos brasileiros. Com taxas bancárias mais salgadas, ele se viu obrigado a repensar os prazos, as formas de pagamento e abandonar o cartão de crédito.

No entanto, outros fatores parecem ir contra os esforços. Com a instabilidade do clima e a alta procura por alimentos, os comerciantes estão tendo que reajustar os preços toda semana, o que tem pegado de surpresa toda ida da dona de casa à feira. Os serviços básicos, como salão de beleza, a diarista, o curso de inglês, aluguel e transportes acabam entrando na dança.

Aos brasileiros, a solução tem sido voltar a usar as "armas" antigas, como intensificar a pesquisa de preço, substituir os produtos na mesa, evitar as compras parceladas e trocar o carro e o ônibus pela bicicleta. Segundo especialistas e também porta-vozes do governo, a previsão é de que a inflação comece a desacelerar nos próximos meses, indo de encontro ao centro da meta, de 4,5%.

Veja a evolução dos preços neste ano:graficoInflacao