Consumo de álcool cresceu 41% em 2008
Publicado Segunda-Feira, 30 de Julho de 2012, às 21:32 | AG.ESTADO

 

O consumo de combustíveis no Brasil praticamente não foi afetado pela crise financeira que abalou os mercados do mundo todo no último trimestre. Segundo dados divulgados nesta segunda (2) pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), o consumo geral aumentou 8,4%, passando de 97,7 bilhões de litros em 2007 para 105,9 bilhões em 2008. Os dados específicos do mês de dezembro não foram divulgados pela reguladora.

De acordo com o superintendente de Abastecimento, Edson Silva, este consumo não teve qualquer reflexo da crise em outubro e novembro. Apenas nos últimos 15 dias de dezembro houve queda no consumo de diesel, mas ele não soube dizer qual o volume. Ainda segundo Silva, parte desta queda pode ser atribuída a efeitos sazonais.

 

Divergência

No entanto, pouco antes da apresentação dos números referentes a 2008, durante seminário promovido pela ANP, o diretor-geral da reguladora, Haroldo Lima, havia afirmado que o diesel registrou queda de 3,2% no consumo em dezembro frente ao mês anterior.

 

Ainda segundo ele, a gasolina do tipo C (que recebe a adição de álcool anidro) teve queda de 2,8% em sua demanda no País. O superintendente de Abastecimento disse desconhecer os porcentuais apresentados por Lima.

 

Álcool

 O consumo de álcool hidratado (comercializado na bomba de combustível diretamente) cresceu 41,4% em 2008 sobre o ano anterior, segundo a ANP. O consumo de diesel e o de gasolina tiveram acréscimo de 7,7% e 3,49%, respectivamente.

A reguladora atribuiu o crescimento do etanol em parte ao combate à clandestinidade na venda do produto e parte ao aumento das vendas de veículos flex, que admitem dois tipos de combustíveis.

 

Segundo a ANP, a venda deste tipo de veículos aumentou 16,3% em 2008 sobre 2007, enquanto os carros de passeio movidos à gasolina tiveram um acréscimo de 7% nas vendas. Ainda de acordo com a ANP, as exportações de etanol atingiram cinco bilhões de litros em 2008, volume 45,05% superior a 2007.

Para o superintendente de Abastecimento, há a perspectiva de que o volume de consumo de combustíveis continue crescendo em 2009, na medida em que entrarem novos veículos flex no mercado. "No ano passado, tivemos um marco que foi a ultrapassagem das vendas de álcool (hidratado e anidro) sobre a gasolina. A tendência é de que a diferença entre ambos continue aumentando", disse.

 

Projetos

Segundo Silva, no entanto, a ANP já constatou o adiamento ou mesmo cancelamento de vários projetos que miravam a construção ou ampliação de usinas.

 

"Não acreditamos que isso venha afetar a produção, e muito menos o consumo, já que há um volume grande de álcool que deve entrar no mercado este ano por conta de novas unidades já instaladas e que receberam a autorização para operarem da ANP em 2008", afirmou. Segundo a ANP, o número de usinas cadastradas aumentou em 16,2% em 2008 sobre o ano anterior.

"O máximo que pode acontecer, se o mercado consumidor interno apresentar uma queda também com relação ao álcool, é termos um volume maior para ser exportado", disse.

 

Janeiro

Segundo Silva, os dados preliminares que chegaram sobre o mercado em 2009 indicam que há queda no consumo no primeiro mês do ano em relação ao mesmo mês em 2008.

 

"É bem possível que tenhamos uma retração no consumo este ano em relação à média de crescimento verificada no ano passado, mas ainda assim acreditamos que seja possível apresentar resultado positivo", disse.

 

Gasolina

Ainda de acordo com os dados da reguladora, especificamente sobre a gasolina, a ANP apontou que, se excluída a adição do álcool em sua composição, o crescimento no consumo foi de 2,15%. Há que ser considerado que até o primeiro semestre de 2007 a adição de álcool na gasolina era de 23% e passou a ser de 25%.

 

Biocombustíveis

Ainda nesta segunda, Haroldo Lima disse que há a possibilidade de o governo antecipar um novo aumento na proporção de biodiesel a ser adicionado ao óleo diesel ainda este ano. Segundo ele, em vez da atual mistura de 3%, seriam 4%. Atualmente, a legislação prevê apenas que a mistura B5 (5%) comece a valer a partir de 2013.

Segundo Silva, já há capacidade ociosa na produção de biodiesel e este volume poderia ser aproveitado para elevar a mistura de B3 para B4. Ele estima que com a adição de 4% seriam necessários 1,6 bilhão de litros do biodiesel no País, em vez de 1 bilhão atualmente. A capacidade atual de produção nas 62 unidades processadoras é de 3 bilhões de litros, disse Silva.

Ele lembrou que a adição de 3% contribuiu para uma economia de R$ 1 bilhão na balança comercial ao permitir uma menor importação de diesel. Apesar da contribuição do biodiesel, o volume importado foi de 12,7% do total de diesel consumido no País, volume maior do que os 9,8% de importação em 2007. Se não fosse pelo biodiesel, a importação representaria 15,2% do total consumido no País.

 

(Com informações da Agência Estado)