Justiça cita 7 partidos que teriam recebido doações da Camargo Corrêa
Publicado Segunda-Feira, 30 de Julho de 2012, às 22:41 | EMRONDONIA.COM.BR

 

SÃO PAULO - A prática de crimes financeiros por executivos do grupo Camargo Corrêa pode ter motivações eleitorais, segundo afirmou o juiz da 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo, Fausto Martim de Sanctis, no despacho em que solicitou a prisão de quatro diretores do grupo, além de três doleiros, duas secretárias e mais um "colaborador".

No documento, de Sanctis afirma que escutas telefônicas realizadas pela Polícia Federal (PF) identificaram conversas em que diretores da Camargo Corrêa tratavam de doações de dinheiro a partidos como PSDB, PPS, PSB, PDT, DEM, PP e PMDB. Em boa parte desses casos, o repasse dos recursos era intermediado por um representante da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) na capital federal, ainda segundo seu relato.

"Sob tal enfoque, há indícios de que supostos crimes financeiros, em tese, perpetrados por alguns funcionários da empresa Camargo Corrêa, poderiam ter sido motivados para fraudar de algum modo o sistema eleitoral", diz o documento assinado pelo juiz.

Apesar disso, as prisões realizadas hoje foram motivadas apenas e tão somente pela prática dos crimes financeiros, segundo enfatizou José Alberto Iegas, delegado regional de combate ao crime organizado da PF, responsável pela operação "Castelo de Areia".

De acordo com as investigações, o suíço naturalizado brasileiro Kurt Paul Pickel operava no mercado paralelo de câmbio e mandava ilegalmente recursos ao exterior a mando dos executivos da Camargo Corrêa. "Ele é, em tese, o responsável pelo envio de vultuosas quantias para o exterior e eventual lavagem de valores, tudo em prol do grupo ou de seus diretores", diz o documento.

Quanto à origem dos recursos enviados para fora, o superfaturamento de obras públicas por parte da Camargo Corrêa é uma das possibilidades. Em seu despacho, de Sanctis cita que informações compartilhadas com o Tribunal de Contas da União (TCU) apontam para indícios de superfaturamento na fase inicial de obras da refinaria Abreu e Lima, da Petrobras, em Pernambuco. Segundo o documento, o rombo seria próximo de R$ 72 milhões.

Os executivos presos foram: Fernando Dias Gomes, diretor regimental da diretoria de auditoria e controle e membro do conselho fiscal da CPFL; Darcio Brunato, membro da diretoria de controladoria; Pietro Francisco Bianchi, engenheiro aposentado que vinha prestando consultoria para a empresa; e Raggi Badra Neto, diretor da divisão de obras públicas.

Com exceção das duas secretárias, que tiveram prisão temporária decretada, os demais envolvidos foram presos de forma preventiva.

Em nota, a Camargo Corrêa se disse "perplexa" com a ação da PF e garantiu cumprir "rigorosamente com as suas obrigações legais".

(Murillo Camarotto | Valor Online)