Estiagem já preocupa produtores de cana de Mato Grosso
Publicado Segunda-Feira, 30 de Julho de 2012, às 10:18 | Daniel Panobianco

 
Estiagem já preocupa produtores de cana de Mato Grosso


 

A falta de chuvas em Mato Grosso já preocupa a indústria sucroalcooleira, que está em plena fase de colheita e moagem. Até agora, segundo levantamento do Sindicato das Indústrias Sucroalcooleiras do Estado (Sindálcool) foram moídas 8,64 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, correspondendo a 60% do total previsto para este ano, 14,40 milhões de toneladas. No ano passado, as usinas moeram 14,05 milhões de toneladas de cana.

"A moagem caminha dentro da normalidade, mas se a estiagem continuar na segunda quinzena deste mês poderemos ter problemas", alerta o diretor executivo do Sindálcool, Jorge dos Santos. Segundo ele, a carência de chuvas nas regiões produtoras poderá impactar na qualidade da cana. "Sem chuva, aumenta a quantidade de fibras, a cana seca e, com isso, temos perda de produtividade", explica. Santos informou que, apesar dos preços atrativos do açúcar no mercado internacional este ano, os usineiros mato-grossenses deverão manter a preferência pelo álcool até o final da safra, à proporção de 65%, contra 35% do açúcar, devido à questão da logística. "Sem logística adequada não há como vendermos para outras regiões ou mesmo exportarmos", diz, acrescentando que safra mais alcooleira "é bom para o consumidor porque a oferta de produtos fica dentro das necessidades do mercado e, com isso, não há ameaça de aumento dos preços na bomba". Este ano as usinas mato-grossenses repetiram a área plantada de 2009, cultivando 200 mil hectares de cana-de-açúcar. A expectativa é produzir 450 mil toneladas de açúcar - incremento de 8,43% em relação à safra do ano passado, 415 mil toneladas – e 850 milhões de litros de etanol.
Deste total, 550 milhões de litros serão de etanol hidratado (combustível) e, 500 milhões de litros, anidro (usado na mistura com a gasolina). No ano passado, Mato Grosso produziu 830 milhões de litros de etanol, 2,41% a menos que nesta safra. Segundo Jorge dos Santos, este ano as usinas deverão produzir um pouco mais de álcool anidro para atender os mercados de Acre, Amazonas e Rondônia, que estão consumindo mais gasolina do que etanol e, por isso, há exigência de mais anidro para a mistura.

(Fonte: De olho no tempo, com informações Só Notícias)